Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Informação detalhada...


Portugal, Portugal...

Malefícios

Os fumadores irritam-me solenemente!
Começam logo pela manhã: entro na confeitaria para tomar o pequeno almoço e numa ou noutra mesa é vê-los com gestos mais ou menos parvos a acenderem o dito, puxarem e lançarem para a atmosfera o ar putrefacto da nicotina. Enquanto bebo um golo de meia de leite ou trinco um pedaço de pão manteiga, tenho de me engasgar com aquele horroroso cheiro...
O engraçado é que mesmo ali ao pé, uma máquina fornecedora de tabaco diz expressamente algo sobre os malefícios daquele veneno, qualquer coisa que tem a palavra morte...
Depois ao almoço, no restaurante, muitas vezes o ar parece ser invadido por uma núvem de fumo negro...
Todos sabem que morrem todos os anos aproximadamente cinco milhões de pessoas com doenças directamente ligadas ao tabaco, mas não há forma de este número diminuir, só em Portugal existem 1,5 milhões de pessoas viciadas em
nicotina. Mas continuam a fumar.
Gostava de lhes apresentar estas fotografias e perguntar: já agora, os meus pulmões são os do lado esquerdo, e os vossos?
Confesso que só mesmo a história que se segue me faz sorrir e compreender a necessidade do fumo:
Deixou de fumar. Passados 10 minutos a sala encheu-se de fumo. Cada vez mais fumo. Os olhos picavam, uma nuvem densa, de um cinzento azulado, tornava o ar irrespirável. Os convidados arrastavam-se pelo chão, com lenços na boca, tacteando uma saída. De repente, um grito: "acudam, o F. já não respira". Encontrões, palavrões, vidros pelo chão. Cortes. O gato pisado. O chão peganhento do sangue que não se via. Pânico. E fumo, cada vez mais fumo. Gritos na rua, os bombeiros que chegam. Suspirou, desiludida, e voltou a fumar outra vez. Afinal, uma chaminé de lareira não pode deixar de fumar.

O primeiro e último tipo sincero


(versão Fast-Food)
Adão virado para Eva:
- És a única mulher da minha vida!

Quem gosta de fazer cócegas?

Ora cá está!

A pena é mesmo um requinte, e apesar de demorar um pouquinho a abrir é bem interessante para quem gosta de fazer cócegas (não é de receber, atenção!). Pode dar largas aos seus instintos malfazejos.

E o que tem a sua piada é que a "vítima, tudo indica, que até gosta...
Os risinhos não são bem de protesto!
Divirtam-se.

Feira do Livro Alternativo

Ouvi na rádio e confirmei a notícia:

Abriu no Porto uma Feira do Livro muito interessante -
livros de literatura marginal para comprar e "roubar".

Esta Feira, que dura a semana toda, com uns 500 títulos de literatura "vadia", marginal e alternativa, dá ao cliente uma regalia engraçada:

«Todos os que efectuarem compras no Mercado Negro superiores a 35 euros vão ter direito a "roubar um livro" de uma caixa colocada à saída».

Claro que este “roubo” é muito especial, mas tem a sua graça…

Campeonato de berlinde

- Maria, achas que vou conseguir roubar berlindes ao Cunhal?
- O Cunhal já morreu faz tempo, Mário.
- Já morreu? Tu não me digas...bom, sempre é menos um a atrapalhar. E a Europa, Maria? Se calhar, se eu desatasse para aí a dizer que Portugal devia ir jogar ao berlinde para a Europa, a rapaziada ia atrás. Podia até falar com o mon ami Mitterrand, que ele é que sabe das covas lá fora...
- Mário, na Europa já nós estamos, foste tu que assinaste o papelinho da entrada e tudo, não te lembras? E para além disso, o teu ami Mitterrand também já morreu.
- Já morreu? Tu não me digas...bom, sempre era mais um que podia ajudar. Então contra quem é que eu vou jogar ao berlinde desta vez?- Com o Alegre.- O Alegre? Mas esse é cá nos nossos!
- Era, Mário. Era cá dos nossos até tu dizeres ao Zé Sócrates para não o deixar brincar com os berlindes cor-de-rosa. Ah, e com o Cavaco...vais jogar contra o Cavaco.
- O Cavaco? O Cavaco? Esse não é aquele muito sério, que nunca se ri e que mandou um estaladão no Otelo, no outro dia?- Não, Mário. Esse é o Eanes...
- Isso, isso..o Eanes...
- ...olha lá, Mário: tu por acaso não andas a trocar os comprimidos pelos Smarties, pois não?

Entrevista com MIGUEL CADILHE


Transcrevo a última entrevista de Miguel Cadilhe pela relevância na análise da situação económica, e pelas medidas que perconiza com as quais estou muito de acordo. De notar que estas posições estão muito perto das defendidas ontem na TV por António Borges.

Entrevista
O «abanão» de Miguel Cadilhe

Na primeira grande entrevista em anos, o economista fala do seu PSD, do País, da Economia e das saídas para a crise: «um abanão». E deixa um aviso: «Cavaco Silva é como um eucalipto, que provoca aridez à sua volta». Versão completa da entrevista publicada na edição 644 da VISÃO Cesaltina Pinto / VISÃO nº 664 de 25 Nov. 2005.

Na próxima segunda-feira, 28, Miguel Cadilhe avançará, no Porto, com um conjunto de propostas para uma reforma administrativa e conceitual do Estado. Estas estão compiladas no livro O Sobrepeso do Estado em Portugal, escrito no último ano, que será apresentado pelo empresário Belmiro de Azevedo. De saída da liderança da Agência Portuguesa para o Investimento (API), onde será substituído por Basílio Horta, o ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva diz que «a bandeira portuguesa está a sangrar». E o óleo do pintor Manuel Casimiro, que escolheu para capa do livro, significa isso mesmo.

E Portugal sangra porquê? Porque tem «Estado a mais». Retira «recursos ao sector privado» e, ainda por cima, «utiliza-os mal», criando «burocracia que prejudica o bom funcionamento da economia». Solução? Uma reforma de administrações, conceitos e de regimes do Estado, «em todas as frentes» que proporcione «um abanão». Estado no sentido amplo de sector público administrativo.



Bilhete de Identidade

Quem é? Economista e regionalista convicto. Ele próprio se define como «um resistente do Porto». Foi ministro das Finanças do Governo de Cavaco Silva e avançou com diversas grandes reformas. É militante do PSD, mas considera-se um outsider da política partidária. O que não significa que se demita de uma intervenção cívica.

O que faz? Está de saída da API, onde acaba de cumprir um mandato de três anos. As restrições ditadas pelos estatutos da Agência que visa apoiar grandes investidores estrangeiros e portugueses não lhe permitirão colaborar, nos próximos tempos, em várias empresas privadas. E o seu acordo de rescisão com o BCP, cerca de um ano antes de liderar a API, também não lhe permite voltar às lides bancárias. Sem querer deixar cair o véu quanto ao seu futuro, Miguel Cadilhe diz apenas que tem «muitos escritos por acabar».

VISÃO: Porque escreveu este livro?

MIGUEL CADILHE: Porque Portugal está numa complicada passagem da sua história e precisa de algumas mudanças fundamentais, de âmbito político. Tenho algumas ideias para apresentar. A minha experiência, durante três anos, na API, fez-me conviver por dentro com o sobrepeso do Estado. O Estado sobrepesa os contribuintes, as empresas, os investidores, as famílias. Só uma reforma profunda e transversal poderia aliviar isso e libertar recursos para o sector privado. Há aqui um problema de eficiência e de competitividade. Portugal está há uns anos com perda e competitividade.

Porquê a perda de competitividade? Vários factores explicam isso. Um deles é o euro, uma moeda forte de mais para a nossa estrutura produtiva. Outro é a evolução dos custos salariais acima da produtividade. Outro ainda é o peso do Estado: perde eficiência por erro próprio e faz perder ao sector privado. A burocracia em Portugal é extensa e excessiva.

Onde é que se devia reduzir o peso do Estado? É o peso corrente do Estado administrativo que está em causa e as reformas devem ser tentadas em todas as frentes, sem excepção?

Em simultâneo? Sim, porque o País precisa de um abanão. Politicamente é muito difícil, por isso os políticos preferem ir aos poucos. É um gradualismo muito, muito lento. E quando se opta pela lentidão acaba-se por não ter velocidade suficiente, nem ritmo, nem profundidade, nem espessura.

Era possível governar e avançar em todas as frentes?A minha proposta é radical. É uma questão de escolha, de vontade política e de calendário. Não acredito em pequenos programas de reformas segmentadas. Isto só vai lá com uma redução de todo o funcionamento corrente do Estado/Administração Pública.

Isso quer dizer o quê? Que tem de olhar para todos os serviços da Administração Pública, desde a local à central, para todos: desde a Educação à Justiça, desde a Segurança Social à Segurança Pública, desde a Defesa à Saúde, desde a Administração Fiscal aos gabinetes ministeriais e reduzir severamente – um quarto ou um terço da actual escala produtiva do Estado. Que é pouco produtiva! Para reduzir temos de convidar os funcionários públicos a rescindir. Tem de haver um regime especial de rescisão amigável e temos de pagar indemnizações condignas, porque os funcionários públicos devem ser bem tratados. Não há reformas estruturais do Estado contra os funcionários públicos. Como se sabe quais os funcionários públicos que são dispensáveis e devem ser convidados a rescindir? Bom, é a tal via das auditorias externas e independentes aos recursos e à organização e gestão dos serviços públicos. Isto não é novo. Em 1989, eu próprio levei a Conselho de Ministros uma resolução para mandar fazer estas auditorias. Pouco depois saí e as auditorias externas aos serviços públicos caíram.

