Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

O Porto em Imagens (130)


Kadish por Eyal, Gilad e Naftali


Sobre a Arrogância dos Portuenses (*)

(*) via LEITE CONDENSADO

Os portuenses têm um orgulho desmedido em si próprios.

Acreditam que o Porto é a melhor cidade – não só de Portugal, mas do mundo inteiro! – e que os portuenses são as pessoas mais incríveis da história da humanidade. Têm alguma dificuldade em gostar de Lisboa, e, convenhamos, de tudo o que esteja a sul do rio Douro.

As pessoas no Porto têm um sotaque tão acentuado quanto as suas convicções.
E têm uma tendência exagerada para a… não sei bem como dizê-lo parecendo correta. As pessoas no Porto têm uma tendência exagerada para a peixeirada. Para armar a… vocês sabem. E gostam.

Mas também gostam de ajudar. Gostam de receber os turistas (e as turistas), e eu já me apercebi, do contacto que tenho tido com estrangeiros, que às vezes isso até pode parecer assustador! Porque veem um jovem com um mapa na mão e pressupõe que tem de o ajudar. É inato, e é imperativo.

E falam alto. Não como os italianos, mas falam alto!
E dizem muitos palavrões. No Porto não é assim tão raro ver uma mãe a “ensinar” o filho recorrendo a termos que não constam no dicionário. Só quem não anda de metro é que nunca viu os miúdos a serem disciplinados, ali mesmo, com duas ameaças de pares de estalos acompanhadas de palavras que fazem os alfacinhas corar.

O Porto é o Rio Douro e a ponte D.Luiz, são as fontainhas e a ribeira, o Piolho e a Fonte dos Leões; a praia, o surf, e o Estádio do Dragão; a Casa da Música e as caves do vinho do Porto; a Universidade, a praxe e as tunas; a rua de Santa Catarina e a das Galerias e as centenas de bares que abrem e fecham à medida que o Porto vai ganhando ou perdendo popularidade; são os hostels e o D. Henrique; a Avenida dos Aliados e os Clérigos; a Sé, a gastronomia; é Serralves e o Parque da Cidade; é o S.João e a Queima das Fitas.

Mas é muito mais do que isso! Para o bem e para o mal. Estudei no Porto e estou habituada a muitas coisas que sei que as pessoas de outras cidades não estão. A percorrer a cidade a pé, por exemplo. Ou a apanhar o autocarro de madrugada. Ou a vestir o traje académico e senti-lo a cheirar mal. Ou… a cumprimentar o pianista. Toda a gente do Porto sabe quem é o pianista. Ou a mulher da sopa. Lendárias, essas personagens.

Eu nem sequer moro no Porto mas, se me perguntarem, é no Porto que eu moro. Moro em Gaia. E o Porto, o Porto a sério, é muito mais do que o Porto. É Matosinhos e Gondomar e Maia e Valongo e Ovar e São João da Madeira. É quase Póvoa DE Varzim, agora com o metro.

Os portuenses têm um orgulho desmedido em si próprios. São exagerados, egocêntricos.
Admito que podíamos ser um bocadinho – só um bocadinho – menos focados em nós próprios. Mas eu nasci no Porto, estudei no Porto, e, por isso, padeço de todos esses males.

Não há cidade como a nossa, na nossa visão arrogante. 

Algumas coisas que todos os homens deviam saber sobre fatos

Férias: que tal ler um livro?

Férias é aquele momento que você toma uma água de coco, deita-se na rede e, entre uma soneca e um bocejo, pega no primeiro livro que estiver à mão para ler. O primeiro? Mas a vida é tão curta para ler tantas obras interessantes, por que pegar qualquer uma? O negócio é escolher com cuidado, mas acima de tudo ler um livro que lhe agrade, seja por uma grande história, por ensinar alguma coisa a você, ou apenas por diversão.
A lista abaixo foi elaborada pelos colunistas do Homo Literatus a indicarem livros para as pessoas lerem nas férias. O resultado foi uma lista plural, que mais se assemelha a um cardápio, onde você escolhe aquilo que mais lhe agradar.
Bon Appétit!

1) Cinzas do Norte, de Milton Hatoum – Órfão e pobre, o narrador-personagem Lavo relata o brutal conflito familiar do amigo Mundo com seu pai, o milionário Jano. Vencedor de um Jabuti de melhor romance (2005), Hatoum faz com que o seu leitor não queira largar o livro, que mostra a que ponto a estrutura de uma família pode ser abalada quando pai e filho são ideologicamente diferentes numa Manaus decadente, à mercê da ditadura militar.
- Por Murilo Reis.

