Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a corrupçao, o centralismo e colonialismo lisboeta!

Estes europeus estão doidos!

Extraordinário artigo, que subscrevo, da autoria de JOANA PETIZ

Há na zona mais nobre da cidade de Washington um memorial a Martin Luther King, o homem esculpido num imenso bloco de pedra, com metade das pernas e pés propositadamente ocultos, presos na forma original do monólito como símbolo do que ainda está por conseguir na luta contra o racismo. A estátua é de mármore branquíssimo - e isso não incomoda ninguém nem tira valor à homenagem ou ao homem cujos feitos ali se honra.

Não é que os Estados Unidos sejam o melhor exemplo de equilíbrio e ponderação, mas a queda da Europa no charco da irrazoabilidade bacoca - movida pelos perigosos fundamentalismos da sociedade que se diz moderna e livre mas constantemente recorre à censura em nome da uniformização promovida pelo politicamente correto - obrigam-nos a repensar a saúde mental do Velho Continente.

Com nações como o Reino Unido na linha da frente do absurdo, retira-se estátuas das ruas, esconde-se legados culturais que testemunham momentos históricos, faz-se atos de contrição de representações realistas de comportamentos regulares em épocas antigas.

Monumentos foram abatidos e estátuas retiradas dos seus locais de exposição por homenagearem esclavagistas de eras passadas. Processos judiciais tentados para retirar das livrarias álbuns de Tintim que diziam estereotipar personagens africanas. Placas foram colocadas em museus a pedir perdão pela brancura das esculturas, porque poderia originar errados pressupostos de entendimento de superioridade do povo europeu - para quando a legenda nas figuras feitas em bronze, que o tempo esverdeou, afastando a ideia de terem sido herança de uma colonização marciana? Foi até revista uma exposição de Darwin no Museu de História Natural de Londres porque algumas peças poderiam ser consideradas ofensivas.

Agora, na mais recente vaga de idiotice coletiva, esconde-se os clássicos livros de Enid Blyton e reescreve-se a rainha do crime, Agatha Christie - ambas nascidas nos anos 1890! -, porque as descrições feitas então pelas escritoras podem hoje ofender os leitores da sociedade moderna. E isso basta para levar a cabo uma violação flagrante e ofensiva de legados que temos obrigação de preservar e sobretudo não temos o direto de destruir.

Quem ainda acredita que há bonomia nesta inenarrável escalada de imbecilidade, talvez devesse começar já a ponderar o que fazer a obras como Lolita (uma ode à pedofilia, supõe-se) ou o nosso Os Maias (um tratado ao incesto, adivinha-se). Como, de resto, já fizeram com a estátua do Padre António Vieira ou os brasões do Jardim do Império (deste, até o nome se quer mudar).

Além do anacronismo patente, estas tentativas de reescrever a História e as histórias, de apagar o passado que ofende as novas gerações, são tão ridículas como pretender que pintar as unhas com as cores do arco-íris ajuda a causa LGBTI... E são ideias extremamente perigosas.

Vamos demolir as pirâmides porque foram feitas com recurso a trabalho escravo?! Vamos derrubar todas as efígies de reis porque somos uma república?! Vamos riscar dos livros de História os nomes dos homens porque durante séculos consideraram que as mulheres eram propriedade, iguaizinhas a uma colher de pau?! E serviria isso para impedir discriminações ou abusos futuros?

É impossível apagar aquilo que foi - e ainda bem. É conhecendo o passado que se pode criar um futuro melhor, não subtraindo, amolgando e formatando aquilo que já passou à imagem da sociedade atual. Não é queimando livros e arrasando a memória que se evolui, mas conservando-a para que todos saibam quanto andou a humanidade.

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