Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a corrupçao, o centralismo e colonialismo lisboeta!

Presidente


 

A classe política europeia governa contra os seus próprios povos e chama-lhe progresso


"Jovem”🧑🏿‍🦲 que atacou três mulheres à facada no metro de Paris é natural do Mali, estava em situação irregular em França e já tinha condenações por roubo agravado e agressão sexual.

Datas com História: 22 de Dezembro de 1909

As cheias do rio Douro constituem um fenómeno estrutural da história ambiental e urbana do Porto e de Vila Nova de Gaia. Antes de haver barragens, resultavam de um conjunto de factores naturais e humanos: a grande extensão da bacia hidrográfica, o forte declive desde as zonas montanhosas de Espanha até à foz, a rapidez do escoamento, a conjugação de chuvas intensas de Inverno com o degelo, e, já em época contemporânea, a ocupação urbana das margens, que reduziu drasticamente as áreas naturais de absorção. Antes da construção das grandes barragens, o Douro era um rio livre, violento e imprevisível, capaz de passar em poucas horas de um curso navegável a uma força devastadora.

Ao longo do século XIX registaram-se várias cheias de grande magnitude. A cheia de 1860 ficou durante décadas como a referência máxima da fúria do rio, tanto pela altura atingida pelas águas como pelos danos provocados nas zonas ribeirinhas. Contudo, esse recorde seria dramaticamente ultrapassado no final de Dezembro de 1909, numa sucessão de dias que marcaram de forma indelével a memória colectiva da cidade.
Desde meados de Dezembro de 1909 que a chuva caía de forma persistente e intensa em toda a bacia do Douro. A 19 desse mês, chegavam já à capitania do Porto notícias alarmantes vindas da Régua, dando conta de uma subida rápida do nível do rio. Foram reforçadas amarras, avisadas as populações e tomadas precauções, mas o cenário agravou-se de forma imparável. Na madrugada de 21 de Dezembro, a subida tornou-se anormalmente rápida. No Porto, os cais dos Guindais e da Ribeira começaram a ficar submersos; em Gaia, as primeiras barcas afundaram-se ainda durante a tarde. O Douro, sem barragens que o contivessem, obedecia apenas à violência da Natureza.
Na noite de 21 para 22 de Dezembro, um violento temporal, acompanhado de vento sul e chuva torrencial, transformou a cidade num caos. As ruas tornaram-se enxurradas, lojas e caves inundaram-se, árvores caíram, o pavimento levantou-se. O rio engrossou de forma assustadora, atingindo velocidades estimadas entre 10 e 11 milhas por hora e arrastando tudo o que encontrava. Amarras quebraram-se em cadeia, e dezenas de embarcações começaram a soltar-se, abalroando-se mutuamente ou sendo lançadas rio abaixo em direcção à barra.
Foi neste contexto que, a 22 de Dezembro de 1909, há precisamente 109 anos, se produziu uma verdadeira hecatombe naval no estuário do Douro. Entre barcas de carga, iates, vapores, rebocadores e pequenas embarcações tradicionais, o rio transformou-se num cemitério flutuante. Naufragaram ou perderam-se, arrastadas pela corrente ou destruídas contra cais, margens e outras embarcações, dezenas de navios.
Entre as embarcações britânicas, perderam-se o iate “Ceylon”, os vapores “Douro” e “Gascon”, bem como a escuna “Mervíria”. O “Ceylon” esteve perto de um fim trágico quando uma barca carregada de toros de pinheiro se enredou nos seus cabos, sendo salvo apenas pela intervenção corajosa de pescadores da Afurada.
Da marinha mercante alemã, naufragou o vapor “Lintre”, depois de ter ficado envolvido no caos de colisões sucessivas.
De nacionalidade norueguesa, perdeu-se o vapor “Sylvia”, arrastado pela violência da corrente para fora da barra.
A esmagadora maioria das perdas foi, contudo, de embarcações portuguesas, reflectindo a enorme concentração de tráfego fluvial e costeiro no Douro.
Afundaram-se ou ficaram destruídos nas margens do rio os iates “Vaz 1º”, “Vila do Conde”, “Assumpção”, “Camponês”, “Carlos Alberto Costa”, “Diligente”, “Duque de Saldanha” e “Viajante”; os lugres “J. Soares da Costa” e “Vencedor”; as barcas “Amazona” e “América”; as chalupas “Dona Maria” e “Marques 3º”; o caíque “Mendonça”; e os rebocadores “Lírio e Flávio”, “Lusitânia”, “Mars” e “Veloz”. Muitas destas embarcações foram despedaçadas contra os cais, outras abalroaram vapores fundeados, e várias acabaram por sair barra fora, desaparecendo no mar.
O cenário nas margens era apocalíptico. A Praça da Ribeira ficou totalmente submersa, Miragaia, Massarelos e Gaia foram invadidas pelas águas, e mais de mil casas ficaram destruídas, total ou parcialmente.
O nível do rio ultrapassou em cerca de 80 centímetros a marca histórica de 1860. Chegou a ponderar-se a demolição do tabuleiro inferior da ponte D. Luís I para evitar danos estruturais ao resto da sua estrutura. A cidade ficou isolada: sem comboios, sem telégrafos, sem água canalizada e quase sem iluminação a gás.
Os episódios humanos foram igualmente trágicos: homens arrastados em destroços, tripulações presas a bordo de vapores à deriva, pedidos de socorro impossíveis de atender. O rio e a foz estavam cobertos de madeira, tonéis, mercadorias e restos de navios. Apenas a partir de 24 de Dezembro, com o abrandamento da chuva e do vento, as águas começaram a baixar, revelando a dimensão da destruição. O Natal de 1909, no Porto, foi amargo para muitos milhares.

