Vem daí a teoria de Cavaco ser o pai do monstro? Essa teoria não é minha. É do Expresso. O que digo no livro é que o chamado novo sistema remuneratório da função pública foi de primeiríssima responsabilidade do primeiro-ministro de então, Cavaco Silva. Como ministro das Finanças procurei mostrar que as implicações despesistas deveriam ter compensação pelo lado da produtividade, dos níveis de serviço, da qualidade, da redução da outra despesa pública. Por isso propus as auditorias externas. Foram aprovadas, a resolução do Conselho de Ministros foi publicada no Diário da República, e por concurso foram pré-qualificadas as empresas privadas capazes de fazer as tais auditorias. Chegámos a seleccionar as primeiras direcções-gerais a ser auditadas. Depois, saí e não tive a mais pequena notícia de avanço deste processo. Tivemos um dos lados, o despesista, que avançou, enquanto o contrabalanço da produtividade, mediante auditorias e redimensionamentos e reafectações, para reduzir despesa pública, não se realizou.

E responsabiliza Cavaco Silva por não lhe ter dado continuidade? Bem vê, o primeiro-ministro continuou mais cinco anos. Mas deixe-me voltar à ideia central que é a de rescisão por mútuo acordo. Se o funcionário não der o seu acordo, será então objecto de reafectação a outros serviços, passará por um processo de formação, também ele muito bem programado e executado, uma reconversão profissional para outros serviços necessitados.

Isso não aumentaria a despesa do Estado? Para pagar tudo isso – as indemnizações, a formação, as auditorias externas e a modernização – proponho a criação de um Fundo Extraordinário de Investimento, que iria buscar recursos a uma emissão de dívida pública longa. Não há que ter medo de ir à dívida pública. Se há uma aplicação reprodutiva de dívida pública é num programa deste género, que dá muito mais eficiência ao País e ajuda à competitividade. Para além da dívida pública, esse Fundo iria também financiar-se de fundos estruturais europeus e da venda de activos do Estado. E aqui entra o ouro do Banco de Portugal. À medida que se ia vendendo o ouro ia-se pagando o serviço da dívida. Fundamento no livro que a operação de venda do ouro é possível e é altamente recomendável. Seria vendido aos poucos e não de uma vez, para não atirar as cotações para baixo.

Tem apontado constrangimentos judiciais como um obstáculo à capacidade de atrair investimento. Em que medida? A administração da Justiça, assim como a administração fiscal, são condição necessária para o bom investimento e sabe-se que não funcionam bem em Portugal. O bom investidor quer administrações fiscais, judiciais e para-judiciais eficientes. Não quer uma pesada e ineficiente administração que provoque economia paralela e informal, a qual, por sua vez, prejudica a boa concorrência. Isso tem a ver com os seus níveis de eficiência, com os seus modos de actuação, a afectação de recursos, a modernização de instalações e de equipamentos, a desmaterialização e o uso de meios electrónicos. Tudo isto requer importante investimento público. Imagino que os gastos com os dois submarinos dariam para fazer uma boa reforma da administração da Justiça.

Como é que um investidor estrangeiro vê o que se passou agora com as buscas judiciais aos bancos? O que se passa é que quando um sector, como é o caso da administração da justiça, está muito mal, de vez em quando dá-se assim algo muito visível para?

Mostrar serviço? Digo antes para melhorar a imagem. Se há razões para investigar operações bancárias devem ser feitas até às últimas consequências. Não sei se é bom torná-la pública antes de ser feita. Admito que, por vezes, a eficácia da Justiça aumente com o papel da comunicação social a dar conhecimento das coisas porque evita que não sejam plenamente investigadas e concluídas. Mas seria bom saber qual é a motivação das fontes da notícia. E há ainda o problema da quebra do segredo de justiça ?

Portugal caiu 40 lugares no ranking das Nações Unidas de captação de Investimento estrangeiro. A API diz ter captado 2,3 mil milhões de investimento. No entanto, ficou a sensação de que não trouxe investimento visível para Portugal. Não podia ter feito mais na API? A API faz um trabalho discreto, só lida com grandes investidores e estes exigem profissionalismo e sigilo. Conseguimos ficar sempre acima dos cem por cento dos objectivos comerciais estabelecidos para cada ano. Quero esclarecer que estatísticas de IDE, investimento directo estrangeiro, têm muito pouco a ver com os objectivos da Agência. Imagine: um grande banco em Portugal compra um grande banco em Espanha – isto aparece nas estatísticas de IDE como saída. Para a API isso não conta nada. Outro exemplo: uma grande companhia ligada às energias em Espanha compra uma grande empresa energética em Portugal – isto aparece como uma entrada de IDE. A Agência nem sequer olha para isso, salvo na medida em que depois possa haver investimentos reais, por exemplo, de modernização ou expansão da empresa em Portugal. Porque só lidamos com investimento real. Isto é, faz-se, uma fábrica, um hotel ou um laboratório; montam-se máquinas, emprega-se e forma-se gente.

E fizeram-se fábricas, montaram-se máquinas, empregou-se gente? Sim. Expandiram-se outras que cá estão. A API não está sozinha, compete com muitas outras agências. A função mais importante de uma agência, tão ou mais importante do que a captação de um novo investidor, é tentar reter os grandes investidores que estão no seu país, sejam estrangeiros ou nacionais. Em vez de deslocalizar a fábrica para o estrangeiro, mantenham-se cá e expandam. Isto transparece muito pouco nas estatísticas oficiais do Banco de Portugal.

Mas o que ficou na opinião pública foi a imagem das empresas a sair? É o que dá notícia, não é verdade? Mas há outras empresas que vieram e outras que aumentaram as suas capacidades produtivas. Os contratos de investimento que foram assinados são públicos, os que ainda não foram assinados não posso falar deles.

Está a dizer que muito desse trabalho só vai ser notado dentro de alguns anos? Claro. Mas também já se está a notar o que se fez há três anos.

Portanto, acha que não podia ter feito muito mais? Não. Temos tido também a acção paciente de procurar remover alguns custos de contexto.

Conseguiu revolucionar as mentalidades dos embaixadores para uma verdadeira diplomacia económica? Revolucionar? Nunca. Acho é que todos aprendemos. Eles ajudaram-nos a perceber algumas coisas e nós ajudámo-los a perceber melhor as atitudes e motivações dos investidores. Há um ganho líquido recíproco muito apreciável. O Fórum de Embaixadores funcionou bem, é uma experiência que vale a pena aprofundar. Admito que o novo conselho de administração possa passar a outro patamar.

Votaria contra este Orçamento de Estado? [Silêncio]. Humm, talvez. [Novamente silêncio]. Acho que este é um Orçamento respeitável, mostra um esforço grande do Governo. Mas tenho uma orientação distinta, e votaria contra por razões de orientação da política orçamental, tendo em conta o facto de Portugal estar em recessão grave. Esta é uma questão de fundo, não só deste orçamento, mas também de outros de anos anteriores. Defendo que a política orçamental deve ser sempre anticíclica. E, mais uma vez, este orçamento é pró-cíclico e agrava a difícil conjuntura que vivemos. Pelo novo Pacto de Estabilidade e Crescimento [PEC], Portugal deve ser classificado como estando em recessão grave. E vamos continuar assim. Temos uma perda acumulada do PIB comparado com o produto potencial, o produto efectivo está abaixo do produto potencial desde 2003, vai manter-se assim até 2006/2007, segundo as projecções do Governo. Olhando para o Orçamento, vê-se que as receitas fiscais, em percentagem do PIB, aumentam, as despesas públicas totais diminuem, e isto, em recessão, é pró-cíclico. Acho muito bem que se reduzam as despesas públicas correntes mas, simultaneamente, devem diminuir-se também as receitas fiscais. Senão estamos a agravar a quebra da procura.

Não defende o aumento de impostos? Nunca. Nunca. Vamos lá ver: em campanha eleitoral há, de facto, compromissos que deveriam ser invioláveis. Em Portugal habituámo-nos a condescender com aquilo que se diz na campanha eleitoral e, depois, passados uns meses, o político eleito faz o contrário. Neste caso, não percebo porque é que o Presidente da República não disse: «Meus amigos, atenção, promessas solenes e importantes em campanha eleitoral são para cumprir.» Não passa pela cabeça de ninguém que, passados dois ou três meses, um Governo eleito conclua que, em campanha, fez promessas sem conhecimento suficiente para as fazer e, depois, não as cumpre. Não acredito nisso. E sobe o IVA em dois pontos percentuais! Subiu este Governo, tal como o de Durão Barroso. Nesse momento, o Presidente da República devia dizer que há promessas que são sagradas. Uma promessa de não subir impostos tem de ser cumprida.

Isso criaria instabilidade. Instabilidade o quê? Reforça é o crédito e a confiança na democracia. Um cidadão vota hoje e, passados dois meses, os políticos eleitos desfazem as promessas de não subir impostos? E sobem-nos!? O Presidente pode, e deve, dar uma palavra forte. E não é em privado, mas em público.

As próximas presidenciais mudarão algo? Não sei.

Porque não está na comissão de honra de Cavaco Silva? Disse, quer a um quer a outro, que nunca poderia estar, publicamente, com Cavaco contra Soares, nem com Soares contra Cavaco.

Quer dizer que foi convidado pelos dois? Fui contactado. Mas respeito as posições de outras pessoas que, com as mesmas razões de consciência que as minhas, tenham assumido o partido de um dos candidatos. Eu não o fiz, nem o farei.

Defenderia uma alteração dos poderes presidenciais? [Longo silêncio]. Olhando para os principais candidatos de hoje, não.

O que é que isso tem a ver com os candidatos? Tem a ver com a sua maneira de ser, com o seu passado, com as tentações dos próprios candidatos uma vez feitos presidentes. Por isso, não mexeria no regime dos poderes presidenciais. Se me perguntasse, em abstracto, diria que seria bom dar uns toques no regime, fazer algumas alterações. Agora, olhando para os candidatos concretos, digo que não. Assim, há um equilíbrio de separação de poderes, que deve manter-se. E não digo mais nada. Para bom entendedor?

