Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

É difícil comer cabrito vivo


Marvão (vista aérea)

O Estado e a verdade

Este é um Estado que teve seis anos José Sócrates à frente do governo, carregado de suspeitas de corrupção, mentira e conspiração contra o Estado de direito – e nada fez para esclarecer as dúvidas.
José Cutileiro, autor de um dos melhores livros sobre Portugal, Ricos e Pobres no Alentejo, contou ao Observador uma daquelas histórias que resumem um país. A certa altura, o seu alfaiate teve de ir a Braga, como testemunha num julgamento. E eis como, de regresso, sintetizou a sua prestação: “Bom, o juiz queria que dissesse a verdade, mas eu…”
O perjúrio nos tribunais é um clássico nacional. Em Visitas ao Poder, Maria Filomena Mónica registou a impressão que lhe fez assistir em Lisboa, na década de 1990, a audiências sucessivas em que a mentira era obviamente uma rotina a que todas as testemunhas se entregavam, e que os juízes acolhiam com indiferença.
José Cutileiro comenta: “isto é impensável a norte de Poitiers! (Em) todos os países que tiveram a Reforma, que foram luteranos ou calvinistas, uma pessoa não se pode gabar de perjurar num tribunal”. A explicação das imperfeições nacionais pelo catolicismo é um lugar comum republicano. Mas com todo o respeito, parece-me que Cutileiro andou mais perto da razão noutro ponto da entrevista: “há uma linha qualquer, que passa provavelmente um pouco a norte de Bruxelas. Acima deste paralelo, as pessoas normalmente acreditam no que lhes dizem e o poder que haja é considerado legítimo. Abaixo dessa linha, as pessoas em princípio não acreditam no que as outras dizem e o poder em princípio não é talvez tão legítimo como isso”. Esta é a questão: porque é que em Portugal o poder não é legítimo, e porque é que as pessoas não acreditam?
O problema não foi o catolicismo. Foram antes aqueles que, julgando que era esse o problema, começaram, no século XIX, por fazer tábua rasa de todas as instituições e tradições, deixando para trás uma população rural e analfabeta que se habituou a olhá-los com desconfiança. Sob vários regimes, desde então, Portugal teve formas de Estado identificadas com pequenas cliques políticas sem legitimidade reconhecida e sustentadas apenas pela força ou pela manipulação. As leis e as instituições mudaram frequentemente, com apenas uma constante: as excepções para os amigos. A esse respeito, vale a pena lembrar outra história, a da visita de António Nobre ao consulado de Portugal em Paris, na década de 1890, salvo erro para validar um passaporte (cito de memória). A certa altura, o próprio cônsul se revolta com os emolumentos, e comenta: “este Estado é um ladrão”. E trata de arranjar maneira de Nobre pagar menos. O cônsul era Eça de Queirós. Ajudou António Nobre porque era um confrade das letras. Como se dizia sob a República, “para os amigos, tudo; para os outros, a lei”. Porque não haviam “os outros” de mentir ao Estado, de tentar escapar aos impostos, ou de fugir à “lei”, quando sabiam que esta só valia para quem não tinha “padrinhos”?
A ilegitimidade do Estado foi agravada por outras tendências. Por exemplo, o modo como a defesa do poder teve sempre prioridade sobre o seu escrutínio e responsabilização. Ou ainda, a maneira como os vários regimes, para se fazerem populares, não hesitaram em suscitar expectativas inviáveis, sujeitando depois o país a choques sucessivos: bancarrotas como as de 1891 ou 2011, inflações demolidoras como as dos anos 20 ou dos anos 70 e 80. Demasiadas promessas e esperanças acabaram em cortes e impostos. Como é possível “acreditar no que nos dizem”? Acima da linha de Bruxelas, está também, por exemplo, a Europa com as menores taxas de inflação dos últimos 50 anos (veja-se o livro de Vítor Bento, Euro Forte, Euro Fraco).
José Cutileiro tem razão: “esta espécie de indiferença pela verdade e a mentira em relação ao Estado é uma grande falha nacional”. Mas a mentira do Estado em relação aos cidadãos, a indiferença do Estado pela verdade é a outra metade dessa “falha nacional”. Este é um Estado que teve seis anos o afinal não-engenheiro José Sócrates à frente do governo, ostensivamente carregado de suspeitas de corrupção, mentira e “atentado contra o Estado de direito” – e nada conseguiu fazer para esclarecer as dúvidas, num sentido ou no outro. Como ter confiança? Não, não foi só a falta de Lutero e de Calvino no século XVI.
[ Rui Ramos, no Observador ]

Lampiões vs Capangas: o CD da FPF é uma vergonha encornada

O Conselho de Disciplina (CD) mandou arquivar a queixa apresentada por Vítor Catão contra Luís Filipe Vieira, que na entrevista à BTV denunciou a presença de "quatro capangas" atrás de dirigentes do Benfica no jogo em casa do Aves.
Um deles era Vítor Catão, diretor-desportivo do Canelas 2010, que apresentou uma participação "por lesão da honra e reputação". A queixa foi dirigida à Divisão de Registos e Transferências de FPF, que a rencaminhou para o CD na terça-feira, e tinha em anexo uma cópia da queixa-crime apresentada no DIAP de Lisboa por Catão contra Vieira.
 
Em apenas dois dias, o órgão disciplinar analisou a participação e mandou arquivá-la. Tudo porque considerou que "não há indicações" de que Luís Filipe Vieira soubesse que "estava a referir-se a um agente desportivo", já que se falou de quatro pessoas em conjunto. 
O CD refere ainda que não entra "em juízos de valor acerca da palavra 'capangas' e da eventual responsabilidade disciplinar por essa expressão".
 
 
Nota:
o mesmo CD que recorrentemente multa o FC Porto porque os seus adeptos cantam loas aos ... LAMPIÕES. Aqui, o mesmo CD tem outra perspectiva valorativa e considera ofensiva e de responsabilidade disciplinar a designação dos adeptos inimigos.
Este MEIRIM nunca enganou !