 

E depois não querem que falemos em substituição populacional...


 

Isto são os árbitros corruptos portugueses, há décadas, sempre a perseguir o FCPorto


 

Caminhos da História O Porto dos Reis Magos

Feliz Natal


 

Respite at Christmas - A True WW2 Story

FC Porto: nem o silêncio é virtude, nem a crítica merece castigo

 História de João Lobão - via © Maisfutebol


*Em colaboração com Ricardo Magalhães Tavares

O futebol português voltou, esta semana, a ser palco de uma decisão disciplinar que merece reflexão séria. O FC Porto foi sancionado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol com uma multa superior a 15 mil euros, na sequência de uma participação apresentada pela APAF, tendo por base um comunicado oficial dos Dragões, divulgado após o chamado caso Fábio Veríssimo.

O comunicado em causa - importa sublinhá-lo - não surgiu no vazio. Resultou de um contexto concreto, amplamente noticiado, em que o árbitro Fábio Veríssimo alegou ter sido alvo de uma tentativa de pressão no intervalo de um jogo, circunstância prontamente difundida nos meios de comunicação social. Perante esse enquadramento, o FC Porto reagiu institucionalmente, expondo a sua posição, descrevendo factos, questionando procedimentos e criticando critérios.

Uma leitura atenta do comunicado revela algo que não pode ser ignorado: o FC Porto afirmou expressamente que iria apresentar participação disciplinar junto das instâncias competentes, por entender que determinados comportamentos justificavam apreciação disciplinar. Ou seja, o clube não se limitou a criticar, anunciou o exercício de um direito que lhe assiste, nos termos dos regulamentos desportivos: o direito de participação disciplinar.

Este ponto é absolutamente central. Participar disciplinarmente não é um ato abusivo nem ofensivo; é um mecanismo legítimo de tutela institucional, previsto e reconhecido pelo próprio sistema federativo.

Mais: anunciar publicamente essa intenção não constitui, por si só, qualquer ilícito. Pelo contrário, insere-se na normal transparência da atuação de um clube de dimensão nacional (para o que aqui releva), sujeito a escrutínio público permanente.

Ainda assim, foi precisamente esse comunicado - que descreve circunstâncias, manifesta discordância, anuncia a intenção de recorrer aos meios disciplinares e formula crítica institucional - que deu origem à queixa da APAF e, subsequentemente, à sanção aplicada pelo Conselho de Disciplina.

É aqui que deve surgir a inquietação no futebol português. Que mensagem transmite uma decisão disciplinar que pune um clube por exercer - e anunciar - um direito que o próprio ordenamento desportivo lhe confere?

A leitura que inevitavelmente se impõe é a de que esta decisão acaba por coartar, de forma indireta, mas eficaz, o direito de participação disciplinar e o direito à crítica, ambos pilares de um sistema que se quer transparente e democrático.

