Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Mais um cartilheiro lampião que anda atacar o FCPorto

"comentador" na SporTV
O boifica e os boifiquistas têm um grande desgosto que explica um grande complexo: o facto de em democracia nunca terem atingido o mesmo sucesso que alcançaram durante o fascismo. Por muita retórica que desenvolvam, os números não enganam, e os dados relativos às vitórias internacionais, que são os mais inequívocos em relação à força dos clubes, são absolutamente esclarecedores, principalmente se lidos em comparação com os do FC Porto: o boifica ganhou dois títulos europeus durante o Estado Novo e nenhum desde o 25 de Abril; o FC Porto venceu sete provas internacionais após 1974.
Este complexo explica um forte investimento da comunicação institucional e parainstitucional da turma de Carnide na anulação da ideia de que há dois boificas: um boifica pré-25 de Abril e um boifica pós-25 de Abril. E agora perguntamos aos nossos caros camaradas de Baluarte: em que é que se traduz esse investimento? A resposta, face ao que se tem sabido nas últimas semanas, não é muito difícil de imaginar: numa cartilha. Trata-se, talvez, de uma das primeiras cartilhas, e ainda é possível encontrá-la nos confins da internet, através de critérios de pesquisa refinados e algum investimento. Não tem data, mas sabemos que a sua redacção remonta a um período entre 2005 e 2006.
Tal como as cartilhas recentemente divulgadas, é um documento longo, com 23 páginas, intitulado “As verdades deturpadas da história do boifica”. Encontra-se integral ou parcialmente citado em vários sites e blogues e foi frequentemente reproduzido por diversos comentadores televisivos. Em tempos, esteve alojado no próprio site do clube e disponível para todos os adeptos, o que elimina qualquer eventual dúvida sobre a sua autenticidade. Entretanto foi eliminado, mas, como tudo na internet, o seu rasto permanece para a posteridade (links abaixo). É, ele próprio, um documento digno do seu próprio título: não passa de um conjunto de verdades deturpadas, sobre variadíssimos assuntos, que a seu tempo serão aqui desmascaradas.
Hoje a actualidade impõe-nos que olhemos para este documento numa perspectiva ‘reprodutiva’, ou seja, que procuremos verificar qual é o alcance desta cartilha, como é utilizada, por quem e para quê. E há uma figura que emerge nessa análise: Pedro Adão e Silva, sociólogo, professor universitário, colunista do Record, comentador da SPORT TV e cartilheiro desde, pelo menos, 2014.
Há menos de um mês, Adão e Silva dedicou um artigo no Record à polémica das cartilhas. Referindo que “Cartilha só conheço a Maternal do João de Deus”, afirmou a sua independência e o livre-arbítrio das suas críticas: “escrevo aquilo que penso e digo o que me apetece”. Palavras bonitas, reveladoras de uma atitude que não se poderia esperar diferente de um cientista respeitado e respeitável.
Se avançarmos três semanas no tempo, encontramos um novo artigo de Pedro Adão e Silva no Record, disponibilizado numa versão mais desenvolvida num blogue do autor. Intitula-se “Campeão da democracia” e é mais um daqueles esforços de descolagem da imagem do boifica face ao Estado Novo de Salazar. Se alguém se der ao penoso trabalho de ler a longa cartilha – e nós demo-nos – em paralelo com este texto, não terá qualquer dificuldade em perceber onde se ‘inspirou’ Pedro Adão e Silva. 
Os pontos em comum são inúmeros, e neles se incluem as referências: 
  • às origens populares do clube (p. 18 da cartilha); 
  • aos presidentes oposicionistas do clube (p. 18 da cartilha); 
  • às datas de inauguração dos estádios dos três grandes (p. 19 da cartilha); 
  • à data do primeiro jogo da selecção nacional no estádio da luz (p. 19 da cartilha); 
  • à letra do antigo hino do boifica (p. 19 da cartilha); 
  • ao método de eleição dos presidentes do clube (p. 18 da cartilha). 
Em poucas palavras: toda a argumentação do texto publicado no Record por Pedro Adão e Silva está disponível na cartilha elaborada há mais de dez anos e, desde então, constantemente difundida por diversos cartilheiros (sempre que ouvirem um comentador boifiquista dizer que o caso Calabote é um mito, consultem este documento e verão que se limitam a reproduzir os seus conteúdos deturpados).

O que é que se retira de toda esta história?
1. As cartilhas do boifica existem mesmo, e há muito mais tempo do que se imagina.
2. As cartilhas do boifica não são, como alguns cartilheiros tentaram fazer passar, apenas “informação circunstanciada” disponibilizada aos comentadores. As cartilhas do Benfica são argumentários que devem ser veiculados pelos comentadores.
3. As cartilhas do boifica não são apenas orientações do clube. São, efectivamente, assumidas e reproduzidas disciplinadamente pelos comentadores que as recebem. São um plano e a sua concretização em si mesmas.
4. Através da elaboração das cartilhas e da sua fiel reprodução pelos comentadores que lhe são afectos, o boifica consegue contaminar um espaço público de opinião que, sendo naturalmente dedicado à defesa dos clubes, deve também ser um espaço de liberdade crítica.
5. Uniformizando a crítica produzida por aqueles que lhe são afectos e alimentando uma milícia de terrorismo argumentativo contra os adversários, o boifica consegue de uma forma muito eficaz condicionar a seu favor a formação da opinião pública. 
Ou seja, os leitores, ouvintes e telespectadores que têm contacto com estes comentadores acabam por ser sempre confrontados com os mesmos argumentos e as mesmas opiniões, consistentemente preparados, que são nada mais nada menos do que as posições oficiais do clube (que dispõe de inúmeros outros meios para difundi-las: btv, site, redes sociais, jornal oficial, intervenções de membros dos órgãos sociais, etc.).
O que o boifica faz com as cartilhas e com os cartilheiros é um exercício de condicionamento da liberdade de opinião, tanto dos comentadores, como dos ouvintes, típico de regimes políticos não democráticos. Não deixa de ser irónico, por isso, que Pedro Adão e Silva, para defender que o boifica é “Campeão da democracia”, entre ele próprio num esquema… que de democrático não tem nada.
Link original da 

Cartilha:
A cartilha: 
Artigo de PAS sobre cartilhas: 
Artigo de PAS “Campeão da democracia”: 
Artigo de PAS “Campeão da democracia” (versão desenvolvida):

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