Atendendo ao potencial vencedor, tantos cuidados só podem ser por causa de Cavaco? Não teria essa certeza.

Não tem a certeza de que Cavaco ganhe? Não tenho não. A aritmética eleitoral mostra que a esquerda ganha as presidenciais. Portanto, admito que o próprio Cavaco tenha aqui os seus receios.

Sente-se um outsider dentro do seu próprio partido? Sempre fui. Nunca fiz a vida partidária [risos].

Também não é um político profissional? Não, nunca fui [risos]

Mas, no entanto, tentou sempre intervir. Isso não é política profissional. É cidadania. Acho que é tão nobre a intervenção por via partidária como fora dos partidos.

Isso não lhe dá poder para concretizar. Quando fala, as pessoas ouvem-no, cria uma grande confusão à sua volta, mas depois nem o seu partido aproveita as suas ideias. Isso não me inquieta nada. Já em vários momentos, se eu quisesse fazer algo mais dentro do PSD, poderia ter feito ou tentado fazer.

Está na situação de quem fala, fala e depois, quando pode ter o poder, diz que não o quer? Não, não. Já tive o poder como ministro das Finanças e exerci-o.

Já lá vai muito tempo. Nunca mais regressou. Fiz a minha opção. O facto de estar na administração de bancos não era muito compaginável com a vida partidária.

Poderia ter optado. Mas não optei. Além disso era um sacrifício material. E depois, sabe, isto de estar na política tem um custo elevadíssimo. Ouça, isto de estar a justificar, demonstrar e provar que tenho a minha consciência tranquila? é de mais, não é? Quem gostar disso que o faça. Acho que se exige de mais na vida política. Noutras exige-se de menos. Estou completamente fora da vida partidária activa.

E não quer voltar? Nunca digo isso.

Não está a pensar fazê-lo nos próximos tempos? Mas porquê? Tenho várias coisas para escrever?

O que é que o faria voltar? Não tenho resposta para isso.

Continua a ser militante do PSD. A liderança do seu partido está no bom caminho? [Longo silêncio]. A liderança do partido há anos que não encontra o seu caminho. Há anos.

Há quantos? Desde a saída de Cavaco Silva? Sim. O PSD não reencontrou o seu caminho nem a sua liderança desde há dez anos. Isto tem a ver com a própria atitude de Cavaco Silva. Que é como um eucalipto: provoca aridez à sua volta. Depois, repare, Durão Barroso foi o líder que esteve com o poder e, a meio do mandato, faz aquilo que é inqualificável do ponto de vista da democracia e da história: sair para ir para presidente da Comissão. Isto tem os seus efeitos sobre a própria credibilidade da democracia e dos partidos. Como é que é possível um primeiro-ministro, a meio do mandato, virar costas aos seus compromissos eleitorais que são os mais nobres?!

Foram dois a sair no espaço de poucos anos. Primeiro foi Guterres a desistir. Está muito decepcionado. Estamos todos. Um primeiro-ministro não abandona o mandato por razões de melhor remuneração ou de conteúdo de função. Com Guterres foi diferente, não saiu para ir para outro lugar. Teve um revés eleitoral forte. Acha que isso não atinge os alicerces da democracia? Claro que sim.

Como reaproximar eleitores e partidos? Façam uma retrospectiva dos últimos 20 anos, vejam o que deve um político fazer e o que não deve fazer. Atentem no que esteve mal, mal, mal. E façam um código de conduta dos políticos.

Concorda com as directas para a eleição do líder partidário? Os congressos têm o seu folclore, mas também têm os seus momentos de emoção e esses são, por vezes, muito mais importantes do que os momentos longos de razão. Devia-se conciliar uma coisa com a outra, mas o modo de o fazer deixo-o à imaginação dos políticos.

Mas onde se elegeria o líder? Nas directas, pois claro. Por exemplo, há um congresso e na semana seguinte há as directas.

As directas não aumentariam o risco de populismo, não baixaria o nível dos políticos? Não sei. O populismo nos congressos também vem muito ao de cima, não vem? Pior ainda, por vezes são os clientelismos intrapartidários e as promessas de vantagens.

E é a favor ou contra a introdução dos círculos uninominais? Há muito que sou adepto dos círculos uninominais. Os políticos têm medo disso. Não percebo porque é que isso ainda não avançou.

Isso não levaria ao desaparecimento dos pequenos partidos da representação parlamentar? Terão outras formas. Temos um parlamento grande de mais. O parlamento precisa de ser melhorado tecnicamente, muito mais do que está, de rever e reforçar assessorias técnicas. Mas o número de deputados precisa de ser drasticamente reduzido.

Como se posiciona face ao aeroporto da Ota? Tenho muita dificuldade em concordar. Só com uma fundamentação muito apurada e independente, uma análise dos custos e benefícios e tendo em devida consideração todas as infra-estruturas alternativas existentes. Estas deviam ser objecto de auditoria às suas taxas de utilização. Por exemplo, qual é a taxa de utilização efectiva do aeroporto do Porto, de Faro ou de Beja? Qual é a taxa de utilização dos caminhos de ferro e autoestradas que sejam alternativas a voos curtos?

Essa posição não é a sua costela regionalista a falar? Estou a tentar que não seja. O que acontece é que se vai concentrar mais recursos, mais infra-estruturas e mais movimentos económicos num raio de 50 quilómetros da capital. E vai-se provavelmente baixar a utilização de outras infra-estruturas que já existem.

Para o Governo é uma forma de aumentar o emprego e dinamizar um pouco a economia. Desculpe, recorde-se que numa economia os recursos são escassos, sejam eles privados ou públicos. Se os utiliza na Ota não os utiliza noutro lado. E não cria emprego porque vai transferir parte do emprego da Portela para a Ota. Além disso, o novo aeroporto terá tecnologias avançadas que são dispensadoras de trabalho. A criação de emprego será só na fase de construção, que durará uns anos largos. Mas, atenção, grande parte desse emprego é de imigrantes. E grande parte dos equipamentos é importada.

Se não é pela via do investimento público, como é que se criam empregos em Portugal? O investimento público pode, e deve, ser feito na manutenção das infra-estruturas que temos? Olhe, costumo dizer: Entre-os-Rios nunca mais, foi falha de investimento público na manutenção. As infra-estruturas precisam de grandes manutenções de anos em anos. Se fizer um inventário das infra-estruturas em Portugal em falha de investimento público vai ter uns números grandiosos. A manutenção implica alguma despesa corrente todos os anos. O mercado de emprego dinamiza-se com a iniciativa privada. Esta precisa de competitividade e a competitividade depende de vários factores. Um deles, muito importante, é o euro, que é demasiado forte. E no euro os portugueses não mandam.

Devíamos sair do euro? Não, já lá estamos? Não devíamos era ter entrado precocemente. Disse isso em 1992 e em 1997 voltei a dizer que o PEC não era adequado a Portugal. O euro forte, conjugado com o momento histórico da globalização e do comércio livre, é tremendo para a nossa estrutura produtiva. A Europa está de portas escancaradas. Temos enorme dificuldade em competir com produtos de origem asiática ou dos novos países do alargamento da União Europeia. Nesta fase tremenda, ao menos que os políticos façam o que está ao seu alcance.

Que é? Diminuam, quase como se fosse por vasos comunicantes, por um lado as receitas fiscais e, por outro, as despesas correntes primárias, ambas em percentagem do PIB. Ao fazer isso, alivia-se a burocracia e os impostos. É preciso alguém pegar nisto.

Porque é que ninguém o faz? Não sei. Ou melhor, sei, é inércia. Que diabo, isto de estar a dizer ao senhor director-geral: vamos reduzir para metade a sua repartição; ao senhor presidente de um instituto público: vamos tirar estas dotações orçamentais e dispensar estas pessoas? é muito difícil. Mas Portugal está a chegar a um momento em que isto se vai tornar incontornável.

Onde diria à iniciativa privada para investir? Não digo nada, porque os empresários sabem isso melhor do que qualquer político, qualquer economista, qualquer tecnocrata. Fala-se muito em modelo de desenvolvimento para Portugal. Isso é treta. O modelo está mais do que definido. É uma economia aberta, sujeita a concorrência internacional, integrada numa união monetária. O Estado deve abster-se de intervir salvo em funções sociais, de soberania e em algumas funções de regulação, onde incluo a adequação a cada ciclo económico ou de conjuntura, que é a política de estabilização, anticíclica. Incluo também as políticas de regulação da concorrência. Mas dizer que o modelo de desenvolvimento português está esgotado é uma expressão vazia tecnicamente, com todo o respeito por quem a usa.

O Governo deve contribuir para manter os centros de decisão em Portugal? É uma cruzada difícil de explicar. Faz-se valer caso a caso e em silêncio, através de uma intervenção que publicamente não é notada. Dizer a uma empresa estrangeira que é persona non grata, pode ser bastante para moderar os seus ímpetos. É muito difícil actuar aqui. Houve erros irreversíveis que se cometeram nas privatizações dos últimos dez anos, e que levaram os centros de decisão para fora do País. Desde dispensa de procedimentos obrigatórios de mercado até à má configuração de certas operações.

A regionalização é um factor essencial das reformas que propõe? No livro digo que a descentralização política, incluindo a regionalização, poderia ser o melhor caminho para o Estado se auto-reformar, autoconter, autodisciplinar. Logo, diminuir o seu peso. Considero que é o melhor caminho e provo-o

E temos líderes regionais fortes? Mais uma vez é a questão do ovo e da galinha. Não temos líderes regionais fortes porque não há regionalização. Se houver regionalização não acha que aparecem líderes? Os Açores e a Madeira não são exemplo disso? Independentemente de achar bem isto ou aquilo, há ou não há líderes fortes na Madeira e nos Açores? E em Espanha? O líder de Castela e Leão, que é uma região relativamente pobre mas é a maior geograficamente, foi a Primeiro-Ministro: José Maria Aznar. Isto não acontece em Portugal porque não há regionalização. As comissões de coordenação não são regionalização.