Os árbitros são, convém recordá-lo, seres humanos, falíveis e mortais. Exercem uma função num contexto de enorme pressão mediática e emocional. Isso não os desqualifica - mas também não os coloca numa redoma imune à crítica. O escrutínio faz parte da função. Sempre fez. Sempre fará.

A este ritmo, corre-se o risco de a APAF deixar de ser percecionada como uma associação representativa e passar a ser vista, com inevitável ironia, como a Associação Portuguesa dos Amuados do Futebol - excessivamente sensível à crítica e pouco disponível para aceitar o contraditório.

Mas mais grave do que essa perceção é o papel das instâncias disciplinares que, ao sancionarem este tipo de comunicados, legitimam uma visão restritiva da liberdade de expressão, colidindo com o artigo 37.º da Constituição da República Portuguesa. A crítica, mesmo firme, incómoda ou contundente, não se confunde com ofensa, nem pode ser tratada como infração disciplinar apenas porque desagrada.

Punir quem critica, descreve factos ou anuncia o recurso aos meios legais disponíveis não protege a arbitragem. Fragiliza-a. Cria um efeito dissuasor, incentiva a autocensura e empobrece o debate público no futebol, um fenómeno que é, goste-se ou não, de interesse geral.

Não é necessário proibir a crítica para a eliminar; basta criar um ambiente em que quem fala sabe que pode ser sancionado. O resultado é o medo. Um medo que já é visível no futebol português. Ainda ontem à noite, após o jogo entre o Santa Clara e o Sporting, o presidente da SAD do clube açoriano rematou, dizendo: «Eu e todos do Santa Clara vamos, por ordem minha, permanecer em silêncio, já que tenho medo de que, se falar o que penso, o nosso clube possa ser ainda mais prejudicado do que já foi.»

A arbitragem não se fortalece com silêncio imposto nem com sanções exemplares. Fortalece-se com competência, coerência, transparência e abertura ao escrutínio.

Não podemos ter árbitros de porcelana.

Qual é a vantagem de receber em Portugal imigrantes, para depois o país ter que assumir as custas da “sobrevivência” de quase 1/3? Isto faz algum sentido??


 

Não há palavras para descrever o grau de corrupção dos árbitros portugueses


Toca a partilhar,pq ñ tarda a SPORTlampiã retira a filmagem. O golo dos rabolhos! Mourinho chora....os lampiões mamam! É isto a transparência. Um luxo.

Rui Alexandre Henriques Bolais Mónica: fixem o nome desta fraude da arbitragem


Hoje foi dia de roubo no sub-19. - Cartão vermelho direto exibido erradamente ao guarda-redes Diogo Pereira (52m) num lance precedido de falta clara do conjunto minhoto. - Penaltí claríssimo sobre Duarte Cunha. - Segundo golo do SC Braga num lance em que a bola nem sequer entrou na baliza portista e em que o assistente Ricardo Pereira está 20 metros atrasado em relação à linha de golo. Só visto!!!! Vídeo: Porto Canal




 

Boaventura está de volta

 (1) Rui Pinto (@RuiPinto_FL) / X


Dois meses após a condenação por crimes de falsificação de documentos e fraude fiscal no âmbito da Operação Malapata, que veio somar-se à condenação um ano antes por corrupção, César Boaventura, terá regressado às actividades de intermediação e agenciamento de jogadores.
Sem bens em Portugal e com o seu nome na Lista Pública de Execuções, César Boaventura escolheu desta feita o Brasil para constituir um novo ramo da sua GIC. Junto com o sócio Paulo Ernani Souto (gestor de negócios e marketing desportivo, e ex-representante da Nike no Brasil) sediou na Avenida Venezuela, no Rio de Janeiro, a sociedade GIC SPORTS LTDA, com um capital social de 20 mil reais (equivalente a 3125 euros).
Mais um caso que expõe a manifesta falha dos mecanismos de controlo, uma vez que basta uma simples mudança de jurisdição para se poder continuar a actuar com total impunidade.

Toda a trampa vai cair ao lisboeta canal 11: basta estar ou ter estado ligado à "melancia lisboeta"


 

Em Tondela: há VAR e BAR, e GODINHO, claro...

De facto, olhando para o lance com os olhos abertos, é capaz de não ser falta. Ganhem vergonha na cara...


 

Dr. Paulo Pombo de Carvalho

O antigo Presidente do FC Porto DR. PAULO POMBO DE CARVALHO faleceu há 34 anos (08/12/1991). A história do Dr. PAULO POMBO (09/05/1911 – 08/12/1991) Presidente do FC Porto entre os anos 1957 a 1959 e o autor da letra “Amores de Estudante” !!!