2) Vésperas, de Adriana Lunardi - Livro de contos da escritora brasileira contemporânea Adriana Lunardi. De maneira sensível e poética, misturando elementos biográficos e ficcionais, são narradas as vésperas das mortes das escritoras Virginia Woolf, Dorothy Parker, Ana Cristina César, Colette, Clarice Lispector, Katherine Mansfield, Sylvia Plath, Zelda Fizgerald e Júlia da Costa. É um livro curto, leve e extremamente tocante. Óptima obra para os amantes da leitura e da escrita.
- Por Nicole Ayres.

3) Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer – Provavelmente você está familiarizado com o filme de Sean Penn, mas a prosa forte de um Jornalista com “J” como Krakauer, recheada de detalhes da pungente história de Chris McCandless valem um novo mergulho dentro das florestas geográficas e da alma que habitam este planeta.
4) Expurgo, de Sofi Oksanen – Um romance histórico sobre o domínio soviético na Estónia. Expõe lembranças da vida de duas mulheres comuns de gerações diferentes, que acabam se encontrando numa casa rural na Estónia e de como a política está directamente relacionada à vida pessoal das duas personagens. Como li em uma crítica: um romance árido, um “soco no estômago”, aquele tipo de romance que conta uma história sem nenhuma comiseração.

5) 2666, de Roberto Bolaño– Planeado para sair em cinco volumes, o romance foi publicado postumamente num único volume de mais de 800 páginas. Mas, vale a pena se aventurar por estas tantas páginas. O livro foi publicado pela Companhia das Letras, sob a competente tradução de Eduardo Brandão. A história gira em torno de um escritor fictício, Benno Von Archimboldi, cuja vida e obra acabam por unir quatro intelectuais dispostos a descobrir seu paradeiro. Parte da narrativa decorre no México, mais especificamente numa pequena cidade fronteiriça onde ocorrem misteriosos assassinatos, e parte decorre também na Europa da Segunda Guerra. 

6) Bangalô, de Marcelo Mirisola – Um romance carregado de subjectividade, com elementos grotescos que nos fazem pensar sobre o lado mais humano dos humanos (ou seria animal?). Um homem, solitário, viciado em sexo e em busca da amada, tem que lidar com as transformações e condições da mulher (e vida) moderna, deixando evidente sua repulsa, mau humor e intolerância com o mundo à sua volta. O desfecho, surpreendente, é daqueles que nos persegue por dias e dias, causando a típica ressaca literária. Tudo isso em apenas 128 páginas.

7) Dublinenses, de James Joyce - O primeiro livro de ficção de um maiores autores da literatura moderna do século XX mostra que é possível ler Joyce sem dificuldades e com demasiado prazer. A colectânea de quinze contos aparentemente simples, escritos na juventude de seu respectivo autor, reconstrói com precisão a atmosfera de Dublin nos primeiros anos de 1900, através de pequenos episódios na vida de suas personagens (ambas pertencentes à classe média irlandesa). O livro segue uma ordem cronológica imposta pelo autor: infância, juventude e maturidade; e em ambas as pontas (primeiro e último capítulo) do livro a morte se apresenta como tema. Dublinenses nos conduz a momentos de pura reflexão e, particularmente, de raiva (risos), porque sempre quando entramos no universo íntimo de suas personagens, a história simplesmente acaba. E a sensação de querer continuar vivenciando mais um pouco a vida de algumas daquelas personagens é f***. Para quem tem medo de Ulysses, esta colectânea é um bom começo. Aliás, um excelente começo.

8) Ficção completa, de Bruno Schulz – Reúne toda a literatura desse escritor polaco cuja prosa é poesia efervescente. Começa com dois livros de contos, Lojas de canela e Sanatório sob o signo da clepsidra, de onde seguem outros quatro contos soltos, intercalados vez ou outra por seus desenhos (Schulz era professor de desenho e artista). Termina em um brilhante posfácio do tradutor do livro, Henryk Siewierski. Nas narrativas de Schulz, um menino lida com as doenças de seu pai e com o amor; uma cidade de província perde contra a loucura e o progresso; as personagens sofrem metamorfoses em animais, máquinas e objectos; a matéria “goza de uma fecundidade infinita”, prolifera como fungo; e a realidade se contamina perante todos os sonhos.
- Por Ygor Speranza.

9) Um artista da fome/A construção, de Franz Kafka – Sem tirar os méritos de A Metamorfose, considero a perspectiva da obra de Kafka muito mais ampla se o leitor inicia sua leitura pelos contos. Este livro traz quatro contos no mais alto estilo kafkaniano da narrativa curta, além de uma novela complexa por sua multiplicidade de interpretações. Em A Construção, ao descrever um animal, vivendo num lugar subterrâneo, atónito, o autor estaria falando dele mesmo? A leitura fica melhor ainda se você souber que esta foi a última peça literária escrita por Kafka antes de morrer.
- Por Vilto Reis.