Árbitros e liberdade de expressão

Árbitros querem banir palavras como "Polvo", "Padre" ou "Apito Dourado"

 
Liderados por um senhor que até é useiro em pedir bilhetes para jogos de um certo clube cuja luz incide apenas sobre os padres da paróquia, e quando já tiveram tantas oportunidades para defender a classe, subitamente, quando os indícios de corrupção passaram claramente a ser óbvias evidências de corrupção, levantaram a voz. E levantaram-na contra a liberdade de expressão.
Curiosamente também, não clamam pela justiça nas suas avaliações e classificações que todos já percebemos terem sido comprometidas com a elevação dos medíocres aio serviço dos lampiões. Não clamam por melhores condições de formação e trabalho. Clamam para calar um dos pilares da democracia: a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.


Eis o comunicado:

Os árbitros C1, assistentes e estagiários decidiram por unanimidade entregar pedidos de dispensa que terão efeito a partir do prazo regulamentar.
A ausência dos árbitros nas competições profissionais será efetiva, nessa data, caso não se verifiquem os seguintes pressupostos:
Total ausência de insinuações, da parte de clubes e agentes desportivos, que coloquem em causa a honra e o bom nome dos árbitros; por clubes e agentes desportivos entendem-se os seus dirigentes, treinadores, jogadores e demais funcionários, os meios de comunicação próprios e aqueles que promovem nas redes sociais;
O período de 20 dias com total ausência de insinuações deve abranger todas estas pessoas e meios. Para que não restem dúvidas, entendemos por insinuações: acusar os árbitros de errarem de forma propositada; acusar árbitros de prejudicarem sempre o mesmo clube; referirem-se, direta ou indiretamente, a qualquer ato não provado de corrupção; aplicar aos árbitros, de forma direta ou indireta, expressões como «polvo», «padre», «diácono» ou «apito dourado», entre outras infelizmente utilizadas por diversos clubes já esta época;

- Durante estes 20 dias exigimos reuniões da APAF e cinco árbitros com o presidente e Direção da Liga, com o objetivo de definir e aprovar um corpo regulamentar que reforce a punição de quem não cumpre as normas éticas e disciplinares a que estão obrigados todos os agentes, tal como sucede, por exemplo, na UEFA;
 
Este novo corpo regulamentar de normas éticas e disciplinares deverá ser aprovado pela Direção da Liga durante este prazo, e submetido a Assembleia Geral da Liga até 31 de dezembro de 2017, passando a vigorar assim que for regulamentarmente possível.

Consideramos que é equilibrada esta posição dos árbitros, tomada de forma a defender o Conselho de Arbitragem e para bem do futebol português, garantindo a igualdade de direitos entre os clubes e todos os agentes desportivos. Ao mesmo tempo, isto dá à Liga e aos clubes profissionais de futebol tempo suficiente para agir, de forma ponderada mas firme, na defesa das competições em que participam.

Os árbitros são hoje – como sempre foram – sensíveis aos apelos ao bom senso.  
Mas já não estão disponíveis para continuar a ser os únicos agentes do universo do futebol profissional com bom senso.

Mas ninguém pode ficar com dúvidas: se muita coisa não mudar nos próximos 20 dias, os árbitros não continuarão disponíveis para aceitar que a sua honra e bom nome continuem a ser sistematicamente postos em causa por quem tem por obrigação defender a integridade das competições profissionais. Queremos que seja promovida uma reflexão urgente para bem do futebol português, envolvendo todos os agentes desportivos e demais parceiros, como as associações de classe dos dirigentes, treinadores, jogadores e todas as que fazem parte da indústria do futebol.
As condições de serenidade, respeito e segurança, que são absolutamente essenciais para que os árbitros entrem em campo, estão em crise. Algo tem de ser feito de imediato pelo futebol!

Nesse sentido, a APAF e os árbitros resolveram criar um gabinete jurídico específico, destinado a acompanhar e analisar todas as declarações públicas nos diversos órgãos de Comunicação Social, de forma a responsabilizar civil e criminalmente toda e qualquer pessoa que coloque em causa a honra e o bom nome de qualquer agente da arbitragem.
A APAF oficiará esta quinta-feira a Direção da Liga no sentido de marcar, de forma urgente, a primeira reunião de trabalho com vista a definir e fazer aprovar regulamentos disciplinares que punam verdadeiramente quem não respeita os agentes de arbitragem.



 