Escrito por Paulo Pombo, que também foi matemático, engenheiro, escritor, poeta e jornalista que conduziu os azuis e brancos na enorme conquista do “Campeonato de Calabote”.

Presidente do FC Porto entre 1957 e 1959, Paulo Pombo foi um dos seis audaciosos académicos que em 1936, numa semana, conseguiram reunir 150 pessoas e ressuscitar definitivamente a Tuna e o Orfeão da Universidade do Porto, que desde a fundação (a Tuna em 1891 e o Orfeão em 1912) sofreram diversos colapsos e passaram pelos mais dramáticos problemas de sobrevivência, alimentados unicamente pelo idealismo académico.

Paulo Pombo e Tiago Ferreira foram os principais rostos da revitalização e renovação da Tuna e do Orfeão, e a ligação ao compositor Aureliano Fonseca, outro empenhado estudante (de medicina) e criador da Orquestra do Tango (1936), viria a gerar a canção ainda hoje tida como uma espécie de hino dos estudantes universitários. “Amores de Estudante”, com letra de Paulo Pombo e música de Aureliano Fonseca, está presente em todos os rituais e cerimoniais das Queimas que animam Portugal de lés-a-lés no Maio de todos os eferreás.

Orfeonista, tuno e membro da famosa Orquestra Universitária de Tangos, Paulo Pombo oferece a Aureliano Fonseca um texto mágico e que o compositor potenciou a hino, que já conheceu versões fado-tango, ié-ié, bossa-tango, slow-rock, valsa, surf-tango, punk e, inevitavelmente, house-tango, numa camaleónica convivência com os caminhos musicais mais futuristas, a projetar toda a estatura de “Amores de Estudante”, escrito e composto em tempos jurássicos por mentes visionárias.

Foi de tal ordem o sucesso de “Amores de Estudante”, que, desde 1937 e por decisão colegial, as receitas com a venda da música, entregues ao reitor, ajudaram a formar muitos médicos, engenheiros e advogados. Tocada ao piano, extraída das guitarras dos Xutos ou amarrotada por Quim Barreiros, “Amores de Estudante” a tudo e a todos resiste: é o hino estudantil por excelência. A excelência dos seus criadores, já lá vai quase um século…

Versatilidade excepcional.
Dr. Paulo Pombo nasceu em São Cosmado (Armamar), no distrito de Viseu, a 9 de Maio de 1911, falecendo a 8 de Dezembro de 1991, com 80 anos. Três gerações depois da sua fulgurante passagem pelo meio académico portuense (anos 1930), ainda é referência obrigatória da cultura e nos movimentos académicos ligados às tunas. Apesar da formação validada com excelência nas Ciências Matemáticas e Engenharia (licenciado em Matemáticas, engenheiro geógrafo e civil), foi pela cultura que se afirmou na vida.

Em 1937, foi um dos co-fundadores da revista “Sol Nascente”, publicação de recorte fidalgo num Portugal sombrio editada para elevação do nível cultural da população, que o Estado Novo nunca viu com bons olhos, o que explica a vida curta do quinzenário portuense: finou a 15 de Abril de 1940, quando o poder entendeu esmagar a revista que já atraía livres-pensadores famosos da Europa evoluída e fazia furor no Brasil.

Premiado pelo seu aproveitamento académico, Paulo Pombo foi matemático, engenheiro, escritor, realizador radiofónico, biógrafo, músico, poeta, presidente do Instituto Industrial do Porto, presidente do Instituto Superior de Engenharia do Porto, presidente do FC Porto, diretor de “O Porto”, diretor de “O Primeiro de Janeiro”, colaborador de “A Tarde”, “O Diário Popular”, “O Diário do Norte”, “A Gazeta Literária”, dirigente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, do Grupo de Estudos Brasileiros do Porto, da Associação Cultural Amigos do Porto e da Associação dos Antigos Alunos da Universidade do Porto.

Escritor, poeta e pensador de estilo refinado, esteve mais de 30 anos em contacto semanal com a população portuguesa através da Emissora Nacional de Radiodifusão (Porto), onde escreveu e realizou centenas de programas de literatura, arte, ciência, história, biografia e música. A excecional versatilidade fez dele um dos grandes vultos da sociedade até aos anos de 1980, quando se retirou. Dois dos seus livros foram grandes sucessos editoriais: “A visita de Jesus – Programa de Televisão”, de 1960, e “Antologia de São João no Porto”, de 1971.