10) O céu está em todo lugar, de Jandy Nelson – Conta a história de Lennie, uma garota que sempre viveu à sombra da irmã até o dia em que, repentinamente, a perde para a morte. De um lado, Lennie encontra conforto e compreensão na companhia de Toby, de outro, uma nova alegria e esperança na companhia de Joe. Durante sua trajectória, ela descobre que sua felicidade não depende dos outros, mas dela mesma. Eu li este livro no verão de 2012 e gostei bastante. Trata de aprender a caminhar com os próprios pés, de sonhar os próprios sonhos e de viver a própria vida.
- Por Sté Spengler.

11) Calvin e Haroldo, de Bill Watterson – É o primeiro livro da dupla que ainda diverte milhões de leitores pelo mundo em tirinhas nos jornais. Aqui ficamos sabendo como Calvin consegue capturar seu tigre de pelúcia de estimação com um sanduíche de atum, vemos o primeiro confronto com Moe e Suzie Derkins. Leitura para lembrar a magia da infância. Desafio a não se tornar fã depois da primeira tirinha lida…

12) A mulher que escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar – Romance que narra a saga da anónima mulher que escreveu sobre a história da humanidade. Vencedor do Prêmio Jabuti de melhor romance do ano 2000, esse livro do médico gaúcho Moacyr Scliar (1937-2011) irá surpreender seu leitor numa agradável viagem literária, com momentos de humor e comoção.
- Por Murilo Reis.

13) O marinheiro que perdeu as graças do mar, de Yukio Mishima – Dividido em três focos narrativos, este breve romance, de um dos maiores génios da literatura japonesa, revela a perspectiva de um menino de treze anos; sua mãe, uma mulher bem resolvida que é viúva; e um marinheiro interessado em conquistá-la. Delineado com uma precisão estética, embora com simplicidade de linguagem, aparentemente, o romance aborda a natureza humana, revelando a crueldade que está latente em cada um de nós.
- Por Vilto Reis.

14) A abadia de Northanger, de Jane Austen – A história de uma heroína feia e atrapalhada, que nem tinha nascido pra ser heroína e faz uma viagem para Bath – sua primeira para o “mundo exterior” – vale a pena, pois o humor britânico de Austen e as reviravoltas na trama são leves e combinam perfeitamente com o clima de “tô fazendo nada”.

Fazer as malas



Façam lá uma vacaria...

Aeroporto de Beja perdeu o seu único voo comercial



Os voos charters entre Paris e Beja estavam prometidos durante todo o verão e o mês de Outubro. Foram agora cancelados.

Islamismo: a falsa religião da paz e da tolerância

Ataque a igrejas católicas na Nigéria faz dezenas de mortos


Alegados membros do grupo radical islâmico Boko Haram atacaram, este domingo, igrejas perto de Chibok, no nordeste da Nigéria, onde mais de 200 adolescentes foram raptadas em meados de Abril, indicaram testemunhas, acrescentando que há "dezenas de mortos".
"Pelo que consegui apurar, dezenas de fiéis, homens, mulheres e crianças, foram mortos", declarou um habitante de Chibok contactado por telefone pela AFP.
A agência noticiosa refere que nenhuma das fontes contactadas conseguiu dar um balanço preciso de vítimas.
Segundo habitantes da região, homens armados atacaram as igrejas de aldeias situadas a cerca de 10 quilómetros de Chibok.
Um responsável de Chibok, Enoch Mark, confirmou essas informações e disse à AFP que o ataque ainda não tinha acabado.
"No momento em que falamos, ainda estamos a ser atacados", afirmou, acrescentando que não pode dizer quantos mortos há.
"Disseram-me que os atacantes incendiaram pelo menos três igrejas", indicou, adiantando que os militares não responderam aos pedidos de auxílio da população.
O nordeste da Nigéria, e mais precisamente o Estado de Borno, onde tiveram lugar estes ataques, é o epicentro da insurreição do Boko Haram, que começou há cinco anos.
Em Abril, 276 alunas de um liceu foram raptadas em Chibok e os familiares das adolescentes acusaram as autoridades de quase nada fazerem para as libertarem. 57 jovens conseguiram fugir nos dias a seguir ao rapto, mas 219 continuam desaparecidas.[daqui]

Porque motivo temos que continuar a aceitar e tolerar islâmicos no nosso território europeu se eles só querem aniquilar-nos e impor o seu terror fundamentalista e a sua religião de morte?