Injustiça, iniquidade, inânia, e interior

Lisboa não é zona de convergência, mas acaba de receber, efectivamente, mais dinheiro de fundos comunitários que qualquer zona do Interior. Iniquidade é o que é. Chamem-se os bois pelos nomes.
Não me venham com histórias (ou históricos): é injustiça pura o financiamento público da Universidade da Beira Interior. É tão injusto que deverá ser matéria das instâncias da justiça. Concretizemos: do que estamos a falar quando uma jovem universidade é muito menos financiada do que outra só porque é mais velha? Estamos a falar de justiça e de equidade. Ou será que se mantém o direito de pernada no OE? Primeiro sirvo-me eu que já cá estava, e tu, que só chegaste depois ficas com o resto.
Não me conformo, protesto, exijo justiça.
Claro que o tom é de indignação, mas que outro tom se pode ter perante tamanha injustiça? Porque é que um aluno da UBI há-de ter um financiamento do OE inferior ao da Universidade de Lisboa? Porque é que os precários de Lisboa têm um tratamento diferenciado e privilegiado face aos precários da Covilhã? Há uma semana, uma jovem senhora atrás de um balcão numa superfície comercial da cidade, de touca, ao atender o meu pedido, perguntou-me com tristeza envergonhada: “O Sr. Reitor não se lembra de mim? Trabalhei na universidade.” Sim, lembrava-me, mas, à primeira vista, não a reconheci debaixo da touca. Sob a sigla de POC e a sina do IEFP, trabalhou, e bem, na UBI, mas como não tinha vínculo à função pública, não podia continuar. Outros, tão precários como ela a substituem agora.
Por favor, por favor, “não invoquem a palavra interior em vão” (citando Ricardo Costa no Expresso). Perante estes casos de injustiça vêm falar de coesão? Haja vergonha. Como se atrevem a falar de discriminação positiva para o interior quando uma das instituições mais sólidas desse interior nem sequer tem direito à equidade mais básica? Como se atrevem a falar de coesão quando a UBI é penalizada em 170.000 euros neste OE porque a dotação prevista a impossibilitava de fazer uma proposta de orçamento verdadeiro? A honestidade manda e a lei obriga a que não se escondam despesas e não se fantasiem receitas na preparação de um orçamento. Ora, na UBI há um défice de um milhão e duzentos mil euros no orçamento do próximo ano. Isso foi comunicado à tutela e explicado ao Parlamento em devido tempo. Um Estado que penaliza quem cumpre a lei é um Estado iníquo (parafraseando Miguel de Sousa Tavares). Para quem tiver paciência, e indignação suficiente perante o que escrevo, pode consultar os números e ler as explicações no discurso da minha tomada de posse como reitor da UBI em Setembro passado.
Retomo ainda do Expresso de sábado, pág. 21, a indignação e a raiva da Prof. Helena de Freitas, primeira presidente da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, sobre o centralismo atávico da capital. O centro rico precisa de um interior pobre para exercer uma solidariedade constante, certa e permanente, e muito comovente. Quando, vindos de Lisboa, os políticos aparecem nas calamidades, incêndios, secas, e queda de pontes, é sempre sob o refrão de “Nós cá estamos para ajudar”. E, de facto, estão. Se o António Alçada Baptista fosse vivo, escreveria que o poder central tem no interior deprimido de Portugal o equivalente ao que as senhoras ricas, boas e piedosas da Covilhã tinham no antigo regime, cada uma ajudando o seu pobrezinho, de forma continuada. Importante, já então, era que o pobrezinho não gastasse a ajuda em vinho (no estilo Jeroen Dijsselbloem avant la lettre) e, sobretudo, nunca deixasse de se mostrar bem comportado, reverente e reconhecido.
Como é que Portugal poderia recorrer aos fundos de coesão comunitários se não tivesse os pobres de ofício? Lisboa não é zona de convergência, mas acaba de receber, efectivamente, mais dinheiro de fundos comunitários que qualquer zona do Interior. Depois de dezenas de anos a receber fundos de coesão europeus temos cada vez mais um país de risca a três quartos. Iniquidade é o que é. Chamem-se os bois pelos nomes.
E termino com a inânia. Muitos estudos comprovam que a vitalidade que resta nas regiões do interior é dada pelas universidades e politécnicos. Na Covilhã, a UBI recuperou uma parte significativa das ruínas fabris e converteu-as em faculdades. Fazendo uma conta muitíssimo por baixo (7 mil alunos x 300 euros x 10 meses por ano), a UBI injecta na economia local 21 milhões de euros, aos quais se somam ainda os 24 milhões de euros transferidos via OE e 4 milhões de projectos num total de 49 milhões por ano.
A tutela está centrada nos grandes projectos de parceria internacionais, com universidades de topo americanas e organismos de ciência mundiais, mas com Portugal a pagar. Como não quer dividir para reinar (como pretensamente fazia o governo da troika), nada faz, pese o facto de, sob as suas barbas, as instituições de ensino superior de Viana do Castelo ao Algarve enfrentarem dificuldades para pagarem salários ao fim do ano. No entretanto, inventou-se um mecanismo de interajuda entre as universidades e os politécnicos para que as que têm saldos cubram no final do ano as que não têm saldos e têm de pagar salários em falta. Para que serve uma tutela que se exime de apresentar um modelo de financiamento do ensino superior com critérios claros, racionais e quantificáveis? Para nada. Inânia pura.

O (anti-portista) Bruno Prata dixit

Num texto em que até está longe de ser simpático para o FC Porto, o insuspeito de qualquer portismo Bruno Prata diz algo que já devia ser evidente aos olhos de toda a gente: "Hoje não há grandes dúvidas de que o Benfica, ou pelo menos alguns que lhe são próximos ou estavam ao seu serviço, teceram uma rede de amizades viciadas que tentava espreitar pelo buraco da fechadura para conseguir informação que lhe poderia garantir vantagem na arbitragem e na disciplina".

Minha casa, sua casa

A SportTV está a benfiquizar-se cada vez mais


Este fulano chama-se Rui Amaro e foi durante alguns anos comentador da BTV. Não era, dentro do que é possível ser-se no canal de um clube, um mero analista técnico do futebol jogado ou um comentador "isento": nunca se imiscuiu de exaltar o seu benfiquismo e de diminuir os rivais do seu clube. E estava no seu direito. Foi, recentemente, contratado com...o comentador supostamente isento da SportTV.

Este não o primeiro caso de um comentador formado e maturado na madrassa do nacional-benfiquismo que evolui para um posição de suposta isenção, que depois aproveita para servir os interesses do seu clube. Os dois mais conhecidos são Rui Pedro Braz e Luís Aguilar.

Que Rui Amaro, sendo fanático pelo Benfica, esteja disposto a servir o seu clube em qualquer canal, é perfeitamente compreensível. Que a Sport TV esteja disposta a dar palco à versão 3.0 de Rui Pedro Braz, é inaceitável. Mas não se poderia esperar outra coisa de um canal que, ainda recentemente, rejeitou a possibilidade de o FC Porto ter mais 24 horas para descansar após uma extenuante jornada europeia.

[A foto é do Notícias de Coimbra]

Um dos maiores desastres aéreos em solo português aconteceu há 40 anos


O maior desastre aéreo da TAP e um dos maiores desastres aéreos ocorridos em solo português aconteceu há 40 anos, no dia 19 de Novembro de 1977. O voo TP425 da companhia aérea portuguesa não conseguiu travar na pista a tempo de evitar uma queda fatal para 131 das 164 pessoas a bordo.

Na noite de sábado de 19 de Novembro de 1977, o voo TAP Portugal 425 despenhou-se no Funchal, na ilha da Madeira, com 156 passageiros e oito tripulantes a bordo. Morreram 131 pessoas, incluindo seis dos oito tripulantes.

O comandante do Boeing 727-200, João da Costa Lontrão, tentou por duas vezes aterrar na difícil pista do Funchal mas por duas vezes desistiu. Era uma noite chuvosa, com ventos instáveis e equacionou-se divergir o voo para o aeroporto de Las Palmas, na Gran Canaria. Não sem antes tentar uma terceira vez.

O aparelho despenhou-se no final da pista número 24 do aeroporto de Santa Catarina às 21h48. O trem de aterragem só tocou na pista 323 metros depois do ponto de toque de segurança e, devido à água que se acumulou no solo, não conseguiu travar. Derrapou para fora da pista e caiu na praia, junto ao mar, dividindo-se em dois, entre uma ponte de pedra e a água.