“O Porto” erudito
O FC Porto sempre teve em grandes presidentes grandes homens da cultura. Vivendo numa exagerada efusão com as vidas literárias, Paulo Pombo ficou famoso por singulares e concorridas palestras na via pública nos cinco anos em que foi vereador municipal (pelouro da Cultura). Homem das artes e das letras, a nomeação para diretor do órgão oficial do FC Porto, 14 anos após deixar a presidência do clube, trouxe ao jornal “O Porto” uma lufada de ar fresco com a incondicional abertura aos temas culturais.

Deixando claro que o jornal nunca despiria a pele de desportivo e principalmente voz do clube, Paulo Pombo quis que o jornal abraçasse as ocorrências do intelecto e a primeira intervenção não desportiva de “O Porto” dá-se na edição de 11 de Julho de 1974, que dá grande destaque ao desaparecimento de Ferreira de Castro, celebrado autor de “A Selva” e de mais 31 obras que o tornaram num dos escritores mais traduzidos pelo mundo.

A sua enorme bagagem cultural permitiu aos leitores de “O Porto” conhecer histórias assombrosas de vultos portugueses menos conhecidos do grande público, como o poeta António Feijó, que viveu na Suécia e transformou um conto popular nórdico (Litan Karin) no “Romance da Pastora Linda”, o maior destaque do premiado “Sol de Inverno”.

Deve-se a Paulo Pombo a recuperação minuciosa da história do famoso pintor barroco espanhol Diego Rodrigues da Silva y Velázquez, principal artista da corte de Filipe IV, O Próspero, autor de obras mundialmente famosas como Vénus ao Espelho, A Rendição de Breda, O Triunfo de Baco ou As Meninas. Filho do advogado portuense Fernando Silva, radicado em Sevilha e casado com uma andaluza, Velázquez, por pruridos nacionalistas, viu trocada a ordem dos nomes, passando o apelido materno a vincar a ascendência do autor de “Los Borrachos”, uma das obras mais admiradas no Museu do Prado, em Madrid, onde tem espalhada obra profusa.

Do número 928 ao 1092, “O Porto” de Paulo Pombo ofereceu prosas generosas e biografias incomparáveis. Divulgou Tchaikovsky, Goethe, Debussy, Ravel, Beethoven, contou a história da Vénus de Milo e da Estátua da Liberdade. Deixou a direção do jornal em 1977.

Dois anos, dois títulos
Bem-sucedido em todas as áreas, Paulo Pombo foi um presidente do FC Porto com aproveitamento máximo. Dois anos de liderança, dois títulos nacionais: a Taça de Portugal de 1958, com vitória na final sobre o Benfica, e o famoso Campeonato de 1958/59, conhecido como Campeonato-Calabote, o mais sofrido da história do FC Porto, que teve de esperar 12 longos minutos em Torres Vedras pelo final do jogo da Luz, onde o árbitro Inocêncio Calabote, pouco depois irradiado, ofereceu penaltis, expulsões e um indecoroso prolongamento do Benfica-CUF na vã tentativa de permitir aos encarnados mais um golo, que lhes daria o título.

Apaziguador por natureza, Paulo Pombo conseguiu recuperar o renegado Yustrich em 1957/58, mas o brasileiro foi infeliz, acabando o campeonato com os mesmos pontos do Sporting, perdendo o título no goal-average e regressando ao Brasil, sem condições para continuar, depois de se envolver fisicamente com Hernâni.

Foi buscar Otto Bumbel para ganhar a Taça de Portugal de 1958 e, na época seguinte, quando Bumbel começou a deslizar, descobriu o feiticeiro Béla Guttmann, que recuperou cinco pontos perdidos nas primeiras sete jornadas e levou os portistas ao título, naquele massacrante final de campeonato em Torres Vedras.

De elevada estatura moral, Paulo Pombo foi atraiçoado por Guttmann e pelo presidente do Benfica, Vieira de Brito, que não teve escrúpulos em contratar o húngaro no pique da luta pelo título, oferecendo-lhe mais 100 contos (à altura, cerca de 500 euros na moeda atual), e que só teve paralelo na escandalosa jornada final, com o vergonhoso recurso à consciência benfiquista do alentejano Calabote.

