Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Parque Oriental - o parque esquecido


Na parte oriental da cidade do Porto, como o próprio nome indica, existe um parque urbano que parece sofrer do mesmo problema que a freguesia onde se encontra inserido – o esquecimento. Estamos em Julho de 2016 e aquilo a que se chamou a primeira fase de construção do parque foi inaugurada à precisamente 6 anos, em Julho de 2010. No entanto, grande parte dos portuenses parece não saber da sua existência, ou pelo menos, não o têm presente na sua memória e muito menos na sua lista de destinos.


O Parque Oriental da Cidade do Porto está localizado na freguesia de Campanhã e é atravessado pelo rio Tinto, ocupa neste momento uma área de aproximadamente 10 hectares mas o projecto inicial prevê um total de 53 hectares a obter ao fim de várias fases de construção. Este parque foi projectado pelo mesmo autor do Parque da Cidade, o arquitecto paisagista Sidónio Pardal.

Os parques urbanos são elementos previstos no ordenamento do território para a promoção de uma cidade mais sustentável e embora sejam diversas as definições e interpretações do que é efectivamente uma cidade sustentável existe um indicador de extrema importância e comum a todas as interpretações, a qualidade de vida. Como pode então um parque urbano contribuir para uma cidade sustentável e para a qualidade de vida numa cidade? A resposta resume-se a um contributo de três factores inerentes às áreas verdes: factor ambiental, factor económico e factor social. O factor ambiental pressupõe, como seria de esperar, vários contributos a nível ambiental como a purificação atmosférica e aquática, a filtragem de vento e ruído, a estabilização microclimática, entre outros. Por sua vez, o factor económico advém da diminuição de custos para a cidade, como por exemplo, com a redução de poluição atmosférica ou ainda do valor acrescido de atractividade da cidade como destino turístico proveniente dos eventos recreacionais e aspectos estéticos do parque. E finalmente, o factor social que está intimamente ligado com questões de saúde física e mental. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a saúde humana é definida por um “estado completo de bem-estar físico, mental e social e não apenas pela ausência de doenças e enfermidades”, desta forma, um parque urbano tem a capacidade de promover vários factores fundamentais para a saúde humana, como é o caso da actividade física, a redução de stress, a interacção social, o sentimento de tranquilidade, etc.

Ora, pelas palavras do autor deste parque o projecto teve como intenção “transformar um espaço compartimentado e acidentado de campos num contínuo natural, relvado, arborizado e com uma rede de caminhos onde as pessoas tenham prazer em passar uns tempos livres em sossego”. Desta afirmação depreende-se claramente que foi um dos objectivos principais desta construção a contribuição ao nível social para a melhoria da qualidade de vida, no entanto, o parque parece ter pouco impacto no dia-a-dia dos portuenses que na sua maioria escolhem outros parques e áreas verdes para a prática das suas actividades ao ar livre. Deixando-nos então com a seguinte questão: qual é o motivo que provoca o isolamento do Parque Oriental?

O parque encontra-se em bom estado de conservação e verificam-se esporadicamente a introdução de novas plantas e arbustos. Tornar-se-á mais apelativo para a população quando todos os 53 hectares estiverem construídos? Talvez para os amantes de desportos ao ar livre (como por exemplo ciclistas) o achem mais interessante nessa altura. Será a localização e o acesso ao parque difícil e insuficiente? Normalmente os utilizadores de parques desta natureza têm preferência em fazê-lo a pé e apenas se este se encontrar a uma curta distância do seu local de residência. Será que peca pela ausência de eventos de grande abrangência, como concertos ou actividades lúdicas? Ou pela ausência de estruturas de cariz educacional e entretenimento como é o caso do Pavilhão da Água e o aquário Sea Life?

Será talvez altura de repensar a forma como se desenvolve este projecto e a finalidade do mesmo. Deve continuar a apostar-se na vertente social do parque urbano ou seria mais benéfico para a cidade apostar na introdução de ecossistemas animais e produção de recursos naturais? Apostar no parque para uma vertente educacional fornecendo os meios para a existência de um laboratório natural onde os mais jovens podem interagir e aprender directamente com a natureza seria certamente uma boa forma de dinamizar o parque e promove-lo junto dos portuenses. Ou talvez seja tudo apenas uma questão de tempo, afinal como diz o ditado “primeiro estranha-se e depois entranha-se”.

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