Porto d'outrus tempus

Estádio do Lima, inaugurado em 1924 pelo Académico Futebol Clube, o primeiro estádio relvado em Portugal.

O campo de futebol tinha em volta duas pistas: a de atletismo, em cinza, e a de ciclismo e automobilismo, em cimento.




Porto assombrado

Já imaginou jantar num lugar assombrado com personagens macabras que lhe farão companhia e lhe contarão histórias ainda mais terroríficas?
Se se atrever a experimentar a Haunted DInner Tour, poderá deleitar-se com um magnífico jantar (ou serão restos humanos cozinhados?) e bebidas (ou será o sangue dos decapitados da Praça Nova?) bem como conhecer o lado mais negro da história da cidade do Porto e personagens que poderiam ter habitado a cidade Invicta.
Visita inclui:
- entradas, prato principal (peixe, carne ou vegetariano), sobremesas e bebidas - (todas as informações relativas os menu serão fornecidas no ato de reserva do bilhete);
- visita pedonal no centro da cidade (30 minutos aprox.)
- teatralização durante todo o percurso, incluindo o jantar;
- recordação (sangrenta!) da visita.
- tempo total do tour: aprox. 2h30m

Não recomendado aos mais facilmente impressionáveis ou a pessoas com problemas cardio respiratórios!

Preço por pessoa: € 32
Lotação limitada!
RESERVAS: invictacitytours@gmail.com
Invicta City Tours ® - Showing you Porto like no one else!

Os lambe-cus

“Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço».
Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores, os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc. ..
Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso. Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada.
O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas. Ninguém gostava de um engraxador.
Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu.
O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu.
Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu.
Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing. Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo.
(…) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional.
O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.”
Miguel Esteves Cardoso, in “Último Volume”

A "boa" imprensa que sustém Paulo Bento: já se percebe porquê, não é?!


Última Hora: Ei-los que regressam

imagens do avião que transportou os amigos do Paulinho...


Mundial: sem palavras


Recital de Marina Pacheco e Olga Amaro

Dedicada a Isaltino Morais


Que sai da prisão mais magro e mais bronzeado que o Papillon.



Cesar Milan's (o encantador de cães) new project


O "seleccionador" Paulo Bento diz que não se demite do melhor emprego do mundo: ha ha ha ha


  • não tem que formar jogadores; pega-os emprestados aos clubes (e pelos vistos , mal);
  • faz um jogo de quatro em quatro meses;
  • deve ganhar um balúrdio;
  • arranja lugar aos "amigos", mesmo que estejam lesionados ou mesmo que ninguém os conheça ou perceba a escolha;
  • renova o contrato na véspera do mundial (uma extorsão tipo Humberto Coelho);
  • não dá satisfações a ninguém 
  • o jornalixo lisboeta adora-o desde que Pinto da Costa o criticou...
Então ia lá demitir-se? Ha ha ha ha ha

Humberto Coelho: o extorsionista


António Boronha, antigo vice-presidente da FPF e responsável pela Seleção Nacional, comentou esta 4.ª feira, na sua página do Facebook, o que aconteceu com a seleção do Gana. "Indignados com a ganância dos ganeses?", questionou-se. Passando a recordar o que aconteceu em 2000, antes do embarque para o Euro.

- No dia 5 de Junho de 2000, segunda-feira, pelas 8.30 da manhã no Hotel Tivoli onde nos encontrávamos concentrados, dia da partida da Seleção Nacional de futebol para o 'Euro 2000' aprazada para as 15.30, o então seleccionador nacional Humberto Coelho abordou-me e disse-me, liminarmente: - 'Ou vocês me pagam, também, a quantia de 6.000 contos (mais ou menos 30.000€, hoje) ajustada para todos os jogadores ou...não embarco para a Holanda!'. Estupefacto perante a 'chantagem' contestei-lhe que os valores que (ele) iria receber, decorrentes da nossa participação no 'Europeu', estavam desde há muito contemplados no contrato que livremente celebrara com a FPF/Gilberto Madail pelo que nada que envolvesse esse assunto, naquele momento, deveria ser colocado em cima da mesa.

Respondeu-me: 'A minha decisão é irreversível! Fala com o Madail.'

Assim fiz. Dispensando-os à sordidez dos restantes pormenores digo-lhes que pelas 14.30 da tarde, no 1º andar de um espaço no Parque das Nações, junto à escada rolante e na minha presença, no local onde tinha acabado de ser servido um almoço de despedida à comitiva nacional, o então Presidente da Federação disse-lhe:'O que você está a exigir não é legítimo nem oportuno! Contudo, atendendendo à delicadeza do momento, eu vou ceder. Mas, atenção!, O assunto fica entre nós e livre-se de comunicar esta minha condescendência aos outros elementos da equipa técnica!.'