Mesmo atraiçoado por Guttmann (soube-o, ou confirmou-o, em sua casa a quatro jornadas do final do campeonato, e é fácil de imaginar o calvário que foi informar a Direção, já que a diligente “A Bola” se encarregou de informar o grande público…), Paulo Pombo, homem reconhecido, ainda prendou Guttmann com um emblema em diamantes, pela conquista do título e, quando o FC Porto o foi buscar 14 anos mais tarde, foi um aliado excecional do “avozinho” arrependido, na condição de diretor do jornal “O Porto”.

África, Pedroto, Onofre e computadores
Casado com Emília Dunkell, irmã do cônsul da Suíça no Porto, Paulo Pombo teve um filho músico, que tantas vezes tocou os seus “Amores de Estudante” nas bandas que integrou (Morgans, Jota Herre), e viveu sempre pela expansão do FC Porto e consagração dos seus grandes heróis.

É da sua iniciativa a segunda grande digressão a África (1958) e as festas de homenagem a José Maria Pedroto e ao ciclista Onofre Tavares, que constam entre as mais brilhantes e inesquecíveis celebrações na vida do FC Porto.

Atento ao mais ínfimo pormenor, muito boa gente se recordará, certamente, de uma bela reportagem em “O Porto”, realizada junto do sector da Contabilidade do clube, para explicar ao povo o que era isso dos computadores, que o FC Porto estreou em 1973, para simplificar as contas.

Um sorriso. A vitória íntima de quem recusou ser vencido.

 


Em Outubro de 1944, nas ruas ocupadas de Belfort, na França, uma única fotografia capturou um instante que desafiava toda lógica de guerra e medo. Georges Blind, integrante da Resistência Francesa, estava de pé na esquina de um prédio de pedra, diante de um pelotão de fuzilamento alemão. Mas não havia pânico em seu rosto, nem desespero, nem súplica.
Ele estava sorrindo.
Não era bravata. Não era espetáculo. E tampouco era o último gesto de um homem destinado à morte. Aquilo era uma encenação — uma execução simulada, uma arma psicológica usada pelos alemães para despedaçar a vontade dos resistentes.
Era assim que funcionava o ritual macabro:
vendavam o prisioneiro, conduziam-no até uma parede manchada de pólvora, ordenavam-lhe que preparasse suas “últimas palavras”. Os soldados armavam os rifles, apontavam, gritavam comandos… e disparavam cargas vazias, ou balas que cortavam o ar rente ao corpo. A intenção não era matar, mas quebrar. Plantar o terror na mente, onde o aço e a dor falhavam.
Mas Georges Blind não quebrou.
Não ofereceu nomes.
Não revelou esconderijos.
Não entregou ninguém.
Seu sorriso, sereno e quase irônico, foi o golpe mais profundo que ele poderia devolver.
Até o cenário escolhidos pelos alemães dizia muito. Em vez de uma parede plana, colocaram-no na quina do edifício, onde as balas desviariam sem risco de ricochetear. Provavelmente o mesmo canto usado para execuções reais — um ponto prático, sombrio, onde a morte se repetia como rotina.
Percebendo que Georges não cederia, os alemães o enviaram para o sistema de campos de concentração de Dachau. Ali, no final de Novembro de 1944, foi selecionado para morrer no mesmo dia da chegada. Nunca retornou.
Execuções simuladas eram uma marca perversa da ocupação alemã. Às vezes, faziam aldeias inteiras assistirem, como um recado gravado a fogo na memória coletiva. Na lógica do terror, era simples: onde a força não alcançava completamente, o medo deveria governar. Se um vilarejo ajudava partisans, queimavam casas, sequestravam civis, encenavam mortes — reais ou fingidas — até transformar a vida cotidiana num campo minado de pavor.
E, no entanto, há algo que sobrevive a todas as ditaduras: a coragem.
O sorriso de Georges Blind — frágil, breve, mas imortal — permanece como um dos símbolos mais silenciosos e poderosos da resistência na Segunda Guerra Mundial. A prova de que, mesmo à sombra de rifles, mesmo no instante calculado para quebrar o espírito humano, ainda pode haver um homem que olha o inimigo nos olhos e responde com um gesto simples, quase impossível:
Um sorriso. A vitória íntima de quem recusou ser vencido.