Quatro décadas depois, restam as homenagens e a memória dos familiares e amigos das vítimas. Entre as 131 vítimas mortais do acidente, estava João Melo e a família, Lurdes, a esposa, e Mafalda, a filha do casal, ainda criança.
O Notícias ao Minuto falou com Dulce Trindade André, afilhada do casal, que residia em Cascais e com quem Dulce chegou a morar. Agora com 50 anos, Dulce era uma criança de 10 anos na altura e refere que a memória que guarda do acidente é mais sentimental do que exacta.

“Coincidiu com os anos do meu pai, o acidente foi no dia em que o meu pai fazia anos. Lembro-me da tristeza que foi terem perdido os amigos. Lembro-me mais das emoções do que propriamente dos pormenores”, começou por contar-nos Dulce.

Os pais de Dulce e a família de João Melo, na altura um homem com pouco mais de 30 anos, mantinham uma amizade próxima, tendo Dulce, inclusive, chegado a morar com os padrinhos. No dia do acidente, no entanto, estava em França com os pais e a trágica notícia só chegou dias mais tarde via carta. De todas as memórias que guarda dos padrinhos, recorda com pesar um momento contado pela avó de Mafalda, já em Portugal.

“A Mafalda viajava muito e adorava viajar de avião com os pais. Na véspera dessa viagem é que estava muito renitente em ir”, relata Dulce, recordando como a avó da criança contou que, na véspera do voo, a menina não queria ir com os pais para a Madeira.

“Algumas coisas ficaram para sempre, a Mafalda na véspera da viagem agarrar-se à avó para não a deixar viajar com os pais é uma delas”, partilha.

Corpos do comandante e do copiloto nunca foram encontrados

O voo tinha origem em Bruxelas com destino ao Funchal, tendo efectuado uma escala intermédia em Lisboa, de onde partiu com 164 pessoas a bordo. A aeronave ficou quase totalmente destruída devido à explosão e consequente incêndio, excetuando a secção da cauda, que permaneceu sobre a ponte.


“De um total de 164 pessoas a bordo sobreviveram 33, morreram 122 e desapareceram nove, presumivelmente mortos”, pode ler-se no relatório final da Direção-geral de Aeronáutica Civil, atual Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).


O relatório final da comissão de inquérito aberta ao acidente apontou como causa provável “a impossibilidade de desacelerar a aeronave até à paragem do comprimento da pista, devido, provavelmente, aos seguintes fatores: condições meteorológicas muito desfavoráveis no momento da aterragem, existência possível de condições para hidroplanagem, velocidade de aterragem de mais de 19 nós, aterragem comprida motivada por um longo ‘flare’ e correção direcional brusca após toque na pista”.

A existência de hidroplanagem, ou seja, as rodas do avião terem deslizado por causa da água na pista, foi refutada por alguns sobreviventes e testemunhas, dizendo, até, que houve uma travagem antes da queda. A TAP, na altura, apontou também, através de relatório interno, as más condições da pista, incluindo as condições de escoamento de água, algo que não foi mencionado no relatório oficial.


João Lontrão, o comandante, na altura com 34 anos, e o copiloto, Miguel Guimarães Leal, estavam ao serviço há mais de 13 horas, faziam o quinto voo do dia, sendo o cansaço também apontado como uma possível causa. Os corpos do comandante e do copiloto nunca foram encontrados, assim como os de outras sete vítimas.

O período de horas máximo de voo para pilotos foi entretanto alterado de 17 horas para 13 horas. Os 1.600 metros da pista número 24 foram também ampliados por duas vezes, na sequência do acidente.


O Barão da Porta 18 já está em formação


Depois da Falsa Lista do Daily Mail, o novo esquema do Apito Dourado


Um cartilheiro encornado a contas com o proxenetismo


Corrupção encornada e a matemática

Gosto do tipo de ensino moderno, mais prático, em que a matéria é dada com exemplos do dia-a-dia. Ontem o TPC de matemática do meu enteado era este:

‘O advogado pediu 7 bilhetes jeitosos para o observador de árbitros. A relações públicas destinou 27 ingressos a um responsável pelas nomeações de delegados.

O administrador solicitou 3 entradas para um dirigente da Liga cheio de moral.

O vice-presidente mandou entregar 9 passes a um juiz que vai julgar um caso que interessa ao clube.

Sabendo que o Estádio leva 65 647 espectadores e ficaram 27 659 lugares vazios, calcule as probabilidades do Barbas estar sentado ao lado de um corrupto’.

Assim dá gosto aprender.

Taça de Portugal ou Taça do Capela?

Bastou o Barão da Porta 18 (aquela história dos 10 Kg de droga dentro do estádio da Luz ainda está muito mal contadinha) pedir e logo os tipos que mandam nos árbitros lhe fizeram a vontade: Capela voltou a apitar o seu clube ou o clube que muito dele gosta. O resultado? Já todos sabemos. Expulsão e  penalty perdoados aos de lisboa. Normal e habitual.



Desconto de tempo. Para recordar

Chaves-boifica: 0-1 97 min.
Rio ave-boifica: 1-1 95 min.
Boavista-boifica: 2-1 96 min.
Marítimo-
boifica: 1-1 96 min.
...

7 min.?! É uma vergonha, vou já mandar um mail ao piriquito...

Esquecem-se quem eliminou na época passada o Estoril nas meias finais com um golo 2 metros offside. Querem ser moralistas mas são uns sem vergonha.
Roubaram forte e feio o Estoril na época passada para a taça de Portugal e foram à final há custa do padre de Fafe o lampião Jorge Ferreira .
É bom recordar como a máfia corrupta vigarista chegou à final do Jamor , um golo em fora de jogo escandaloso do grego Mitrogolou validado pelo vermelho de Fafe Jorge Ferreira e sua equipa de arbitragem, validaram um golo irregular .

Coisas que acontecem no acampamento

Sublime Alentejo… verde!

Estou assim

A guerra do FC Porto contra o Benfica tornou-se um livro. O resumo das acusações em oito capítulos (via Observador)

Assinado por Francisco J. Marques e Diogo Faria, do FC Porto, o livro "O Polvo Encarnado" traça uma teia de ligações entre dirigentes desportivos, árbitros, comunicação social e o Benfica.



Um polvo, como se sabe, é um animal invertebrado que se destaca pela exuberância dos seus oito tentáculos revestidos de ventosas. Gosta de se movimentar pelos fundos dos mares e mexe-se bem entre rochas, alcançando alguns dos buracos mais recônditos com os tentáculos. Distingue-se pela sua capacidade de camuflagem, ajustando a cor da pele em função das necessidades. Quando se sente ameaçado, expele uma tinta escura que repele os predadores. Não por acaso, já há vários anos que se associa as características deste cefalópode à máfia. Metaforicamente, o Benfica é um polvo.”

