Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Um Porto sem Norte

Decorridos três quartos do presente ciclo autárquico, estamos num momento em que a cidade do Porto, os seus cidadãos e instituições devem, de forma ponderada e racional, fazer uma avaliação séria do desempenho dos actuais responsáveis pela governação da Câmara Municipal.

É um exercício que, por entre muita exposição mediática, gastos em "fogo de artifício" e uma grande generosidade de alguns meios de Comunicação Social, Rui Moreira procura contornar promovendo a imagem de uma pretensa independência e consensualidade que estão muito longe de corresponder à realidade.

A verdade é que, no seu dia a dia, os cidadãos vão-se confrontando com uma Autarquia paralisada e que não responde às suas necessidades. Os factos são inequívocos e só a falta de competência, de rigor e de trabalho justificam este incompreensível recuo na qualidade de vida e na competitividade de uma cidade que regista uma profunda perda de população, particularmente agravada em espaços como a Baixa.

A política social foi entregue ao Partido Socialista, com o regresso imediato das regras dos interesses pessoais e de determinadas colectividades, tudo gerido sem critério e sem outros objectivos que não sejam os de ganhar votos, relegando para segundo plano os princípios de isenção, transparência e apoio aos mais carenciados, únicos que devem nortear este sector.

No urbanismo, instalou-se o caos, com o vereador a ser sucessivamente ignorado, ou mesmo desautorizado, num cenário que começa a trazer à memória os tempos cinzentos da desgovernação socialista. O último caso vindo a público em que a presidência não leva ao conhecimento do Executivo e da Assembleia Municipal acordos sobre interesses urbanísticos que envolvem o presidente e a sua própria família fazem temer o pior. Para quem pediu auditorias ao bairro do Aleixo, em que tudo foi tratado de forma e com conhecimento públicos, a diferença é, no mínimo, arrepiante.

O trânsito vai ficando cada vez mais caótico. As ruas não são objecto de adequada manutenção e vão-se sucedendo intervenções incompetentes que geram o caos e o desespero, como a desnecessária actuação na Foz e, pior ainda, em Costa Cabral, rua que em poucos meses viu destruída grande parte da sua actividade económica.

O investimento não ultrapassou em 2015 mais do que 12% do orçamento da Câmara, tendo-se gasto cinco milhões de euros em festas e animação, num bolo em que a despesa corrente com avenças diversas foi a grande aposta.

A uma escala regional, somos confrontados com um completo isolamento do Porto face à restante Região Norte. Ao invés de assumir a responsabilidade de unir toda a região em torno de um projecto comum de coesão territorial, o Porto assume uma postura de verdadeiro confronto. São conhecidos diversos casos, como os "insultos a Vigo", os remoques a outros autarcas do Norte ou a lamentável cumplicidade de Rui Moreira com o Governo Socialista perante o verdadeiro assalto à independência da CCDR-N. Sabemos que estas atitudes interessam, e muito, ao centralismo de Lisboa, mas é surpreendente ver, nada mais, nada menos, do que o próprio presidente da Câmara do Porto a alinhar neste jogo.

O PSD do Porto sempre se afirmou por valores e princípios sólidos, no que deve constituir a base de uma governação da causa pública: seriedade, transparência, preocupação com valores sociais e privilégio do trabalho, em detrimento do momentâneo, da política mediática e do envolvimento em e com interesses instalados, ou em instalação.

O expoente deste modelo de afirmação de forma de estar na política teve a sua expressão máxima nos doze anos de presidência do PSD, justa e sucessivamente reconhecidos pela população. Foi precisamente por ter criado a ilusão de que era herdeira desta boa gestão, que a candidatura de Rui Moreira conseguiu conquistar o poder.

Por isso, o PSD é e será oposição a esta política do faz de conta, onde os valores da CMP passaram a ser os interesses da imagem pessoal do presidente e de alguns vereadores. Afirmar independência não nos torna independentes. Afirmar transparência não faz de nós transparentes.

O PSD do Porto quer uma mudança, para que a cidade volte a ser respeitada pelos seus valores e não pelos incêndios mediáticos que a infinita vaidade teima em colocar na agenda diária. Sabemos como recuperar um Norte que hoje está perdido num emaranhado de interesses e geringonças políticas aberrantes.

Somos e seremos a alternativa que o Porto precisa.

[Miguel Seabra]  PRESIDENTE DO PSD PORTO

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