E assim lá fomos para a Holanda cantando e rindo, levados, levados sim.

Boronha concluiu:

- Continuam indignados com a ganância dos ganeses?...Com o mercenarismo subjacente a esta exigência que nada tem a ver com a defesa das cores de um país?... Eu, não! [daqui]

Allaboard: Há um novo transporte da movida portuense

Quem for presença habitual na noite portuense já se deve ter apercebido da existência de um novo tipo de transporte nas ruas da cidade. Trata-se do Allaboard, um autocarro que, com animação no interior, leva o cliente ao destino de diversão. [daqui]

"O povo unido..."

PCP é o partido português com mais património imobiliário


Mais de 60 terrenos e 200 apartamentos ou prédios, sendo que a "jóia da coroa" do património comunista é a Quinta da Atalaia, 250 mil metros quadrados, onde se faz a Festa do Avante.
A lista de património imobiliário do partido, publicada em Diário da República, revela mais 65 terrenos um pouco por todo o país. Uns pequenos, outros grandes, meia dúzia de quintas em Loures, Coimbra, Fornos de Algodres e Viseu.
Destes mais de 60 terrenos, perto de 30 ficam numa freguesia do concelho de Góis, no distrito de Coimbra.
Para além dos terrenos, na lista de património imobiliário do PCP estão ainda 200 prédios urbanos ou outros imóveis como apartamentos. Por exemplo, uma rua de Lisboa, do número 8 ao 38 tem como senhorio o partido comunista.
Uma parte deste património, não se sabe quanto, foi deixado por herança de alguns militantes comunistas.
Na comparação com os outros partidos, o PCP lidera, com enorme vantagem, no património imobiliário. PS e PSD têm, cada um, pouco mais de 70 edifícios ou apartamentos declarados. O CDS-PP fica-se pelos dez.

A farsa palestiniana


Ganham o campeonato e não querem ir à Proliga? Podem explicar-me?

Azuis e brancos não fizeram valer o direito desportivo da subida e apresentaram candidatura à Proliga, prova que venceram na última época. A Federação terá de analisar nos próximos dias se aceita ou não esta proposta.
Apesar de ter direito desportivo para disputar a Liga Portuguesa na próxima época, a Dragon Force, equipa herdeira do FC Porto, não vai ocupar a vaga.
Os Dragões, que deixaram o escalão máximo no final da época de 2011/12 com o fim da equipa profissional, apresentaram candidatura à Proliga, prova que disputaram na última temporada e da qual se sagraram campeões.
À partida, os regulamentos não permitem que uma equipa que não opte pela subida permaneça no escalão em que estava e, neste caso, o não preenchimento do lugar na principal competição levaria à descida ao Campeonato Nacional da I Divisão (alínea c) do artigo 171º do Regulamento de Provas).
Por outro lado, a Proliga tem vagas em aberto para candidaturas de equipas sem direito desportivo, pelo que a Federação irá analisar nos próximos dias se aceita ou não a proposta azul e branca. [via Nação Portista

Só vejo alguma compreensão nesta decisão se a Proliga exigir determinados compromissos financeiros, caso contrário é uma chachada à moda do novo FCPorto, o FC Porto do Porto Canal, o FC Porto dos novos "administradores", o FC Porto que vive longe os sócios...

Segundo lisboa, podemos baixar as calças à troika, mas com a bandeira não se brinca!

Élsio Menau começa hoje a ser julgado no Tribunal de Faro pela instalação artística em que a bandeira portuguesa aparecia "enforcada". Somos, de facto, um País de iconoclastas. Podem dar-se as boas vindas à troika, apoiar pressões externas sobre o nosso tribunal constitucional e vender o País a retalho. Nos símbolos é que não se toca, nem que seja para satirizar a destruição do João Pedro Pais. O patriotismo de trapos é o que sobra aos antipatriotas. Partilho o vídeo como forma de solidariedade. Quem ultraja Portugal são outros. [daqui]


O novo equipamento da selecção


Ontem...



Joaquim Oliveira

Miguel Martins

100 mil pessoas festejam o São João do Porto ao som de Bob Sinclar nos Aliados.




A suprema saloiice lisboeta: os socialistas putativos candidatos a não sei quê no S. João do Porto

AFINAL, QUEM QUEREM ENGANAR?

O Porto é ...