Mas olha-se as autarquias e os seus líderes. Há níveis de corrupção assustadores? Bem, limitem o número de mandatos e aumentem o grau de controlo financeiro e orçamental, que actualmente não é suficiente. Aí não é a descentralização política nas autarquias que está em causa, mas sim o sistema. Isto é, controlem, investiguem e punam. Quando falo de regionalização falo de reforço dos controlos centrais, com inspecções, com um tribunal de contas muito mais forte, com um enquadramento financeiro muito mais exigente. Depois, os políticos regionais podem fazer dois mandatos, no máximo. É uma questão a ponderar.

Algum dia se viu como líder regional? Francamente não [risos] Defendo a regionalização pela ideia e pelo que sinto. Do ponto de vista racional, a ideia de regionalização é muito defensável para Portugal. Olhe, ninguém me tira do Porto. Costumo dizer que sou um resistente do Porto. E do ponto de vista profissional e político já tive muitas sereias, se quiser, mas evitei sempre sair do Porto.

copy+paste do Galo Verde

As coisas no seu lugar...


No campeonato passado, em que os lampiões foram escandalosamente levados ao colo até ao injusto e falseado título, o jornal do regime, o pravda do desporto português, nunca manifestou qualquer desconforto pela bandalheira; este ano, porque a miséria do seu protegido é enorme, lá começamos a ver os títulos do género: "Dragão protegido pelos Deuses e pelo árbitro", da mesma forma que já apresentam estudos que "provam" que os vermelhos têm sido muito prejudicados, curiosamente por aqueles que na época transacta os ajudaram à descarada... Miserável jornalismo!

A remoção dos crucifixos


O governo actual continua a sua demanda por acabar com os símbolos do passado português em todo o território nacional.
Cuidam "eles" que o problema da educação fica desta forma resolvida resolvido...
Desta vez são os crucifixos nas escolas públicas a que todos nos habituamos a respeitar assim como a respeitar a deus e à santa madre igreja.
É uma verdeira cruzada comunista contra os símbolos do Portugal cristão, fazendo uma divisão onde ela nunca existiu.
Assim, ficamos a aguardar a abolição dos retratos do Presidente da República e Primeiro Ministro das Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, esses sim estão a mais num local público onde nem todos os cidadãos se identificam com os retratados.
Da mesma forma o governo do impagável Sócrates também vai ter de alterar a bandeira de Portugal e retirar os 5 pontos de dentro das quinas, pois representam a 5 chagas de Cristo mais os trinta dinheiros com que Judas traiu Cristo. Das duas uma: estes rapazolas ou são laicos e distraídos ou são laicos e burros, pois nem sequer conhecem o significado da bandeira que deviam servir. Por mim, inclino-me mais para a segunda hipótese...

Freddie Mercury

Em 24 de Novembro de 1991 morria Freddie Mercury.
Se fosse vivo, Freddie Mercury teria celebrado o seu 58º aniversário no passado dia 5 de Setembro. O líder dos Queen morreu há quase 13 anos, vítima do vírus da SIDA. Por muito estranho que possa parecer, o verdadeiro nome de Freddie Mercury era Farokh Bommi Bulsara. Nasceu no dia 5 de Setembro de 1946 em Zanzibar, que, actualmente, faz parte da Tanzânia. Os seus pais eram de origem persa e por isso Freddie Mercury cresceu a ouvir música indiana mas também gostava dos sons mais ocidentais. Em 1954, e devido a questões de origem política, os pais de Freddie tiveram de abandonar Zanzibar e partem para Inglaterra. Tinha na altura 17 anos. Dois anos mais tarde ingressa no Ealing Colegge of Art onde inicia o curso de Ilustração Gráfica. É nesse curso que Freddie Mercury conhece Tim Staffell, um jovem baixista que o convida para acompanhar os ensaios da sua banda denominada Smile. Este seria apenas um dos projectos musicais nos quais Mercury viria a participar. Até ao surgimento dos Queen, o cantor esteve envolvido com bandas como os Sour Milky Sea, The Hectics e os Wreckage, entre outros.
A época Queen

Os Queen surgem em 1970 com a reformulação dos Smile. Brian May, John Deacon, Roger Taylor e Freddie Mercury davam assim início a uma das maiores bandas de todos os tempos. O êxito dos Queen já é por todos conhecido. Ao longo de mais de 20 anos, a banda liderada por Mercury editou temas que se tornaram hinos da música rock. "Bohemian Rhapsody"; "We Are the Champions"; "I Want to Break Free"; "Show Must Go On" e "Somebody to Love" são apenas alguns deles.

Freddie Mercury a solo

Além do seu trabalho com os Queen, Freddie Mercury editou ainda alguns discos a solo. Mr. Bad Guy em 1985 e Barcelona em 1988 provaram que, de facto, Freddie Mercury era, talvez, o grande génio por detrás do sucesso dos Queen. O álbum Barcelona incluía o dueto com a cantora lírica Monserrat Caballé, no registo com o mesmo nome e que se tornou no tema oficial dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

A morte de Freddie

Mercury Freddie Mercury morreu no dia 24 de Novembro de 1991. Faleceu na sua casa, em Londres, um dia depois de ter comunicado à imprensa que era seropositivo. O seu estado de saúde já estava de tal forma debilitado que se tornava difícil escondê-lo e já eram muitas as especulações por parte da imprensa. Por isso, Freddie Mercury falou sobre a sua doença e pediu para que fosse editado um single com os temas "Those are the Days of our Lives" e "Bohemian Rhapsody" cujos lucros das vendas deveriam reverter para instituições empenhadas na luta contra a SIDA.

As homenagens a Freddie Mercury

Foi na cidade de Montreaux, na Suíça, que Freddie Mercury passou grande parte do tempo daqueles que seriam os últimos meses da sua vida. Debilitado e fragilizado, foi ali que o vocalista dos Queen encontrou um espaço discreto e reservado para conseguir evitar que a imprensa explorasse a sua doença. É por isto, e por tudo o que Freddie Mercury representa para a música, que lá existe uma estátua do cantor, situada nas margens do lago Geneva.Em Abril de 92, poucos meses após a sua morte, vários artistas e grupos juntaram-se num concerto memorável em homenagem a Mercury. David Bowie, George Michael, Metallica, Elton John e Guns N'Roses, entre muitos outros, subiram ao palco para interpretar temas dos Queen e celebrar a vida eterna de Freddie Mercury.
Retirado do site História da música.

Mundo: O rosto da Globalização


Qual é o rosto de Londres, Nova York ou Paris? Como é que um habitante destas cidades pode ser distinguido? Haverá algum traço que nos permita identifica-lo?
"The Face of Tomorrow" é um ensaio fotográfico que tenta identificar os aspectos da identidade globalizada. As grandes Metrópoles são como pólos magnéticos para imigrantes de todo o planeta. Pessoas que de alguma forma tentam encontrar uma melhor qualidade de vida, uma perspectiva de prosperidade para si ou para os seus descendentes. O efeito mais óbvio que observamos é a diversidade racial e social que, com algum critério, se mistura e desvanece os seus traços particulares, criando massas generalistas. Vejamos por exemplo a a mistura de indivíduos de raça branca com raça negra, com o resultado do crescimento de indivíduos com um traço mulato.
Se observarmos uma determinada região durante um período de poucos anos, talvez não cheguemos a nenhuma conclusão e/ou característica. Mas ponhamos a hipótese que essa tendência, essa mistura, se prolonga por uma centena de anos. Haverá de facto um traço comum a uma metrópole? Este ensaio, através da mistura de fotografias dos habitantes de uma grande metrópole, tenta encontrar esse traço que criará uma face comum. Sob efeito da sugestão, ou não, quando olhei para o rosto da metrópole que mais conheço, Porto, foi absolutamente óbvio para mim que aquela era uma cara muito familiar.
Vale apena uma visita ao site The Face of Tomorrow .

Para rir (II)

Fantastique

O empresário do circo recebeu um homem que dizia ter um número fantástico!
O homem trazia um cãozito que pôs diante do piano e que imediatamente se pôs a tocar um trecho clássico. Como se não bastasse, tirou de uma gaiola um papagaio que começou a cantar, numa bela voz de barítono, o trecho tocado pelo cão.
O empresário rendeu-se:
- Maravilhoso! Colossal!
- E ainda o senhor não sabe o resto, responde o homem. O papagaio não sabe cantar: o cachorro é que é ventríloquo...

Para rir (I)


Hello I'm legally Blond.....
Uma loira entra numa loja de cortinados...
- Boa tarde, queria uns cortinados para o monitor do meu computador, se faz favor..
A vendedora:
- HELLOO! os computadores não precisam de cortinados..!!!
A loira:
- HELLOO! eu tenho "Windows"!!!

O choque tecnológico

O choque tecnológico proposto pelo Governo vai obrigar a que as iluminações de Natal sejam substituídas por Gif’s animados, em todas as cidades do país.

Redasão, perdão, Redacção

O mano
Quando eu tiver um mano, vai-se chamar Herrare porque Herrare é o mano.
Eu vou gostar muito do meu mano.
Fim.

PARABENS!!!!!!!!!!!!!!!


Desejo-te as maiores felicidades e que tenhas um dia excelente!!
Parabens INÊS !!
Beijocas grandes!!

