Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

"Aurélia, mulher artista", em exposição no Porto e em Matosinhos


Para celebrar os 150 anos desde o nascimento de Aurélia de Sousa, o Museu da Quinta de Santiago, em Matosinhos, e a Casa Museu Marta Ortigão Sampaio, no Porto, vão expor “Aurélia, mulher artista”.

A exposição, inaugurada ontem, pelas 18h30, no Museu da Quinta de Santiago e, simultaneamente, na Casa Museu Marta Ortigão Sampaio, acontece precisamente cento e cinquenta anos depois do nascimento da pintora na cidade chilena de Valparaíso.

A parceria das câmaras do Porto e de Matosinhos permitiram à exposição, que é comissariada por Filipa Lowndes Vicente, celebrar “a obra daquela que é uma das mais importantes pintoras portuguesas de todos os tempos”, recorda a autarquia matosinhense em comunicado.

A mostra terá patente a obra pictórica e fotográfica de Aurélia de Sousa e divide-se em dois temas por dois espaços: no Porto, destaca-se “a figura humana, os retratos e auto-retratos, as cenas familiares e de rua”, enquanto em Matosinhos serão expostas “as obras dedicadas à natureza, nomeadamente as naturezas mortas e as paisagens”.

Citada em comunicado, a comissária da exposição destaca “uma artista que trabalhou num contexto histórico em que ser mulher ou ser homem tinha implicações muito distintas na construção de uma carreira artística: dos lugares onde se podia estudar aos círculos que se podia frequentar; dos modos como a crítica de arte julgava o trabalho à percepção negativa que estava quase sempre associada à ‘mulher-artista’, situada na fronteira pouco definida entre amadorismo e profissionalização”.

A ideia é criar “uma abordagem histórica da artista e do seu contexto de vida”, contexto esse que é o elo entre os dois espaços e entre as raízes portuenses da pintora e a artista internacional que se tornou.

A exposição poderá ser vista, no Museu da Quinta de Santiago, em Leça da Palmeira, de terça a domingo das 10h às 18h, até ao final de Agosto, e de Agosto até ao final da exposição, a 30 de Outubro, no mesmo horário de segunda a sexta-feira e aos sábados, domingos e feriados das 15h às 18h.

Na Casa Museu Marta Ortigão Sampaio, a exposição está patente de terça-feira a sábado das 10h às 17h30 e aos domingos das 10h às 12h30 e das 14h às 17h30.

Formada na Academia de Belas-Artes do Porto, teve em Paris a primeira exposição, ainda antes de regressar a Portugal, em 1901, 21 anos antes de morrer, no Porto.

Durante a carreira, foi influenciada pelo pós-impressionismo e naturalismo e, segundo escreve Raquel Henriques da Silva, biógrafa da pintora, a sua obra “regista a silenciosa narrativa da casa: a presença da velha mãe, os afazeres das mulheres e das crianças, os cantos escuros da cozinha e do atelier, as tardes em que a luz se confunde com os fatos de verão, os caminhos campestres ou as vistas do rio”, características de uma “pintura vigorosa, raramente volumétrica, detida na análise das sombras para nelas captar a luz”.

O historiador César Santos Silva traçou no Porto24 uma nota biográfica da pintora, que pode recordar aqui. [artigo e fotografia]

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