Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Um acampamento de Verão de um partido de governo

A jornalista Maria João Lopes do Público escreveu uma peça sobre a universidade de Verão do Bloco de Esquerda que decorre há já 13 anos. O Bloco de Esquerda é hoje um partido de governo e que insiste em ter todas as escolas sob supervisão do estado. É importante por isso ver o que o Bloco de Esquerda ensina aos seus jovens. Comecemos então a analisar a peça do Público:
“No acampamento construímos um pouco a realidade que queremos no mundo – uma realidade alternativa, livre de opressões.”
O mundo aguarda impacientemente a realidade alternativa livre de opressões que está a ser construída em Oliveira do Hospital.
Há, no entanto, algumas regras: não se permite sexismo, homofobia, ou racismo, por exemplo.
Não se permite? Mas não era suposto o acampamento ser livre de opressões? Se um dos participantes quiser fazer uma piada com loiras, vê esse desejo oprimido?
Depois há questões de funcionamento que implicam partilha de tarefas como limpeza ou segurança.
Também há voluntariado ou, como diz Catarina Martins, “uma treta” que só serve para roubar empregos a sério.
É um acampamento que se assume anticapitalista. E são cinco dias em que os participantes vivem o mundo que gostariam que existisse lá fora. De tal forma que, “quando se regressa do Liberdade, há quase um choque, de regressar à realidade”
Quando se regressa do acampamento anticapitalista há um choque: podem voltar a usar o iPhone, a beber coca-cola e não precisam de esperar 5 horas para comprar um rolo de papel higiénico. Deve ser aquele choque que sentem os cubanos quando dão à costa na Flórida.
“Ricardo Gouveia recorda que, numa das edições, experimentaram tornar as casas-de-banho e os balneários mistos. “
Jovens mulheres forçadas a partilhar um espaço de intimidade com homens? Que grande ideia! Não consigo vislumbrar nenhum potencial problema com isto…
“Tivemos uma situação em que uma rapariga se sentiu desconfortável com rapazes que usaram esta experiência para olhar para elas.”
Ahhh, que surpresa! Desta ninguém estava à espera. Então colocam homens e mulheres jovens nus no mesmo espaço e os homens olham para as mulheres? A malvada natureza humana sempre no caminho das utopias de esquerda. Imagino que tenham desistido dessa ideia de vez, certo?
“Voltámos às casas-de-banho separadas, mas continuamos a ter no nosso horizonte chegar um dia e poder dizer que vamos tornar isto misto, porque queremos mesmo desafiar os limites do género e os papéis de género e os pudores”
Traduzindo: um dia esperamos ter só homens impotentes e gays no acampamento. Mas para já são só 50%.
Naquele espaço verde, com praia fluvial, música, festas e debates, tudo é política. Até a intimidade e as experiências que se partilham em espaços de conversa, como o feminista ou o LGBTQIA+.
Tudo malta muito aberta, mas continuam a discriminar 16 letras do alfabeto.
Fala-se de sexualidade, de poliamor. “Costumo dizer que tudo é político”, diz Ana Rosa.
Portanto, a sexualidade e o poliamor são política. Então e as festas?
As próprias festas são pensadas para que sejam também políticas.
Ah, já entendi (wink wink😉 ). Há um clube de swingers no Barreiro que também faz umas festas “políticas” porreiras.
Mas olhemos então ao programa de debates do acampamento:
Alguns exemplos dos debates e dos temas que estão no programa deste ano: ‘(…) Desobediência civil (Irina Castro e Ricardo Martins);
Como aquela dos pais que inscrevem os filhos nas escolas com contrato de associação apesar dos cortes? Ou como a dos camionistas que vão abastecer a Espanha depois do aumento do imposto sobre combustíveis?
A Guerra dos Tronos e os Tratados Europeus (Pedro Filipe Soares);
Subtemas: “A troika de dragões e o austeritarismo dos Stark”, “Separação entre estado e religião – por Cersei Lannister” e “Whitewalkers: invasores ou refugiados?”
Houve mesmo descobrimentos? A história alternativa da expansão portuguesa (Bruno Góis e Carlos Almeida);
Mas o Bloco quer-nos tirar a única parte da história que temos alguma razão para nos orgulhar? Já imagino o tema do próximo ano: “Ganhamos mesmo o Euro2016? A história alternativa do golo do Éder”. O melhor é voltarmos às festas. Então, que festas haverá?
Haverá um “espaço feminista”, uma “festa feminista”, uma “festa LGBTQIA+”.
A festa do abecedário parece chata, mas esta festa feminista tem algum potencial. Em que é que consiste?
Numa festa feminista como esta não há espaço para sexismo nem machismo. Optou-se por ter DJ mulheres ou mulheres transgénero. Músicas com letras machistas, “nem pensar”, avisa Ana Rosa. Uma das DJ só vai passar músicas de bandas de raparigas.
Portanto, Quim Barreiros está definitivamente excluído, certo? E também há jogos e cowboiada?
“Quanto aos jogos, há um em que duas pessoas do mesmo género (binário ou não) trocam uma laranja com o pescoço. “Normalmente cai. É um desastre sempre, mas é divertido,”
Fazer cair a laranja é um desastre, mas é divertido. Isto deve dar para alguma metáfora política que agora não consigo vislumbrar.
Também fazem um “comboio de massagens” – as pessoas têm de fazer massagens nas costas de outra pessoa ou na cintura.
“É só uma massagem”, o truque mais antigo da história.

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