Descubra as diferenças

"O Miguel Rolha"


"Se há político que nos últimos anos tem sabido gerir como ninguém a sua imagem pública e uma insólita reputação de competência técnica e profissional, ele é Miguel Cadilhe. Há muito que Cadilhe sabe que para dar nas vistas não há nada melhor do que, num primeiro momento, fazer-se associar a um partido político, para logo depois o criticar em ocasiões cuidadosamente estudadas.
Isso, Miguel Cadilhe sabe-o bem, tem uma tripla vantagem:
- Desde logo, e do ponto de vista pessoal, cola-lhe uma reputação de independência intelectual, e de que põe os princípios à frente dos meros interesses político-partidários;
- Depois, fica bem visto no seu próprio partido, que assim pode exibir em público um militante de destaque que é intelectualmente independente e que, quando um dia resolver elogiar o partido, poderá fazê-lo sob essa reputação;
- Finalmente, fica bem visto nos restantes partidos, principalmente se algum deles estiver no Governo, que assim se pode aproveitar politicamente de uma crítica aos oponentes, e que desde logo goza de uma presunção de seriedade e acerto. Pois não vem ela do interior do próprio adversário?
Ganha sempre e sai sempre bem visto perante todos!
Mas o que melhor Cadilhe sabe fazer é, sem dúvida, escolher o momento certo para «atacar».
Por exemplo, lembro-me que em Dezembro passado e, já após a dissolução da Assembleia da República, quando as sondagens indicavam unanimemente uma larga vantagem do PS nas eleições que se aproximavam, Cadilhe veio a público manifestar-se «insatisfeito com o país que tem para apresentar aos investidores» e tecer duras críticas ao Governo cessante. E, numa altura em que se adivinhava já que o Primeiro-ministro que sairia das eleições de Fevereiro seria José Sócrates, Miguel Cadilhe deu-se mesmo ao luxo de vir elogiar... a co-incineração...
Escassos dois meses depois, Cadilhe não se coibiu de se insinuar a Santana Lopes, fazendo-o cair infantilmente na esparrela de vir a público indicar o seu nome como seu próximo ministro das Finanças, se viesse a ganhar as eleições que toda a gente sabia que iria perder. Uma vez mais uma fabulosa gestão de Cadilhe da sua imagem política, agora com um compromisso de lealdade partidária que sabia que não ia ter de cumprir, mas que acabou por fazer com que o seu nome fosse novamente sinónimo de «trunfo político».
Há poucas semanas, Miguel Cadilhe declarou numa conferência que a solução para o problema do défice seria o Governo vender... as reservas de ouro.Claro que Cadilhe bem sabe que nem a venda das reservas de ouro significaria a resolução do défice, nem o Governo iria levar a cabo uma medida tão suicidária quanto inútil. Mas uma vez mais os seus objectivos foram cumpridos: falou-se dele nos jornais e nos telejornais e novamente como alguém «que não tem papas na língua» (o que é sempre alguma coisa que o grande público aprecia), mesmo que seja só para dizer barbaridades.
Mas a última de Miguel Cadilhe é, de facto, a mais notável:
Num texto que, como seria de esperar, mereceu honras de primeira página do «Expresso», Miguel Cadilhe veio agora «informar» o país que afinal é o próprio Cavaco Silva quem é «o pai do monstro», esquecendo-se de que foi seu ministro das Finanças e acusando-o de ser o responsável pelo actual Sistema Retributivo da Função Pública, que representa hoje 15% do PIB.
Cá temos a táctica do costume, num «timing» que não poderia ser mais apropriado:
- Cavaco lidera todas as sondagens para as eleições presidenciais;- A esquerda parece não encontrar ninguém que consiga contrariar essa tendência;
- E Cadilhe está a escassos meses de acabar o seu mandato como presidente do Conselho de Administração da A.P.I. (Agência Portuguesa para o Investimento)...
E assim Miguel Cadilhe vem vindo flutuando ao longo dos anos na política portuguesa, vogando calmamente ao sabor dos ventos que vão soprando em cada momento.
E, por incrível que pareça, essa mesma imagem de independência política e de enorme competência técnica tem-no mesmo acompanhado ao longo da sua presidência da A.P.I., por muito insólito, e até absurdo, que achem todos os que com ele lidam de perto.
Mas talvez só enquanto não houver quem finalmente investigue o que a A.P.I. tem, afinal, significado verdadeiramente para o investimento em Portugal, ou enquanto não houver alguém que se disponha a revelar que a maior percentagem da actividade que essa Agência de Investimentos desenvolveu nos últimos anos resulta de investimentos... nela própria... "
Luis Grave Rodrigues no Random Precision.

George Best


O fim da existência do melhor jogador britânico de sempre, George Best, foi uma autêntica crónica de uma morte anunciada. Há já algum tempo que a sua condição física se aproximara, irreversivelmente, do fim. Hoje, terminou.
George Best foi uma personagem "larger than life". Em tudo o que fez, dos vícios à prática do futebol, foi sempre excessivo. Dizia ele que gastara muito dinheiro em mulheres e bebida; o resto, desperdiçara-o... Este estilo de vida, hedonista, valeu-lhe o epíteto de "quinto Beatle". Foi uma personagem trágica que evoca, a nós, portugueses, outras, como a de Vítor Baptista.
É o que acontece sempre quando as luzes da ribalta ofuscam qualquer racionalização.
Não foi o primeiro, nem será o último.
Mas, para nós, portistas, 'Georgie' será também lembrado por ser o responsável por um par de gloriosos momentos: as duas abadas, lendárias, que o Benfica levou. A primeira, em 1966, no Estádio da Luz, em que foram presenteados por 1-5. Pode ler-se o relato do acontecimento aqui, nas palavras do próprio Best, que aos 10 minutos já tinha marcado dois golos... Um jogo que marca o nascimento da sua lenda. Depois, em 1968, em pleno Estádio de Wembley, perante o Manchester United (na imagem), na final da Taça dos Campeões Europeus, num jogo que os ingleses recordam como "histórico" e em que os lampiões foram despachados por 4-1. Obrigado, "Georgie" e boa viagem...

Porto: Olhares cruzados sobre as elites do Porto II


Como referi aqui, foi de todo impossível conseguir assistir à conferência/debate subordinada ao tema "Onde Estão as Elites do Grande Porto?", realizada no âmbito do ciclo Olhares Cruzados sobre o Porto, promovido pelo Público e pela Universidade Católica, em 22 de Novembro.
Felizmente, o mesmo diário apresentou, na edição Local Porto, o texto da intervenção inicial de António Barreto e que pode ser lido, na íntegra,
aqui. Excertos:

Por que razão tantas vezes nos interrogamos sobre as elites do Porto, ou do Norte? Não será estranha esta obsessão com a identidade do Norte, o peso do Norte, a existência ou não de elites no Norte? Fazer-se esta pergunta não será já confessar que alguma coisa está errada?
A meu ver, esta obsessão tem razão de ser. Na verdade, ao Norte e ao Porto faltam algumas coisas. Não as elites, mas um papel para essas elites. E falta um factor aglutinante. Em poucas palavras, falta poder político, ou representação aceite dos interesses e das realidades locais e regionais.
(...)
O Porto e o Norte têm tudo o que seria necessário para fundar um protagonismo de carácter e de que as populações aproveitariam. Têm dimensão, riqueza, produção económica, emprego, tradições, empresas, património histórico e cultural, ciência, escolas, técnicos e relações comerciais com o mundo suficientes para sustentar uma personalidade citadina que ultrapasse a região.
Têm, mas nem sempre parece que os portuenses ou as gentes do Norte utilizem esses meios e instrumentos. Dentro do Norte e do Porto, há mais rivalidades do que cooperação, mais adversários do que cooperantes.
(...)
Parece que os melhores, os mais atentos, os mais empenhados acabam por pensar que o seu contributo deve ser sempre canalizado pelo poder central. Por isso é fácil vermos membros da elite portuense cooperar com o poder central e é difícil vermos os mesmos cooperar entre si pela cidade e pela comunidade do Norte
.

Tive imensa pena de não estar presente, mas este texto de António Barreto é, como habitualmente, lúcido e preciso. Na verdade, a história das "elites do Porto" surge não como acção ou como reacção, mas antes como afirmação. Só que continua a haver Lisboa, qual Nemesis, e este é e sempre será o problema da cidade. O Porto tinha muito mais a ganhar se olhasse para o que está à sua volta e, especialmente, o que tem a Norte, do que estar preocupado com o que pensam, o que fazem e o que dizem os que estão a 300km a sul.
Não me canso de dizer que a Galiza merece bem mais atenção do que Lisboa. Esta que continue a ser capital e que o fosso que a separa do resto do país continue a crescer. A partir de certa altura, o problema não será o país que está atrasado, mas Lisboa que está demasiadamente adiantada. E ficará isolada.
O Porto e o Norte merecem melhor sorte e não precisam de nada, nem de ninguém, para se afirmarem com a identidade que sempre reivindicaram e com a independência moral e intelectual que sempre os distinguiu. O problema da eterna comparação com a irmã mais rica e mais cosmopolita deverá ser aceite como uma evidência. O sucesso de uma instituição como o FC Porto é um excepção que confirma a regra. Lisboa é maior, tem mais poder, tem mais gente, tem mais instiotuições e goza, em termos genéricos, de uma melhor qualidade de vida. Mas isso não a faz melhor nem pior do que o Porto, apenas diferente. Assim, esta "mui nobre, invicta e sempre leal cidade" só tem de se segurar àquilo que tem de mais rico: a sua personalidade.
Para isso faltará, sem qualquer dúvida, mais poder. Não será preciso uma qualquer regionalização, mas uma melhor articulação dos poderes. Não passa pela cabeça de ninguém que a localização de uma mísera saída de um túnel na cidade seja assunto nos corredores de um Ministério em Lisboa! Como também não pode acontecer que, para se discutir um assunto judicial passado num porto de mar do Norte se tenha de ir a Lisboa, ao Tribunal Marítimo. Há serviços, instituições e departamentos do Estado que podem perfeitamente ser descentralizados e isso aumentaria, e de que maneira, a produtividade das empresas e a satisfação das necessidades dos particulares.
Neste contexto, o papel da elites deverá ser reivindicativo. Mas, uma vez obtido este objectivo, elas poderão, então, avançar para o seu papel natural: o de serem formadoras. A elite como génese de novos elementos, individuais ou colectivos, proporcionará à cidade e à região uma maior visibilidade e, fechando o círculo, um maior poder reivindicativo. As elites enquanto porto de abrigo, mas, também, enquanto motor de uma região. É que, actualmente, o que elas fazem é viajar até Lisboa, em troca de favores. Como refere António Barreto, "os melhores, os mais atentos, os mais empenhados acabam por pensar que o seu contributo deve ser sempre canalizado pelo poder central". Ora, isto tem de acabar. Não por um orgulho bacôco, mas por genuíno brio e por uma extraordinária confiança nas próprias capacidades.

