Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

A PODRIDÃO DA SALOIA "CORTE" LISBOETA: "EMPREGO" PARA A FAMÍLIA

Tudo em família


  • O novo secretário de Estado António Mendonça Mendes é irmão da deputada e dirigente máxima socialista Ana Catarina Mendes. 
    • Esta, por sua vez, é casada com o antigo ministro Paulo Pedroso. 

Uma ligação excepcional na política portuguesa? Infelizmente, não. Este absurdo é o corolário lógico dum sistema político dominado por laços familiares.


No Governo, Parlamento e na alta administração pública, estamos cheios de casados, primos e cunhados. 

  • O ministro Eduardo Cabrita é casado com Ana Paula Vitorino, que também integra o Governo. 
  • Já a secretária de Estado adjunta de António Costa, Mariana Vieira da Silva, é filha de outro Vieira da Silva, o ministro da Segurança Social. 
  • A titular da Justiça, Van Dunem, é casada com o ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, Eduardo Paz Ferreira. 
  • A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, é filha de Alfredo José de Sousa, ex-provedor de Justiça. 
  • Ainda no actual Executivo, temos o secretário de Estado Waldemar de Oliveira Martins que é filho de Guilherme Oliveira Martins, ex-presidente do Tribunal de Contas e actual presidente do Conselho Fiscal da Caixa; 
  • este, por sua vez, é cunhado de Margarida Salema, que preside à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos; 
  • esta é irmã da deputada Helena Roseta, casada com o ex-ministro Pedro Roseta, que é cunhado do também ex-ministro António Capucho. 
  • Elisa Ferreira, administradora do Banco de Portugal, é casada com Freire de Sousa que preside à Comissão de Coordenação do Norte.


No Parlamento, também os cargos políticos se congeminam no lar. 
  • O exemplo familiar mais exótico nos dias de hoje é constituído pelas gémeas Mariana e Joana Mortágua; 
  • o mais romântico será constituído pelo casal de deputados Teresa Anjinho e Ricardo Leite. 
Na Assembleia da República, cruzaram-se, ao longo dos últimos anos, mais familiares do que numa ceia de Natal: 
  • Luís Menezes, filho de Luís Filipe Menezes, 
  • Nuno Encarnação, filho do ex-ministro Carlos Encarnação, todos do PSD; 
  • e os deputados Candal, pai Carlos e filho Afonso, ambos do PS; 
  • a que se juntam Paulo Mota Pinto, filho do anterior primeiro-ministro Mota Pinto e da ex-provedora da Santa Casa da Misericórdia, Fernanda Mota Pinto; 
  • Clara Marques Mendes, deputada, é filha e irmã de dois outros Marques Mendes, António e Luís. 
    • António foi eurodeputado, Luís ministro e líder parlamentar; 
  • Teresa Alegre Portugal era deputada na mesma bancada do seu irmão, o histórico dirigente socialista Manuel Alegre.


A consanguinidade reina no... reino político
  • Paulo Portas, ex-ministro e líder do CDS, é primo do todo-poderoso socialista Jorge Coelho. 
  • O ex-secretário de Estado de Passos Coelho, João Taborda da Gama, é filho do socialista Jaime Gama, antigo presidente do Parlamento. 
  • António Campos, ex-ministro, é pai de Paulo Campos, deputado. 
  • O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar é primo do Conselheiro de Estado Francisco Louçã. 
  • E este é cunhado de Correia de Campos, presidente do Conselho Económico e Social e ex-ministro da Saúde. 
  • A histórica presidente do Partido Socialista e ex-ministra dos governos de Guterres, Maria de Belém Roseira, é tia de Luísa Roseira, membro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.


Esta é uma lista interminável que se inscreve numa tradição que transitou do antigo regime. E que se manteve, transpondo - e suplantando até - a Revolução de Abril. 
  • O ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho é filho de um governador civil de Viseu, nomeado pelo Governo de Salazar. 
  • O presidente de Assembleia Constituinte da jovem democracia de Abril, Henrique de Barros, era cunhado do último chefe do Governo do velho fascismo, Marcelo Caetano. 
  • Em sua homenagem, o actual presidente da República herdou-lhe o nome. Marcelo Rebelo de Sousa é, ele próprio, filho de um ministro do Ultramar de Caetano.


E é neste quadro de sucessão dinástica que Portugal, uma arruinada República, mantém uma Corte decrépita, dominada por umas poucas dezenas de famílias que estão agarradas ao poder público e às benesses que este proporciona. Para aceder ao poder, não será necessário grande consistência política ou ideológica ou sequer sentido de interesse público. Em primeiro lugar, o que prevalece, são os laços de sangue.

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