Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

All Cochete, Pontes, TGV e afins

Camelos!

Vem aí o betão!


"O sacrossanto betão é a morfina da economia lusitana. Alivia as dores mas não evita a morte do doente há muito condenado. A estratégia está decidida. Não é nova, é mais do mesmo e foi anunciada no Dia de Reis na reunião informal do senhor presidente do Conselho José Sócrates com os ministros sérios, sem gravata e com muito medo de serem postos na rua a qualquer momento. O encontro em S. Bento teve direito a umas cantigas e a umas declarações patéticas do senhor ministro das Finanças sobre o extraordinário crescimento económico e o espantoso défice em 2007. Anúncios requentados, estafados, que omitem um facto importante.

Desde 2005 até agora o Estado não parou de aumentar os seus gastos e o milagre da falsa consolidação orçamental deve-se unicamente ao ataque fiscal sem precedentes aos bolsos dos indígenas e das empresas, principalmente pequenas e médias, pela voraz máquina fiscal, que não olha a meios para encher os cofres do monstro com os euros espoliados aos desgraçados que têm a má sorte de viverem e trabalharem neste sítio cada vez mais pobre, cada vez mais triste, cada vez mais perigoso e cada vez mais mal frequentado. A estratégia nada tem de novo.

É uma receita da Monarquia, da República, da Ditadura e da Democracia. É o velho fontismo para tapar buracos e caminhos errados. É o recurso ao sacrossanto betão para esconder a triste realidade de um sítio em que a economia não descola, o desemprego dispara, as empresas são incapazes de enfrentar a concorrência do mundo global e em que, hoje como ontem, só engordam os grupos que pertencem há anos e anos ao grande e monstruoso complexo salazarento. Vêm aí obras públicas, são 12 mil milhões de euros para gastar até 2012. Aeroportos, TGV, pontes, estradas e auto-estradas. Para esconder, mais uma vez, a realidade, aumentar o emprego e o PIB de forma artificial e temporária, para engordar o sector financeiro estatal e paraestatal e as empresas que viveram, vivem e contam viver à conta das obras públicas.

A qualificação, o investimento na formação dos cidadãos, uma tarefa ciclópica sem resultados a curto prazo, que não dá votos nem fortunas ao Bloco Central da política, dos negócios e dos interesses, essa ficará apenas pelas palavras bonitas de uns e outros e por programas demagógicos, colados com cuspo que apenas servem para melhorar estatísticas. O sítio desperdiçou milhões, perdeu o comboio da qualificação e continua a caminhar tristemente para o abismo. Não tem memória, não tem estratégia, não tem visão, tem um presente miserável e começa a ficar sem futuro. O sacrossanto betão é a morfina da economia lusitana. Alivia as dores mas não evita a morte do doente há muito condenado."


António Ribeiro Ferreira