(copy+paste do Vilacondense)




Porto: Aliados

"ACABOU. Já não há jardins!"
Fazendo eco da justa indignação expressa nos "ALIADOS"

Filhos da P...OTA

Mais uma opinião sobre a faraónica obra do aeroporto da OTA, desta vez no Velho da Montanha:

"Em primeiro lugar, se é que isso serve de indicador, tenho corrido Portugal de lés-a-lés e ainda não encontrei ninguém, mas mesmo ninguém, a quem o projecto agradasse.
Depois, este Governo, pela pessoa sebosa de Mário Lino, tem-nos enfiado pela goela abaixo uma série de estudos, nos quais são omitidas questões da maior importância. Ao que nos dizem, a obra vai ser financiada por privados, mas de que forma estes privados se vão resarcir do investimento? Irão fazer uma obra de caridade? Mesmo que assim fosse, este novo aeroporto terá de ter acessos dedicados, os quais têm altíssimos custos que inevitávelmente vão sair de vários OGE’s. Qual a perda de competitividade de Lisboa em relação a outras cidades Ibéricas? Como irá ser afectado o Aeroporto Sá Carneiro após a sua faustosa remodelação? Quem irá pagar os 400 milhões de Euros para a expansão – ao que parece inútil – da Portela? E já agora, para quê investir numa linha de Metro para o actual Aeroporto? Será para servir “à priori” as futuras urbanizações previsivelmente programadas para os terrenos da Portela?
"

Gripe das Aves afecta Aviação Comercial


Este é o primeiro caso de um estranho sindroma detectado há um mês,na Aviação comercial!
Foi registado em Heathrow/Londres.



Não se sabe ainda se é muito contagioso ou se vai estender-se aos outros ramos da aeronáutica...

A prova do aquecimento global

Está tudo de tanga; eis a prova:

Cerveja


Se gosta de wallpapers e de cerveja
aqui tem uma colecção de wallpapers com dezenas e dezenas de marcas distribuídas por países. E se a sua cerveja preferida até é a Superbock...

Ode

My love, my sweet, my honey
I would trade you not for money
You are my heart’s desire
For ‘ere my burning fire
Of love and joy and happiness
And fun and silly sappiness
My one and only sweetie-pea
Love, you are the one for me

Para rir


Um belo lar ....

A família comia tranquilamente quando, inesperadamente, a filha de 10 anos se sai com esta:
- Tenho uma má notícia... Deixei de ser virgem!
E começa a chorar, visivelmente abatida, com as mãos no rosto e um ar de vergonha.
Um silêncio sepulcral.
E os pais começam a trocar acusações mútuas:

- Tu, sua filha da puta! (marido dirigindo-se à esposa).
- Isto é por tu seres como és! Fodes com o primeiro imbecil que chega aqui em casa. Claro, comeste exemplo que a menina vê todos os dias...

- E tu também!!!(apontando para a filha de 25 anos)
- Sempre agarrada no sofá a lamber aquele filho da puta do teu namorado que é mais gay que outra coisa. Tudo na frente da menina!

- E tu meu camelo? (diz a mulher)
- Gastas metade do salário com putas e despedes-te delas à porta de casa? Pensas que eu e a menina somos cegas?
- E além disto que exemplo é que lhe podes dar se, desde que assinaste a merda da TVcabo, passas todos os fins-de-semana a assistir a filmes porno de quinta categoria, com putas e cavalos e depois acabas por bater dezenas de punhetas com direito a todos os tipos de gemidos e grunhidos?

Desconsolada e à beira de um colapso, a mãe, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trémula pega ternamente na mão da filhinha e pergunta baixinho:
- Como foi que isso aconteceu, filhinha?
E entre soluços a menina responde:
- A professora tirou-me do presépio! E a virgem, agora, é a Ana, eu vou fazer de vaquinha!

Violência doméstica

Porto: Olhares cruzados sobre as elites do Porto

Ontem à noite, como já aqui o Carlos referiu, o auditório da Universidade Católica foi pequeno para acolher todos os que lá se deslocaram para verem e ouvirem António Barreto, Miguel Cadilhe e Artur Santos Silva. De todos os debates destes “Olhares”– e já lá vai a III série – não há memória de uma tão desmesurada afluência. Será sinal de que algo está a acontecer com o Porto e as suas elites? Há, sem dúvida, uma inquietude, que se demonstra na avidez de respostas por parte do público.
Foi, unânime o entendimento da existência de “pujantes” elites no Grande Porto, provindas dos mais amplos meios sociais, económicos, culturais, académicos e científicos. Igualmente partilhado diagnóstico de que estas elites estão orfãs de protagonismo nacional e, até, regional. Há, na verdade, um certo adormecimento por parte de todos os que deviam estar na vanguarda da sociedade e dos seus mais amplos sectores.
Todavia, para Barreto tal déficit de participação cívica radica numa demissão destas elites, problema que só a elas poderá ser assacado. Deverão, pois, encontrar dentro de si sinergias e movê-las para alcançarem o protagonismo que o Norte deseja e merece. Ora, para Cadilhe, tal facto tem a sua génese na falta de capacidade de liderança destas mesmas elites. A que acresce – e aqui introduziu o tema oficioso destes “Olhares” – a carência de um grau intermédio da Administração Pública que possa contribuir, como mote, para a organização destas elites, a Regionalização. Seria esta a alavanca para a sua emancipação. Diagnostica a falta de protagonismo das elites do Norte como exógeno. A centralização político-administrativa, isto é, a força centrípeta da capital, é a responsável pelo estado amorfo das nossas elites. Ora, para Barreto tal justificação pressupõe uma acto de “outorga” que não é aceitável. A alforria do Norte e das suas elites tem de nascer de dentro para fora e, assim, ser conquistado.
Foram ideias interessantes que se cruzaram, sobretudo duas visões à partida idênticas, mas, no fundo bem distintas, a que subjazem pressupostos diversos. Na perspectiva de Barreto adivinha-se o rigor dos princípios e a fidelidade a um entendimento puramente racional do tema, enquanto em Cadilhe denuncia-se a visão e a valorização dos atritos da realpolitik, e do status quo.
Ambos têm razão, e muito embora os argumentos tenham géneses distintas, complementam-se. Porque se muita da falta de protagonismo do Norte se deva à macrocefalia lisboeta e à cartilha dos sucessivos inquilinos de São Bento, parte não pode deixar de radicar na inércia e na falta de voluntarismo das próprias elites. Falta, sem dúvida, liderança, o que muito facilitaria a capacidade de autodeterminação e auto-organização. Mas num estado que padece de uma hipertrofia da sua Administração Central, sempre omnipresente, e onde as elites da capital são a Corte dum Estado adiposo, é igualmente difícil às forças da sociedade civil - independentes e afastadas do Estado centralizador - fazerem o seu caminho. E não nos podemos alhear que na nossa História, as grandes empresas, mesmo os Descobrimentos, foram sempre protagonizadas pelo Estado. E que a III República, surgiu da queda de um regime onde a centralização estatista alcançou o seu radical, ao estar monopolizada por um homem só.
Foi uma reflexão oportuna e acutilante. A consciencialização destas menos-valias, poderá contribuir, como um primeiro passo, para que as elites do Norte possam reganhar peso e serem altamente “subversivas” ao conquistarem o seu próprio espaço no quadro nacional e europeu. Para tanto haja vontade!

(copy+paste do Nortadas)

Rookie

Até 3 de Dezembro, está a decorrer a votação para eleição do " rookie of the year nos Autosport awards", (é a maior e mais prestigiante publicação no mundo automóvel)

Este título é muito importante e prestigiante para o Tiago e para Portugal.

