Esperei. Propositadamente.
Deixei passar os dias para perceber até onde iria a onda persecutória da comunicação social lisboeta em relação aos episódios que rodearam o FC Porto–Sporting — antes, durante e depois do jogo.
Não demorou muito.
As “cobras cuspideiras” do costume apressaram-se a dramatizar o fogo de artifício junto ao hotel do Sporting. Um escândalo, dizem eles. Uma vergonha nacional. Os mesmos jornaleiros avençados — olá, Carlos Janela — que parecem sofrer de amnésia seletiva quando, ao longo de décadas, situações idênticas aconteceram com a equipa do FC Porto no Hotel Altis.
Não sabiam? Sabiam, claro que sabiam. Mas não dá jeito.
Não dá jeito criticar os clubes da capital. Porque, do outro lado da narrativa, está o clube que eles odeiam: o nosso Futebol Clube do Porto — que nas redações de jornais, rádios e televisões tantas vezes é tratado com o desprezo que não ousam assumir em público.
É feio não deixar os jogadores descansar? É.
Mas acontece em todo o lado. Não é exclusivo do Porto.
Esconder bolas é feio? É.
Mas igualmente feio é quando bolas — e até apanha-bolas — desaparecem estrategicamente quando a equipa da casa está a ganhar. Querem exemplos? Googlem e encontrarão muitos episódios nos estádios da capital. Umas vezes são apanha-bolas diligentes, outras vezes são elementos da equipa técnica mais “prestáveis”.
Mas os bandidos são sempre os do Norte.
Pagamos um preço pesado no discurso dos cronistas da capital porque cometemos um pecado imperdoável: deixámos de ser os “bons rapazes”. Obrigado, Jorge Nuno. Obrigado, Zé do Boné. Tivemos a ousadia de mostrar as garras. Fizemos o que eles não suportam: GANHAR.
Ganhar muito. E conquistar títulos nacionais e internacionais.
Das toalhas, nem vale a pena perder demasiado tempo.
As redes sociais estão cheias de vídeos e fotografias captadas depois dos 66 minutos até ao final do jogo, onde se vê claramente as toalhas junto à baliza de Rui Silva. Se tiverem olhos sem cor clubística — e um mínimo de honestidade intelectual (estou a pedir demasiado não estou?) — talvez fosse tempo de reconhecer o exagero e pedir desculpa pelo ruído criado.
Quanto aos alegados “posters” no balneário, a montanha voltou a parir um rato. Ou soldadinho de chumbo. São inúmeros os vídeos de visitantes do Estádio do Dragão que desmentem a narrativa inflamada.
Mas a questão é mais profunda.
Querem falar de isenção? Então falemos dos autocarros com atletas e adeptos do FC Porto atacados por energúmenos armados com paus, gás pimenta e engenhos incendiários. Falemos das agressões. Falemos da intenção clara de causar danos graves — talvez piores.
Isto não é invenção.
Não é teoria da conspiração “dos nortenhos”.
É realidade. E foi provado em tribunal. Houve condenações.
Lembram-se dos episódios recentes em que adeptos do FC Porto foram fechados dentro das suas viaturas e estas incendiadas?
Onde estavam os programas televisivos em repetição “ad nauseam”? Onde estava a verborreia indignada do costume a clamar por vergonha nacional?
Silêncio.
Hipocrisia.
Falso moralismo.
Ainda bem que o presidente do FC Porto percebeu que não é com boas intenções que se enfrenta quem nos hostiliza, quem nos ataca sem pudor e quem não nos respeita., mesmo que tenham no nome andrade. Enquanto ganharmos, eles sentirão na pele — e responderão com bílis.
E já agora, Sr. Presidente: nem todos os sorrisos e beijinhos são genuínos. Nem todos os cumprimentos são leais. Podem parecer cordiais, podem até acenar com simpatia. Mas quando o verniz estala, revela-se a essência.
E a essência, muitas vezes, não engana, é essência de bandido e fede à distância.







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