Assim começa o livro O Polvo Encarnado, assinado por Francisco J. Marques e Diogo Faria, ambos do departamento de comunicação do FC Porto. O objeto da obra é anunciado na contracapa e vai ganhando forma ao longo das 198 páginas que compõem o livro: “Manipulações, dissimulações, compadrios e influências ilegítimas. A história do futebol português nos últimos anos é negra, mas tem de ser contada e bem conhecida. Os tentáculos do Polvo Encarnado chegam a todos os recantos da sociedade, manipulando a verdade desportiva e fomentando um clima de ódio entre clubes”.

Na apresentação da obra, que decorreu esta sexta-feira, Francisco J. Marques resumiu assim o espírito do livro: “As trapalhadas são tantas que me parece completamente irreal que o Benfica possa escapar ileso. Todas as semanas têm sido conhecidas novas práticas muito duvidosas. São tantas coisas que me parece impossível que não venha a acontecer nada. Acima de tudo está-se a ferir a forma como os adeptos de futebol olham para a competição. É o futebol português que está em causa”.

Neste livro, dos dois responsáveis do FC Porto, desfilam personagens ligadas ao universo benfiquista e actuais e anteriores dirigentes desportivos, alegadamente comprometidos numa teia de corrupção e de tráfico de influências cujo único propósito seria garantir o domínio encarnado no futebol português. Existem referências a conspirações, pressões e e-mails possivelmente comprometedores — os mesmos que Francisco J. Marques, ex-jornalista e diretor do departamento de comunicação do FC Porto, tem revelado no seu espaço habitual de comentário no Porto Canal.

Revelações sempre contestadas pelo Benfica, que nega todas as acusações e chegou a apresentar uma providência cautelar contra a divulgação de mais e-mails, pedindo indemnizações de um milhão de euros por cada mail revelado. Providência que acabou por ser chumbada pelo tribunal.

“O controlo das instituições do futebol”…

O primeiro capítulo, aliás, conta como o Benfica terá, alegadamente, posicionado ao longo da última década e meia “tropas” leais nos órgãos de decisão da Liga de Clubes e da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), numa suposta tentativa de garantir o controlo desportivo das competições de futebol.

O controlo das instituições do futebol português pelo Benfica resulta, no fundo, de uma teia de relações e de uma colonização de lugares-chave de certos organismos que foram levadas a cabo ao longo da última década e meia e que proporcionaram: a circulação de informação privilegiada; a obtenção de benefícios para o clube; em última análise, vantagens no domínio desportivo”, resumem os autores, para logo depois concluírem: “Isto tem um nome: tráfico de influências“.

A primeira personagem deste capítulo é Cunha Leal, antigo vice-presidente do Benfica e director da Liga de Clubes entre 2002 e 2006. Os autores dão particular destaque ao episódio que envolveu a deslocação dos encarnados ao terreno do Estoril, quando corria a época de 2004/2005. O jogo acabaria por se realizar no Estádio do Algarve, com a luz verde de Cunha Leal. O encontro era decisivo para ambas as equipas: à 29ª jornada do campeonato (disputado em 34), o Benfica liderava o campeonato com um ponto de vantagem para Sporting e Sporting de Braga e a quatro do FC Porto; o Estoril, por sua vez, lutava para não descer e tinha conquistado 21 dos seus 26 pontos somados até então em casa. O clube da Luz acabou por vencer por 2-1, sendo que o Estoril acabou reduzido a nove unidades. “Tudo foi caricato neste jogo, até o calçado do árbitro Hélio Santos, de Lisboa, que foi cedido pelo Benfica”, alegam os autores do livro.

Nessa altura, contam, António Figueiredo, “benfiquista fanático e antigo vice-presidente do clube da Luz”, era presidente da SAD do Estoril. Além disso, até Outubro de 2004, José Veiga, então diretor-geral do futebol do Benfica, tinha sido acionista maioritário (80%) da SAD do Estoril. Tudo somado, concluem, “Veiga e Figueiredo eram, face ao Benfica e ao Estoril, duas figuras híbridas, cujas posições de destaque na condução desportiva dos respetivos clubes teciam uma inevitável teia de interesses entre a Segunda Circular e o António Coimbra da Mota”.

… e aquele Benfica-Estoril no Algarve

Francisco J. Marques e Diogo Faria rematam todo o episódio do Estoril-Benfica com as declarações de Carlos Xavier, à data treinador-adjunto do Estoril, sobre o jogo. “‘No Estoril, por exemplo, quando fui adjunto do Litos, passei por uma situação incrível. O presidente deixou que a equipa descesse para a segunda divisão a troco de ir jogar com o Benfica ao Algarve apenas por causa da receita. Perdemos porque dentro do campo as coisas estavam todas feitas, ao ponto de mais tarde eu e o Litos termos sido ouvidos pela Polícia Judiciária sobre o que se tinha passado. O jogo foi comprado, ou vendido, neste caso. Os jogadores choraram no balneário'”, citam os autores, remetendo para uma entrevista do treinador ao jornal Record.


As ligações à Liga de Mário Figueiredo

Mário Figueiredo, “um quase desconhecido advogado do Porto” que assumiu a presidência da Liga de Clubes em 2011, é outro dos visados neste livro. Os autores recuperam vários e-mails a que tiveram acesso — num deles, Mário Figueiredo terá mesmo assumido ao líder encarnado que estava do “‘seu lado'” — para tentarem provar que o Benfica havia montado há muito um suposto esquema de tráfico de influências, com o objetivo, por exemplo, controlar a nomeação dos delegados da Liga, cuja função é avaliar o desempenho dos árbitros, e, com isso, manipular todo o processo de nomeação dos juízes.

Com Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD do Benfica, como suposto interlocutor, Mário Figueiredo terá acudido a vários pedidos do clube da Luz. À medida que vão citando várias conversas mantidas entre o então presidente da Liga de Clubes e o responsável encarnado, os autores concluem: “O Benfica tinha poder (autoridade, pelo menos) para sugerir nomeações de delegados. E o presidente da Liga era de tal forma submisso que até perguntava se havia mais pedidos. Maior promiscuidade entre um clube e as instituições que gerem o futebol é difícil de imaginar”.

