Há duas semanas, José MAUrinho, num raro momento de lucidez pública, decidiu dar uma lição de maturidade. Falava de Luís Pinto, jovem treinador do Vitória , e disse, com ar de veterano iluminado:
“Eu já tive a idade do Luís. Quando tinha a idade dele também dizia parvoíces, agora digo menos. Ele é um jovem talentoso, com um percurso bonito; se tudo correr bem, vai chegar lá.”
Bonito. Um MAUrinho sereno, quase paternal, a colocar-se no papel de mestre zen que olha para o ímpeto juvenil com benevolência.
Mas bastou passar uma semana para o MAUrinho regressar à versão que todos conhecemos — o MAUrinho inflamado, inconformado, sempre à beira da implosão.
No fim de um jogo em que a sua incompetência e da sua protegida equipa mais uma vez sobressaiu, perseguiu o árbitro pelo campo fora.
A ironia é tão densa que quase dá para cortar à faca. O homem que “não quer entrar nesse campo” correu atrás do árbitro — primeiro pelo relvado, e depois, pelo túnel adentro. Parece que a maturidade tem prazo de validade: exatamente sete dias.
Há quem procure o elixir da juventude em spas ou clínicas suíças; MAUrinho encontrou-o na arbitragem portuguesa. Rejuvenesceu tanto que voltou à idade em que “dizia mais parvoíces”. O problema é que agora diz as mesmas — só com mais microfones à frente e um manto sagrado.
O Conceição bastava calcar a linha ou olhar para os árbitros que era expulso. Futebol Podre em Portugal, como dizia Conceição do treinador dos Mouros, boneco que ligou o botão em modo agressivo, em Guimarães estava ligado no modo Padre.








0 comentários:
Enviar um comentário