Porque o Tiago Monteiro o merece e deixaria todos os Portugueses orgulhosos, participem na votação através deste link:
( basta carregar neste link e escrever o vosso email )

Porto: As Escolas do Centro do Porto


A semana que passou deixou-nos uma boa notícia (ao menos uma!): a DREN não tenciona encerrar nenhuma escola na cidade do Porto. Isto significa que o Carolina Michaelis e o Rodrigues de Freitas podem, para já, respirar de alívio. Esta decisão, contudo, não parece se limitar à manutenção da abertura dos estabelecimentos, já que a DREN e as próprias escolas manifestam hoje uma atitude muito mais proactiva e positiva. Em vez de ficarem a olhar para a maré demográfica que de tão vazia ameaça secar as escolas do centro, propõem-se a captar alunos das escolas sobrelotadas da periferia tirando partido das facilidades de transporte geradas pela presença da linha de Metro Trindade-Sª da Hora, numa lógica de racionalização dos meios (físicos e humanos: para quê ter turmas com 30 alunos se a 15 minutos de distância existem duas escolas históricas, uma delas centenária, com turmas de 20 ou menos?).
Seguindo a mesma lógica, a DREN prevê ainda a possibilidade de os espaços entretanto “devolutos” serem ocupados por serviços públicos. Parece-me uma boa ideia e até nem é nova: na Homem Cristo de Aveiro funcionou dentro das suas instalações a tesouraria municipal. O que não falta por essa cidade são serviços e colectividades carenciadas de espaços para exercerem as suas actividades: se os edifícios das escolas têm espaço livre, não vejo porque não hão-de albergar esses serviços e colectividades. Aliás, talvez tivéssemos aí uma oportunidade rara de desenvolver projectos educativos intimamente entrusados com a sociedade civil (ex: se uma universidade da 3ª idade utilizar as instalações de uma escola, porque motivo não hão-de os alunos dessa mesma escola colaborar de perto nesse tipo de projecto? Se um serviço público instalar um centro numa escola porque motivo não hão-de colaborar no processo de formação dos alunos e restante comunidade escolar através de estágios integrados na própria escola ou de acções de formação?).
A Rodrigues de Freitas, a par do Carolina Michaelis e da Alexandre Herculano (magnífico projecto de Marques da Silva!), são, por si só elementos de valorização urbana e cultural. O seu património é impressionante. Passo a citar o Público de 16 de Novembro: «A Escola Secundária Rodrigues de Freitas está satisfeita com as boas notícias, não só da sobrevivência do estabelecimento de ensino, mas também das obras anunciadas. O edfiício é grande, mas há muito tempo já que não sofre qualquer intervenção. Há, por exemplo, uma piscina no espaço, mas está fechada. Apesar destes problemas, a escola tem aumentado a visibilidade das sucessivas iniciativas que organiza. Esta semana realiza-se na Biblioteca Jaime Cortesão, no último andar do edificio, uma série de conferências no âmbito de Novembro, o mês da Ciência e Semana da Ciência e Tecnologia. Com objectos e livros distribuídos por várias salas, encontram-se pequenas relíquias naquele imóvel. A última máquina de cinema mudo do Carlos Alberto, só para exemplifiear. Ou um herbário de 1870.» A Alexandre Herculano também é dotada de instalações muitos interessantes que poderiam e deveriam procuram uma maior exposição pública. A SRU PortoVivo no seu «Masterplan» («Contrato de Cidade», insisto eu!) dá alguma relevância (mas não a suficiente) ao parque escolar. Ora, não há reabilitação possível sem equipamentos-âncora de prestígio, como são estas (e outras) escolas. A SRU pode ajudar a criar aqui centros de ensino de excelência. Começando por colaborar na sua reabilitação física e da sua valorização histórica, museológica e cultural. Só quem nunca entrou no Alexandre Herculano, por exemplo, é que não percebe a verdadeira pérola que ali se encontra! Mas pode e deve ser ambiciosa: a reabilitação do centro histórico é uma lição prática de história, geografia, economia, sociologia, etc... Será que as escolas e a SRU vão deixar escapar esta oportunidade única de educar gerações novas para uma nova cidade?

PS1: Dizia Rui Rio, antes das eleições, que se «eles» (o ministério da educação) fossem inteligentes deveriam encerrar as escolas que não têm alunos. Na altura chamei a atenção para este peculiar facto de termos um presidente da Câmara que exige o encerramento de escolas no seu próprio concelho. Afinal existem outras soluções. Ainda bem que não foram «inteligentes».

PS2: O não encerramento do Carolina Michaelis pode ser uma pedra no sapato de Rui Rio: como resolver agora o problema da localização do Conservatório? Creio que, infelizmente, a solução não consta nos próximos episódios desta telenovela...


(copy+paste d'A Baixa do Porto)

Perdemos para a Catalunha...

Um júri internacional nomeado pela UNESCO decidiu hoje não considerar a candidatura conjunta apresentada por Portugal e Espanha para que a tradição oral galaico-portuguesa seja reconhecida como Património Imaterial da Humanidade. (Para saber mais consultar aqui: http://www.opatrimonio.org/pt/principal.asp)
Preferiram escolher uma qualquer festa da Catalunha...


Publico aqui o Manifesto de apoio à Candidatura de património Imaterial Galego-Português:


UM PATRIMÓNIO PARA O FUTURO !
O ponto mais avançado da Europa, o Noroeste da Península Ibérica, onde os suevos estabeleceram o primeiro reino, dentro do Império Romano, foi sempre um lugar densamente povoado. Com anterioridade, aqui floresceu uma cultura céltica, a cultura dos castros. É um fim do mundo, onde chegaram sucessivas vagas de povos que, uma vez aqui, aqui ficavam, pois não podiam continuar para além do mar, aquele mar onde morria o sol, todas as tardes. É uma esquina da Europa que não é lugar de passagem, mas receptáculo em que se foram integrando elementos diversos, de forma continuada. A cultura deste lugar está marcada pela contradição entre a terra e o mar: o continente euro-asiático e o oceano Atlântico. Por terra chegaram sempre, desde o Oriente, vagas culturais, o bronze, o ferro, Roma, os suevos, o Sacro Império..., pelo mar também chegaram gregos e romanos mas, sobretudo, por ele viajaram e comerciaram os povoadores deste Noroeste peninsular.
O facto de ser um Finisterrae pouco comunicado, fez com que aqui durassem mais tempo os ciclos históricos, com que a História vivesse aqui, em câmara lenta. Em muitos sentidos, a cultura própria do Noroeste é uma síntese da civilização romana: as próprias falas desta zona estão, ainda, muito perto da sua origem romana, e também conserva, como num eco antropológico, as raízes do mundo germânico europeu que ergueu, no seu tempo, o mundo feudal e perdurou aqui, até aos nossos dias, como uma cosmovisão, na cultura popular. Foi a este Noroeste onde chegou, através do Caminho de Santiago, a torrente da cultura europeia, de Carlos Magno até à Reforma e à Contra-Reforma.
Aqui vemos que o mais especificamente nosso é, precisamente, a cultura europeia mais profunda. Aquilo que aqui ainda permanece conservado para além do seu tempo histórico é, para nós, parte também deste tempo actual que vivemos, adultos e crianças.
São, precisamente, as crianças o centro do projecto que apoiamos. O projecto pretende, antes de mais nada, desenvolver a estima pelo património cultural rico e complexo que herdámos e, também, estimular a curiosidade para o conhecimento dos vizinhos, para além das fronteiras. O respeito por nós próprios e o “re-conhecimento” dos outros.
E, com este propósito de educar gerações que sabem viver no seu tempo, sendo leais com o seu passado, queremos que o mundo inteiro, através da proclamação pela UNESCO como Obra-Mestra do Património Oral e Imaterial da Humanidade, reconheça AS TRADIÇÕES ORAIS GALEGO-PORTUGUESAS – uma rica literatura de tradição oral, a cultura marítima que manteve os vínculos entre ambas as comunidades, o espírito comunitário presente nas actividades agrárias tradicionais e as variadas expressões lúdicas, festivas e de lazer. Todos estes âmbitos englobam uma cultura comum que satisfaz as condições estabelecidas pela UNESCO: ser uma cultura ainda viva mas em perigo de desaparecimento e enraizada numa tradição com manifestações de excelência.Conseguir esta proclamação vai permitir a valorização da cultura tradicional, que aqui tem uma enorme densidade, como factor de dignificação, de orgulho e como marca de identidade. Terá efeitos positivos no desenvolvimento endógeno e sustentável de todo o território onde se manifesta esta cultura.Através desta proclamação, a cultura nascida neste território será motivo de orgulho, em todo o mundo para aquelas pessoas e para aqueles países que nela se revêem e a reconhecem como parte integrante da sua própria identidade.


ASINANTES DO MANIFESTO

Suso de Toro-Escritor galego (
1993 Prémio da Crítica Espanhola/1997 Prémio Blanco Amor/2000 Prémio da Crítica Espanhola).


José Saramago-Escritor português (
Premio Nobel de Literatura, 1998).


Mário Claudio-Escritor português (
Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores 1985/ Prémio Nacional de Ilustração 1996/ Prémio PEN Clube de Ficção 1997 / Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores 2001 /Prémio Pessoa 2004).


Nélida Piñón- Escritora brasileira (Prémio PEN Clube 1985 / Doutora honoris causa por varias universidades, como a de Poitiers (França), Montreal (Canadá) e Santiago de Compostela,Galiza (Espanha) / Prémio Príncipe de Asturias das Letras 2005 / Primeira mulher presidenta da Academia Brasileira das Letras. A sua obra reflecte a presença da cultura e do património galego-português no Brasil.


Vasco Graça Moura-Escritor português- (Prêmio Pessoa 1995 / Prêmio de Poesia do PEN Clube 1997 / Grande Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores 1999 / Medalha de Ouro da Cidade de Florença pelas suas traduções de Dante 1997 / Coroa de Ouro do Festival de Poesia de Struga (Macedônia 2004 / Membro efetivo da Académie Européenne de Poésie (Luxemburgo).


Manuel Rivas-Escritor galego (1990- Prémio da Crítica espanhola / 1994- Prémio da Crítica galega / 1996- Prémio Nacional de Narrativa).


Ramón Chao-Jornalista e escritor francês (nascido na Galiza ) - Cabaleiro das Artes e das Letras pelo governo de França em 1991.


Manu Chao-Artista francês ( de origem galega ) - O património imaterial galego-português está presente nalguma das suas composições.


Ignacio Ramonet-Profesor ( nascido na Galiza) - Director de Le Monde diplomatique, Doctor em Semiologia e em Historia da cultura por l’Ecole des Hautes Etudes en Sciences sociales (EHESS) Paris, Catedrático de teoria da comunicação, Universidade Denis-Diderot ( Paris-VII), Fundador e presidente da Organização não governamental ATTAC, Fundador e presidente da Organização não governamental MEDIA WATCH GLOBAL (Observatório internacional dos médios, promotor do FORO SOCIAL MUNDIAL de Porto Alegre.


Uxia- Artista galega - Importante trabalho musical sobre o património imaterial galego-português.


José Garcia-Actor francês ( de origem galega ) - Prémio Jean Gabin 2001 .