5 Filmes melhores que os livros que os originaram

Uma lista de filmes que parece ter superado os livros de onde as histórias foram adaptadas.


O assunto é polémico. Traduzir uma obra literária para a linguagem audiovisual é empreender uma aventura de altos riscos e diversas complicações. Quando bem executado, tem o poder de enriquecer a bagagem dos leitores e estimular aqueles que não leram a fazê-lo. Através da imagem, a história consegue mais alcance mesmo que, infelizmente, esse alcance muitas vezes sacrifique a essência da obra original. Mas como transpor o conteúdo literário de forma adequada para o cinema, se nem Kubrick escapou da rejeição? Apesar do consenso de que o livro sempre é melhor do que o filme, eis aqui uma pequena lista de livros que acabaram originando filmes melhores do que eles.


1 – Big Fish (Peixe Grande) – Daniel Wallace


Peixe Grande é um livro minúsculo, singelo, sem grandes pretensões—e não é nem de longe tão fantástico quanto sua versão cinematográfica. Edward Bloom não é tão virtuoso, romântico ou carismático quanto o personagem recriado por Tim Burton no filme de 2003. Apesar do subtítulo original do livro, “Uma novela de proporções míticas”, tudo que se passa nas menos de 100 páginas não passam de referências plausíveis dos eventos extraordinários mostrados no filme. É entre uma aventura e outra, rememoradas pelo filho de Edward, que dezenas de elementos férteis são desperdiçados em seu potencial fantástico, gloriosamente resgatados, um ou outro, na maior—e infinitamente mais encantadora—epopeia de Bloom nos cinemas. A banda sonora de Danny Elfman e a direcção de arte típica da estética de Burton também valorizam a magia que, de tão simplória e rápida na versão original, quase se perde.


2 – O Jardim Secreto – Frances Hodgson Burnett


Frances Hodgson Burnett era uma bem sucedida autora de livros infantis no início do século XX, quando escreveu O Jardim Secreto. O livro, que conta a sensível história de uma família que se cura a partir de seus integrantes mais jovens, as crianças, é um belo resgate à inocência e ao contato com a natureza. O filme de 1993, dirigido por Agniezsca Holland, é predominantemente fiel ao livro, mas a escrita simples e plana de Burnett ganha uma nova aura ao som da belíssima banda sonora e da fotografia espectacular. A mimada Mary Lennox, protagonista da trama, esbanja a melancolia que não é tão densa no livro, e todos os frames são montados de forma cuidadosa, guardando em cada imagem a poesia que não aparece na prosa de Burnett, mas é inerente à essência da história. Por se tratar de uma história para crianças, alguns detalhes foram alterados: os pais de Mary, mortos no livro por uma epidemia de cólera, têm o seu fim retratado de uma maneira mais subtil, falecendo num terremoto. A mãe de Colin, originalmente, não é gêmea da mãe de Mary. Tais mudanças, no entanto, não ofendem o todo; no geral, tornam-se detalhes mais bem aproveitados visualmente.


3 – Amor Além da Vida – Richard Matheson




Richard Matheson escreveu para o cinema e para a tv desde o começo da carreira, quando adaptou The Shrinking Man para a versão fílmica. Ele escreveu episódios para a célebre The Twilight Zone e é mundialmente famoso pelo livro Eu sou a Lenda, que também foi adaptado para o cinema. Talvez por isso mesmo Amor Além da Vida (What Dreams may come), publicado em 1978, funcione tão bem visualmente. Na história, Chris Nielsen morre num acidente e desperta para o mundo espiritual, onde um antigo conhecido o guia pelo mundo fantástico da Terra do Verão. Mas, apesar da morte, Chris sente necessidade de reencontrar a esposa, que acaba se matando e se perdendo no inferno. Diversos detalhes foram alterados no filme, como as profissões dos dois protagonistas—Ann, a esposa, não é uma pintora na versão original, por mais que essa pequena alteração tenha contribuído significativamente para os recursos visuais do filme, em que Chris anda por jardins de tinta e encontra a casa que ela pintara. O livro é narrado por Chris, um escritor de peças, e psicografado por uma mulher que consegue ouvir o seu relato. Mas, aí mesmo, encontra um problema: as descrições do mundo espiritual feitas por Matheson beiram o didatismo, perdendo a subjetividade e o poder da metáfora. Numa introdução feita pelo autor, ele lista uma bibliografia de mais de 70 livros que leu para pesquisar o pós-vida, aconselhando os leitores mais curiosos a lerem-nos também. Infelizmente, a obra acaba um pouco esvaziada do caráter literário, artístico, perdendo-se numa especificidade quase religiosa.