As acusações mais graves, no entanto, acabam por recair sobre Carlos Deus Pereira, à data presidente da Assembleia-Geral da Liga de Clubes. Com base em troca de correspondência eletrónica a que tiveram acesso, os autores sugerem que Deus Pereira passava informação confidencial da Liga de Clubes a Pedro Guerra, comentador desportivo e antigo responsável pelos conteúdos da Benfica TV.

Mais do que isso, Deus Pereira terá passado ao benfiquista comunicações escritas de Fernando Gomes, então presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Mais precisamente, “132 SMS enviadas e recebidas por Fernando Gomes entre 26 de junho de 2010 e 12 de setembro de 2011″, como forma de o “ter na mão”.

O caso das SMS de Fernando Gomes que vão parar à caixa de correio eletrónico de Pedro Guerra é uma espécie de cereja no topo do bolo dos exemplos de controlo das instituições do futebol português pelo Benfica. O próprio facto de ser alguém com a irrelevância institucional de Guerra a receber estes documentos é altamente significativo: a ascendência da turma de Vieira sobre as autoridades do futebol português é de tal forma grande que até alguém como Pedro Guerra, que gosta de se apresentar como um mero colaborador do clube, tem acesso a este tipo de contactos e de informação. (…) Nem com muita criatividade seria fácil conceber um mecanismo mais totalitário e ao mesmo tempo eficaz de controlo de quem manda no futebol português”, escrevem os autores.

O Conselho de Arbitragem de Vítor Pereira

Vítor Pereira é a personagem principal do capítulo dois do livro de Francisco J. Marques e Diogo Faria, inteiramente dedicado à suposta influência do Benfica na arbitragem portuguesa. Segundo os autores, os indícios recolhidos provam que “Vítor Pereira, enquanto presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, estava ativamente (e não apenas passiva ou tacitamente) ao serviço do Benfica“.

Os autores não só questionam “as promoções e nomeações esquisitas” de árbitros que decorreram durante a era Vítor Pereira, como chegam mesmo a afirmar, com base em testemunhos de antigos árbitros como Marco Ferreira, que o então responsável pela arbitragem tomava diligências junto de árbitros nomeados para jogos do Benfica para que estes favorecessem os encarnados.

Um dos testemunhos citados, de Marco Ferreira, precisamente, chegou a ser notícia no Diário de Notícias: “‘Não vou dizer que o Benfica pede ao Vítor Pereira que fale com os árbitros para favorecer o clube. Não digo isso. O que digo é que ele faz isso porque sabe que o Benfica é o único clube que o apoia. Por isso, não quer que nenhum árbitro que não goste do Benfica apite os seus jogos. O Benfica nunca falou comigo e nunca pediu para os favorecer. Mas Vítor Pereira sim‘”, afirmou então Marco Ferreira.

José Ferreira Nunes surge, nesta obra, como agente ativo neste alegado esquema de tráfico de influências. O então responsável pela secção de classificações do Conselho de Arbitragem está ligado, alegam os autores, a “algumas das maiores polémicas dos últimos anos”.

Para sustentarem a acusação, Francisco J. Marques e Diogo Faria lembram o processo administrativo que esteve na origem da manutenção do árbitro Paulo Batista, supostamente próximo do Benfica, na primeira categoria da arbitragem, mesmo depois de ter sido despromovido pela má classificação na época 2012/2013. Também recordam a despromoção do árbitro internacional Marco Ferreira, duas semanas depois de apitar a final da Taça de Portugal, por alegada pressão de Luís Filipe Vieira.

No entanto, a despromoção de Rui Costa acaba por ser, para os autores, a maior evidência da influência do Benfica na arbitragem portuguesa. Os autores recorrem a um e-mail enviado por Nuno Cabral, delegado da Liga, a Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD do Benfica, e a Luís Filipe Vieira com 11 erros cometidos pelo juiz num jogo entre FC Porto e Benfica (10 de Maio de 2014), que os portistas venceram por 2-1. Vieira terá respondido assim: “‘Paulo, devíamos participar deste artista, pois brincou com o Benfica. Temos de dar-lhe cabo da nota‘”.

Das palavras do presidente encarnado à prática foi um pequeno passo: o Conselho de Arbitragem reviu a nota de Rui Costa, que passou de 3.5 para 2.o. Segundo o jornal O Jogo, foi a maior descida de sempre e não há dúvidas de que esta situação completamente anómala resultou da capacidade de influência das ‘autoridades de Carnide‘”, sugerem os autores.

Por tudo isto, Francisco J. Marques e Diogo Faria concluem que o Benfica soube construir uma “rede de influências tentacular que lhe granjeia o controlo do setor da arbitragem”, a quem é “inevitável associar ” as figuras de Vítor Pereira e Ferreira Nunes, responsáveis por “nomeações incompreensíveis”, “descidas de árbitros que não caíam no goto do clube da Luz”, “manutenções de outros que eram do seu agrado” e pelo “‘apuramento da raça‘ a que corresponde uma nova geração de juízes aparentemente alinhada com os interesses encarnados”.

“A Aberração do Apito Dourado e a Justiça Desportiva”

No terceiro capítulo, os autores esforçam-se por desmontar a forma como o processo “Apito Dourado” foi conduzido na justiça desportiva, pelo “benfiquista de Canelas” e então presidente do Comissão Disciplinar da Liga, Ricardo Costa, e por denunciar uma série de injustiças cometidas contra os principais adversários do Benfica, cujo corolário foi a suspensão dos jogadores do FC Porto Hulk e Sapunaru, na época 2009/2010.

A estes factos, Francisco J. Marques e Diogo Faria juntam os casos já relatados de ofertas de convites para jogos do Benfica a outros agentes desportivos — delegados e responsáveis pelos órgãos de disciplina da Liga e da FPF — para construirem a alegada teia de influências do Benfica também na justiça desportiva.

Um dos exemplos citados pelos autores é o de uma troca de e-mails entre João Pedro Simões, antigo delegado da Liga, em que este pedia entradas para o Benfica-Nacional da Madeira, e Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD encarnada. Perante o pedido de João Pedro Simões, Gonçalves transmitiu instruções para que tudo fosse tratado.