Manuel Dios Diz (professor) - Presidente do Seminario Galego de Educación pola Paz, Presidente da Fundación Cultura de Paz na Galiza


Federico Mayor Zaragoza - Ex director Xeral da UNESCO, Presidente da Fundación Cultura de Paz

A Ditadura Socialista

O governo andou durante meses a esconder os estudos e relatórios em que se baseava para a escolha do novo aeroporto. De repente apresenta dezenas de estudos ultrapassados e não conclusivos e ao mesmo tempo a decisão final: A OTA é irreversível!

Não foram ouvidas as entidades aeronáuticas, nem os agentes de turismo, não houve debate. Houve facto consumado e sem discussão. Ninguém debateu se a OTA é a localização ideal, ninguém estudou o impacto TGV versus OTA, ninguém estudou a saída para os Low-Costs, ninguém estudou a forma de financiamento, nem a forma de ressarcir esse capital (já se fala em mais de 30 anos!!).

Em vez disso, somos bombardeados com um chorrilhos de previsões e mentiras. A OTA ficava a 17 minutos, depois a 20 depois a 30 e já vai em 35 minutos. A criação de 28.000 postos de trabalho directos mais outros tantos indirectos é uma descarada mentira, para criar adesão ao desinformado e prometer baixar a maior taxa de desemprego verificada nos últimos 7 anos.

Se a Portela vai ser desactivada (outro erro crasso), os seus funcionários serão transferidos para a OTA e os novos postos de trabalho serão bem menos. Os postos indirectos é um autêntico mistério. Serão vendedores de lembranças aos turistas ou arrumadores de carros ?

Outra verdade escamoteada pelos ministros, e que aparece em todos os relatórios, é que a OTA não permite crescimento para além daquele que já está em projecto. Isto é, vamos fazer uma obra faraónica condenada a ficar obsoleta ao fim de 20/30 anos !

Os terrenos da Portela - esse bolo apetecido - já estão na mira do governo, à revelia da Câmara de Lisboa que é o legítivo responsável pelos terrenos.

E como se não bastasse andarmos a pagar a Ponte 25/Abril mais que paga, vamos agora pagar uma taxa na Portela (um novo imposto) para pagar um aeroporto que ainda não existe. Será que os operadores internacionais são tão mansos como o zé-portuga, e mantém as rotas para uma Lisboa mais cara ?

Carmona Rodrigues ainda falou em referendo à OTA. Que ingenuidade! Esqueceu-se que estamos numa ditadura onde esse referendo teria um resultado politicamente inconveniente para o governo. A política do "quero, posso e mando" está aí para afundar o país e fazer deste cantinho um inferno socialista. Segue-se a co-incireração, à força, sem discussão e nos locais em que o ditador entender.


(copy+paste d'O Galo Verde)

25 de novembro - II


Costa Gomes, essa eminência parda do regime revolucionário, mantinha em Outubro de 1975, conversas com Brejnev em Moscovo. Tinha lá ido pedir directivas, saber se o Comunismo apoiaria uma ditadura em Portugal, mas Brejnev não estava interessado em abrir uma nova frente na Guerra Fria por causa dum pequeno país. Restava a Costa Gomes comunicar ao grupo dos nove que o caminho era a Democracia e não o Comunismo receitado pelo PCP.

Comemoramos hoje 30 anos de liberdade. Foi graças ao que aconteceu nessa jornada já remota de 1975 que Portugal pôde consolidar-se como democracia representativa de modelo europeu ocidental, enquanto se ia gradualmente esbatendo a fórmula deprimente do "manicómio em autogestão" para que tínhamos resvalado e que nos caracterizava cá dentro e lá fora.Se o 25 de Abril de 1974 teve o seu "dia seguinte", isto é, o momento a partir do qual começaram a mobilizar-se muitos cidadãos que não queriam que Portugal, após a revolução da véspera, se transformasse numa "democracia popular" de inspiração soviética, o 25 de Novembro pôs termo à escalada revolucionária a que se vinha assistindo desde o 11 de Março e que se intensificara ao longo do Verão Quente de 1975.
[Vasco G.Moura]

Esta é a data em que Portugal finalmente se libertou das duas ditaduras: da salazarista e da comunista. Esta é a data em que ruíu definitivamente o plano de Álvaro Cunhal. Esta é a data em que se colocou pela primeira vez a necessidade de eleições livres.

(copy+paste d'O Galo Verde)

25 de novembro - I


Farto de aturar os desvarios e os desmandos dos capitalistas portugueses, o brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho, Comandante supremo do COPCON, o zeloso Comando Operacional do Continente e, também, Comandante da Região Militar de Lisboa, ordenou a prisão de uns tantos exploradores do bom povo trabalhador, na noite de 13 de Dezembro de 1974.
A medida compreendia-se e era sensata. Os detidos conspiravam contra a boa ordem revolucionária e, cobardemente, sabotavam a economia nacional. Eles que, donos de fábricas, bancos e empresas, invejosos e arrogantes, não eram capazes de tolerar as oportunidades criadas pela nova ordem estabelecida e pelo regime democrático e popular instaurado. Vai daí, antes que causasse mais mossa à economia nacional, o brigadeiro engavetou-os sem apelo nem agravo. E sem que lhes fosse dito porquê, obviamente. Ao tempo, a palavra de um revolucionário ainda tinha valor. E se Otelo dizia que aqueles verdugos queriam mal à economia, ao povo e à pátria, estava o assunto encerrado, encerrando os cavalheiros em lugar conveniente.
Uns dias mais tarde, passado já o Natal e o Ano Novo, em meados do primeiro mês do ano seguinte, o governo patriótico do coronel Gonçalves iniciou, paulatina e sensatamente, como era seu timbre e feitio, uma ordeira vaga de nacionalizações. Pois, se os grandes capitalistas conspiravam contra a economia nacional, o povo e a pátria, a pátria e o povo que lhes ficasse com os bancos, as seguradoras e as empresas em geral. Assim foi feito, a bem da Nação, com os notáveis resultados de que todos ainda hoje beneficiamos.
Nesse compasso de tempo e após a tentativa golpista do errático general Spínola, o general Costa Gomes ascendera à mais alta magistratura da Nação. Estávamos a 30 de Setembro de 1974 e o velho general do binóculo enredara-se num bizarro golpismo anti-democrático, que envolvia maiorias silenciosas, touradas e apupadelas públicas ao Sr. Primeiro-Ministro Gonçalves. Coisas que não se fazem, caem mal às nações civilizadas e não se podem tolerar. Vai daí, uns meses mais tarde, nos idos do 11 de Março de 75, novo golpe. O homem não se cansava de golpear deslealmente os seus camaradas de armas que, esgotada a tolerância, lhe deram guia de marcha e o deixaram abalar para Madrid.
Estava, pois, reposta a ordem democrática e o Estado de Direito: Costa Gomes, Presidente, Vasco Gonçalves, Primeiro-Ministro e Otelo, Grande Comandante. A Salvação Pública vinha a caminho pela mão deste fascinante Comité e, para Otelo, apreciador das boas tradições, deveria ter começo no Campo Pequeno.
Assim se reuniram, de forma expedita, as condições ideais para concretizar os três «D’s» de Abril: «Democratizar», «Descolonizar» e «Desenvolver». Este último fora cumprido com a prisão do grande capital e as nacionalizações. O primeiro, asseguradíssimo pelas ilustres autoridades do Estado. Faltava «Descolonizar». Foi do que se tratou, expeditamente também, a partir daí, com os resultados que todos conhecemos. Libertado Moçambique em 25 de Junho de 75, resolvida a Guiné em 10 de Setembro, restava Angola, tornada independente dois meses depois, a 11 de Novembro.
A partir de então, misteriosamente, o empenho pessoal do Dr. Álvaro Cunhal pelo rectângulo pareceu ter esmorecido. Ainda tolerou o cerco da «Constituinte» em 12 de Novembro, onde, de resto, os senhores deputados da sua bancada tiveram um comportamento democraticamente exemplar, mas já não era a mesma coisa. Os ventos da história sopravam mais suaves. O Dr. Cunhal não estava, de facto, fadado para apparatchik regional do Império Soviético. Ele fora um dos mais fiéis intérpretes e executores do internacionalismo proletário e, um dia, o seu mérito seria reconhecido na fraternidade universal que o Grande Império instauraria na Ásia, na Europa, em África e na América. A Oceânia, onde há mais cangurus que operários, podia esperar e o nosso pequeno rectângulo era já uma insignificância na marcha socialista da humanidade.
Até que no dia 25 de Novembro de 1975, um grupo de desordeiros depôs pela violência das armas o regime e a ordem instituídos. Fascistas e golpistas ligados a Spínola (já a banhos no Rio) e ao MDLP, como Jaime Neves, Tomé Pinto, Ramalho Eanes, Vasco da Rocha Vieira e Loureiro dos Santos, depuseram as autoridades legitimamente constituídas e destruíram o sonho cubano português. Otelo bem avisara que, tivesse um pouco mais de cultura e seria o nosso Fidel de Castro. Dois dias depois foi corrido das suas altas funções, o que não deixou de ser merecida punição: para a próxima, que se aplique mais nos estudos!
Falando, agora, seriamente, é a estes e a outros homens que, faz hoje trinta anos arriscaram as suas vidas, que devemos a liberdade. Ela teria, certamente, vindo mais tarde ou mais cedo. Mas, não fossem eles, Portugal não teria escapado a um banho de sangue a que hoje ainda estaríamos a fazer contas.Dos bonzos arvorados em pretorianos tutelares do regime, só mais tarde nos livraríamos, é certo, com a extinção do malfadado Conselho da Revolução, em 1982. Porque, os verdadeiros heróis do 25 de Novembro souberam honradamente regressar aos seus postos, deixando o poder político à sociedade civil, como deve ser feito. Bem-hajam, pois, trinta anos depois.



Copy+paste do Portugal Contemporâneo