4 – A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça – Washington Irving


O conto-novela de Washington Irving é quase o oposto desdenhoso do filme dirigido por Tim Burton de 1999. Ichabod Crane, Katrina Van Tassel e diversos outros personagens estão lá, mas suas personalidades, escolhas e realidades são completamente diferentes. Johnny Depp conseguiu imprimir ao seu Ichabod um pouco do caráter cômico e ridículo típico do personagem, mas foi necessário grande criatividade dos roteiristas para tornar os eventos de Sleepy Hollow realmente fantásticos, dignos do terror pelo qual eram conhecidos. O resultado foi um filme icônico, extremamente bem montado e visualmente estimulante, em que a ação não se limita à última cena (como no conto) e os personagens têm mais força. O Ichabod original é descrito como um galante acadêmico com grande prestígio na comunidade, avidamente interessado em assuntos como bruxaria e facilmente impressionável pela atmosfera sombria e peculiar de Sleepy Hollow. Não há investigação a fazer na cidade, assassinatos estranhos ou segredos de família. O Ichabod das telas tem uma backstory familiar frequentemente evocada, mas, no livro, é um personagem plano sobre o qual não se sabe nada da família ou do passado, que se apaixona por Katrina por causa do seu dinheiro, e que passa longos parágrafos descrevendo comida, real ou imaginária. O cavaleiro sem cabeça só vem a aparecer, de fato, nas últimas páginas, mas sua identidade é obviamente falsa; termina a história sem metade do que prometia, quase como a desventura de um personagem patético ou a sátira à mente impressionável da província. Não se trata sequer de terror, mas o potencial de Sleepy Hollow, é enorme: durante o conto, são mencionados uma árvore amaldiçoada, a lenda de um major Andre, morto em batalha, uma dama de branco que assombra o vale de Raven Rock, e a ponte encantada da qual o cavaleiro sem cabeça não podia passar, todos dispersos e sem continuidade. Foi aproveitando tanto potencial desperdiçado que Tim Burton deu nova vida ao conto de Irving, melhorando-o infinitamente.


5 – O Curioso Caso de Benjamin Button – F. Scott Fitzgerald


A única coisa em comum entre a pequena novela de Fitzgerald e o filme dirigido por David Fincher, de 2008, é a ideia de um homem que nasce velho e rejuvenesce com o tempo. Além disso, nada no filme estrelado por Brad Pitt é fiel ao livro, que mostra um Benjamin bem menos romântico e maduro, estereotipado a cada idade que enfrenta, acolhido sem a mesma afeição e tragicómico desde o começo. A personagem de Cate Blanchett, Daisy, nem sequer existe, e mais parece uma referência à Daisy célebre de Gatsby, também de Fitzgerald; em seu lugar, a única mulher da vida de Benjamin é Hildegard, que é atraída pela idade avançada do moço, apenas para enfrentar o seu repúdio e desinteresse à medida que envelhece e ele se torna mais jovem não apenas física, mas mentalmente. Diz-se que o conto nasceu de uma afirmação de Mark Twain, que reclamava da melhor parte da vida ser no começo e a pior, no fim. É bastante óbvio, no entanto, que Fitzgerald não concordava com isso, sendo o seu Benjamin um personagem tão infeliz e com uma vida cujo auge foi tão curto quanto o de uma pessoa normal. Ainda assim, a maneira seca e cómica como retrata o personagem não enternece nem envolve do mesmo modo que a versão dos cinemas faz. O drama de Benjamin, além de seu atrapalhado desencontro, é muito mais real sob as lentes de Fincher.

[daqui]

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Miguel Ângelo

A guerra do futebol

Estava a ver um jogo entre o Equador e as Honduras quando me lembrei que este último país esteve envolvido num dos mais bizarros incidentes da História recente, conhecido por 'Guerra das 100 Horas' ou 'Guerra do Futebol'. O conflito foi travado em Julho de 1969 e envolveu dois países vizinhos da América Central: El Salvador e Honduras. Nos combates e bombardeamentos, que duraram apenas quatro dias, morreram mais de 3 mil pessoas e tudo começou com um simples jogo de futebol entre selecções que procuravam classificar-se para o Campeonato do Mundo do ano seguinte.
Na origem do conflito esteve uma rivalidade regional que se alimentou de um problema económico profundo: as Honduras (dispondo de mais território) tinham na altura 350 mil imigrantes salvadorenhos, sobretudo na zona de fronteira, e estes camponeses estavam a ser maltratados pelo regime do general Lopez Arellano, que era sustentado por grandes proprietários agrícolas, entre estes a poderosa multinacional United Fruit Company, que possuía 10% do território hondurenho. 
A questão da emigração salvadorenha para as Honduras tornara-se um assunto muito emocional dos dois lados, para mais alimentado por histerias nacionalistas. A 8 de Junho de 1969, os dois países enfrentaram-se na ronda de qualificação para o Campeonato do Mundo que se realizaria no México. No primeiro jogo, em Tegucigalpa, as Honduras venceram por 1 a zero, mas houve violência contra cidadãos salvadorenhos. A resposta, a 15 de Junho, em San Salvador, envolveu grande brutalidade: os adeptos hondurenhos foram espancados em plena rua e os jogadores foram vítimas de ameaças físicas. No final do encontro, os jogadores da equipa diziam ter sido uma sorte a derrota por 3 a zero. Seguiu-se um jogo de desempate, em terreno neutro, na Cidade do México, e El Salvador venceu por 3 a 2, após prolongamento.