“‘Desenrasca por favor. Ele era também delegado da Liga e foi suspenso por dois anos após um processo disciplinar instaurado então pela CD da Liga por não ter relatado uns fatos (sic) no túnel de acesso aos balneários aqui no Estádio da Luz. Com essa omissão, safou-me a mim e ao Nuno Gomes de um sanção, mas lixou-se. É boa gente, benfiquista indefetível e sempre foi defensor na blogosfera do nosso estimado líder‘”, escreveu então Paulo Gonçalves, citado pelos autores do livro.

Perante isto, Francisco J. Marques e Diogo Faria concluem que o Benfica, “para além de ser muito eficaz a chegar às pessoas certas aos lugares certos, é também bastante generoso a premiar ilegitimamente todos aqueles que contribuem para a sua quase imunidade disciplinar”.

A justiça desportiva tem sido incapaz de cumprir com aquele que devia ser o seu objetivo fundamental: o clássico ‘Suum cuique tribuere’, ou seja, dar a cada um aquilo que lhe pertence. E, como acontece em relação ao controlo das instituições do futebol e à arbitragem, o que parece estar na base desta disfuncionalidade é uma rede de influências que se ramifica a partir do Benfica e que atinge em força, pelo menos, uma parte dos decisores disciplinares”, concluem.


“O Controlo da Imprensa”

No quarto capítulo, os autores estabelecem uma ligação casuística entre a concentração dos órgãos de comunicação social em Lisboa, assim como a suposta proliferação de comentadores desportivos afetos ao clube da Luz, a um suposto tratamento mediático mais favorável ao Benfica.

À medida que vão elencando casos de “promiscuidade” entre jornalistas, responsáveis editoriais, comentadores e pessoas ligadas ao Benfica, Francisco J. Marques e Diogo Faria dão como exemplo a entrevista tradicional de Luís Filipe Vieira ao jornal A Bola, por altura do Ano Novo, já quase “tão entranhada como comer doze passas à meia-noite”.

Asseguram os autores que, “em meados de Dezembro, um jornalista envia um conjunto de perguntas ao diretor de comunicação do Benfica, Luís Bernardo“, que as remete para António Galamba, “o escritor-fantasma dos discursos” de Luís Filipe Vieira e ex-dirigente socialista. Galamba, continuam, escreve uma “primeira versão” das respostas, devolve-as a Luís Bernardo, que as revê e entrega a Vieira. Neste processo de revisão, intervêm ainda Domingos Soares Oliveira, administrador executivo da SAD do Benfica, e Paulo Gonçalves, que entregam a versão final.

Ou seja, a intervenção de Luís Filipe Vieira neste trabalho é quase tão grande como a do próprio jornalista: quase nula. O que é vendido ao leitor com um trabalho jornalístico — uma entrevista, por definição, resulta da interação entre um entrevistador e um entrevistado — não passa, afinal, de um instrumento de pura propaganda (…) e de um artigo de opinião travestido”, sugerem.

Os autores dão ainda outro exemplo: a “14 de Novembro de 2016, o diretor de comunicação do Benfica, Luís Bernardo, começou a preparar um ciclo de almoços de Natal de Luís Filipe Vieira com jornalistas, na linha de uma prática que já vinha sendo hábito desde os tempos de João Gabriel. A lista de alvos incluía diversos órgãos de comunicação social e algumas personalidades em concreto, por esta ordem: A Bola, Record, O Jogo, Sport TV, SIC, RTP, TVI, Diário de Notícias e Jornal de Notícias (apresentados como um conjunto), Expresso, Rui Santos, João Bonzinho e Rui Pedro Braz”. Perante isto, concluem, “estamos perante um caso flagrante de fomento de intimidade entre Vieira e a comunicação social que parte do próprio”.

Esta ascendência do Benfica sobre a comunicação social tem como consequência a possibilidade de o clube da Luz condicionar a seu bel-prazer a formação da opinião pública, gerando um círculo vicioso de transmissão de informação e propaganda entre clube, imprensa e adeptos”, resumem Francisco J. Marques e Diogo Faria.


A estratégia das “cartilhas”

No quinto capítulo, inteiramente dedicado às cartilhas que tanto alimentaram as polémicas no futebol português, os autores acusam os responsáveis benfiquistas de tentarem, com esta estratégia, condicionar a pluralidade de opinião no Benfica, influenciar os adeptos benfiquistas e condicionar a formação da opinião pública.

Segundo Francisco J. Marques e Diogo Faria, que tiveram acesso a vários e-mails trocados entre responsáveis e comentadores afetos ao Benfica, o autor destes documentos é Carlos Janela, que depois os remete para vários “cartilheiros”, assim designados pelos autores do livro, que vão desde dirigentes de topo do Benfica, passando por comentadores que representam as cores do Benfica em canais de televisão generalistas, e a jornalistas como José Manuel Freitas, José Nunes e Rui Pedro Braz, que recebem os documentos no dia dos debates em que participam.

A única à exceção à regra, asseguram, é Pedro Guerra, “que parece funcionar como uma espécie de pivô na gestão desta informação, recebendo todos os ficheiros, por vezes mais do que um por dia, sempre vários por semana”.

As mensagens de Janela incluem ainda indicações personalizadas, por exemplo, sobre as escolhas dos cartilheiros para as rubricas dos programas em que participam (‘topo e fundo’, ‘altos e baixos’, ‘figura da semana’, etc.). Para além disso, o ‘cartilheiro-mor’ Carlos Janela sublinha diversas vezes um conselho essencial: os cartilheiros devem manter os telemóveis ligados durante os programas, para que possam ser devidamente instruídos por si em direto”, revelam.

Segundo a análise dos autores, as cartilhas seguem regras: o “revisionismo do futebol português”, exagerando as conquistas do Benfica e diminuindo as dos adversários; o “culto do líder Luís Filipe Vieira“, tal como aconteceu com “Salazar, Estaline ou Hitler”; “a proteção dos árbitros e do Conselho de Arbitragem de Vítor Pereira”; a “perseguição a Pedro Proença”; a “rejeição do videoárbitro”; a “associação do FC Porto aos Super Dragões e a um histórico de violência”; e a “associação de uma grande parte da imprensa [como a Sport TV ou O Jogo] ao FC Porto”, no sentido de os descredibilizar.