Entretanto, o futebol servira de pretexto para criar um clima de extrema tensão entre os dois governos. No próprio dia do terceiro jogo, a 26 de Junho, El Salvador cortou relações diplomáticas com as Honduras. Os dois vizinhos estavam a mobilizar soldados e a adquirir armas, sobretudo aviões americanos comprados no mercado privado, para contornar o embargo que existia à compra de armamentos. Os aviões utilizados eram da Segunda Guerra Mundial e bastante obsoletos, o que contribuiu para que não houvesse ainda mais vítimas.
El Salvador atacou as Honduras a 14 de Julho. O país mais pequeno dispunha de uma força militar numerosa e bem comandada. A invasão visou zonas montanhosas de fronteira, a norte do país invadido, e pretendia obter ganhos territoriais também no Golfo de Fonseca, partilhado pelos dois países.
Este golfo da Costa do Pacífico tem o nome de um arcebispo espanhol do século XVI, Rodriguez de Fonseca, que foi confessor de Isabel a Católica e famoso adversário de Cristóvão Colombo, além de ter sido o homem que financiou a expedição de Fernão de Magalhães. Fonseca tinha origem portuguesa e pertencia a uma família nobre que se refugiara em Castela por ter apoiado o lado vencido na batalha de Aljubarrota.
O Golfo de Fonseca e os territórios da fronteira foram ocupados facilmente pelos salvadorenhos logo nas primeiras horas da Guerra do futebol, mas seguiu-se a ressaca da falta de estratégia. Incapaz de usar a sua aviação demasiado primitiva, o exército salvadorenho começou a enfrentar o problema da falta de munições e de combustível, sobretudo após um eficaz ataque da aviação hondurenha a uma das suas bases.
Com os dois lados num impasse, a 18 de Julho de 1969 foi negociado o cessar-fogo, mas o tratado de paz só seria concluído em 1980.

As consequências do conflito foram terríveis. Do lado hondurenho houve mais de duas mil vítimas, sobretudo civis. Os salvadorenhos tiveram menos baixas, mas os efeitos a prazo foram bem mais pesados.
Os militares tinham ganho uma influência desmedida nos dois países. Honduras e El Salvador envolveram-se depois numa dispendiosa corrida aos armamentos. Centenas de milhares de imigrantes salvadorenhos foram expulsos das Honduras, na conclusão rápida  de um processo que começara anos antes. O regresso destes refugiados representou uma desestabilização económica irremediável para El Salvador. Quando se deu o choque petrolífero, em 1973, a subida dos preços aumentou o descontentamento, que se tornaria insustentável após fracassar uma tentativa de fazer a reforma agrária. Em 1977, um general de linha dura, Carlos Romero, venceu as eleições com apoio americano e uso extenso de fraude eleitoral. No dia 28 de Fevereiro desse ano, um protesto pacífico na capital foi reprimido pelo exército salvadorenho, com um balanço de 1500 mortos. A violência intensificou-se e dois anos depois, El Salvador mergulhou numa longa guerra civil na qual morreram mais de 75 mil pessoas.
Dizem que a bola é redonda e que o futebol tem certa lógica, mas este episódio sugere o contrário. A guerra talvez pudesse ter sido evitada, se El Salvador e Honduras não tivessem jogado a ronda de qualificação naquelas datas e num momento de grande tensão política. Ou talvez a luta não pudesse ser evitada e o futebol tenha sido apenas o rastilho que incendiou a pólvora. O pretexto de um jogo era demasiado útil para acender as brasas das paixões nacionais. A guerra foi usada cinicamente por políticos que nunca quiseram resolver uma questão que diplomatas medianos teriam solucionado com facilidade.   [Luis Naves, aqui]