Ao Benfica não basta um controlo bastante abrangente da informação veiculada pela comunicação social. A generalidade das opiniões emitidas publicamente por adeptos do clube é também ela objeto de controlo apertado“, argumentam os autores.
Ainda na comunicação social, Francisco J. Marques e Diogo Faria descrevem a Benfica TV como uma “agência de comunicação” e uma “cartilha pública”, geradora de poder e influência (graças aos direitos desportivos), que funciona como um meio de condicionamento da opinião pública (através de uma transmissão televisiva deficiente) e geradora de fake news. Os autores denunciam ainda dois episódios de censura envolvendo os próprios convidados da estação, como foi o caso de Fernando Seara e Fernando Alvim — este último deu uma entrevista ao canal que nunca foi transmitida alegadamente porque teceu comentários negativos sobre o Banco Espírito Santo, à data patrocinador do Benfica.

“[A Benfica TV] desempenha um papel fundamental nos esquemas que os homens de Luís Filipe Vieira têm levado a cabo para manobrar o futebol português e obter os benefícios desportivos para o Benfica”, defendem os autores do livro.

As claques e as autoridades de olhos fechados

Os outros tentáculos do “polvo” estendem-se, asseguram Francisco J. Marques e Diogo Faria, aos decisores políticos, recorrentemente benevolentes para com o clube da Luz, dizem, e as autoridades que regulam a segurança nos estádios e a prática desportiva.

Neste ponto do livro, os autores acusam a FPF de ignorar as claques do Benfica, nunca regularizadas, que se comportam como as “milícias paramilitares” dos “regimes ditatoriais”: “Actuam à margem da lei com o apoio ativo (mesmo que encapotado) do regime, espalhando o terror em favor dos seus interesses”.

E isso só acontece, sugerem, visando diretamente a FPF e o Instituto Português do Desporto e Juventude porque em Portugal as autoridades não atuam quando e como devem”.

Esta sexta-feira, durante a apresentação do livro, Diogo Faria prometeu pelo menos “mais um ou dois volumes”, com revelações sobre esta alegada teia de influências, “dada a vastidão de informação”. Por isso, o mais provável é que guerra entre FC Porto e SL Benfica não fique por aqui.


[ Miguel Santos Carrapatoso, no Observador ]

Um mente, o outro foge e os serviços ajudam

Na Assembleia da República, a 2 do corrente mês, António Costa disse que para a progressão na carreira dos professores conta simplesmente o tempo e que o mérito não é considerado. Por ignorância ou má-fé, António Costa mentiu. E para comprovar o que escrevo, qualquer cidadão pode ler o decreto-regulamentar 26/2012 e verificar quão deplorável foi o topete do primeiro-ministro. Com efeito, a avaliação do desempenho dos professores, a que todos estão sujeitos, mede a sua competência científico-pedagógica, a sua actividade na escola e na comunidade e o seu percurso em termos de formação contínua (25 horas de formação mínima por cada dois anos de carreira); envolve vários órgãos de gestão interna e elementos externos; termina com uma classificação de 1 a 10, posteriormente transformada numa menção qualitativa; uma menção qualitativa de “insuficiente” implica a não contagem do respectivo tempo de serviço para a progressão na carreira. O que António Costa fez, em termos práticos e mentindo, reitero, foi classificar com “insuficiente” os milhares de professores a quem subtraiu quase 10 anos de trabalho.
Compreenderiam os professores que António Costa não lhes pudesse pagar o que ficou por pagar no período em que viram as suas vidas profissionais congeladas. Mas não compreendem a natureza discriminatória com que este malabarista da política agora os trata. O que disse não é sério. O que disse comprova, em definitivo, tudo o que tenho escrito sobre o modo como o PS de António Costa trata a Educação. Maria de Lurdes Rodrigues começou, perversamente, a destruir a carreira profissional dos docentes. Tiago Brandão Rodrigues, que prometeu lutar radicalmente por ela, fugiu depois pela porta de uma garagem. António Costa acaba de a fazer em cacos. Se outras não houvesse, esta era razão mais que suficiente para a greve que acontecerá no dia em que estas linhas vierem a lume e no dia em que os deputados discutirão o OE para a Educação.
São sempre especulativas as teorias sobre a intencionalidade conspirativa das acções do Governo. Concedendo que se pode tratar de uma lamentável coincidência, não posso deixar de registar que tenha sido escolhida esta altura para tornar público um estudo oficial a exibir os maus resultados dos nossos alunos e, subliminarmente, a sugerir a deficiente qualidade do trabalho das escolas públicas e dos seus professores. Refiro-me a um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência sobre os resultados dos alunos do 3º ciclo, em 2014/15. A um documento desta natureza está vedado, por definição, o registo opinativo e o uso repetido de qualificativos impressivos. Mas neste é recorrente o uso do termo “impressionante” aposto a dados estatísticos que podem não “impressionar” quando relacionados com outros. Por exemplo, que significa dizer (pág. 5) que é impressionante que 85% dos retidos tenham negativa a cinco ou mais disciplinas, se nos escondem o número absoluto de que partem? Por exemplo, o próprio documento reconhece (pág. 3) que não é tecnicamente correcto, numa escala de níveis, usar a expressão “negativas” para designar a colocação dos alunos nos níveis 1 e 2. Mas é essa expressão que o estudo adopta e é depois escolhida, naturalmente, para os títulos que se seguiram na comunicação social. Não podendo aqui, por limitação de espaço, fundamentar com mais exemplos a implícita orientação da prosa que acompanha os dados para propalar a mensagem, nada inocente, de estarmos face a um desastre, resta a consolação de, na mesma altura, um outro estudo, vindo da Comissão Europeia, revelar que o número de alunos com maus resultados está a descer em Portugal, em contraciclo com o resto da Europa, onde esse número cresce. Impressionante, não? Impressionante que por cá se insinue que escolas e professores são medíocres e por lá se afirme que os resultados escolares são melhores que os do resto da Europa.
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

O "piriquito" correio da FPF ao serviço dos brevemente condenados à 2ª Liga








"O Polvo Encarnado", by Francisco J. Marques


O director de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, irá lançar o livro "O Polvo Encarnado", na próxima sexta-feira, dia 17 de Novembro, na cidade do Porto.
Um livro que promete dar conta de "esquemas, manipulações e compadrios que viciam o futebol português", tal como se pode ler na capa do mesmo.
O livro, em coautoria com Diogo Faria – comentador do Porto Canal -, será apresentado no Hotal AC Porto, numa conferência de imprensa agendada para as 11h30.