Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Tunísia

Já estive, com a minha mulher, na Tunísia. Na primeira ocasião percebemos a pobreza, o controlo (na praia, à noite havia militares armados e durante o dia havia dissimuladas barreiras à entrada da zona dos hotéis), mas também tivemos a oportunidade de conhecer um casal tunisino que estava no mesmo hotel em Hammamet. Foram algumas das nossas diferenças e a nossa curiosidade que nos aproximaram. Partilhamos conversas e sentimentos, mostraram-nos orgulhosamente o seu país. Embora não me tenham demovido daquilo que penso e repudio dos fanáticos e extremamente perigosos líderes religiosos, ficamos amigos...

Aquele país costuma ser muito procurado pelos portugueses. É um destino próximo (pouco mais de duas horas de avião), relativamente barato, bons hotéis, muito sol, alimentação agradável e muita simpatia dos seus cidadãos.

Para além destes pressupostos, creio também que a nós portugueses, não pode deixar de nos comover a revolução que por lá ocorre: podemos encontrar algumas semelhanças com o nosso 25 de Abril. Como bem salienta Ramon Lobo em Aguas Internacionales, imagens de pessoas felizes que se abraçam aos polícias ou de militares que se recusam a disparar sobre os cidadãos fazem parte do nosso imaginário colectivo. É muito bom que outros povos possam vivê-las.

Ao Ocidente, estas ocorrências na Tunísia devem fazer com que a Europa reveja o seu papel face aos países do Norte de África. Nalguns,à semelhança da Tunísia, como a Argélia, Marrocos, a Líbia e mesmo o Egipto vivem sob regimes ditatoriais, militarizados e/ou corruptos. Sendo países de forte emigração para a Europa, deveriam e mereciam um olhar diferente e menor complacência dos governos ocidentais.

Como se pode comprovar, pelo menos até agora, a situação tunisina demonstra a possibilidade de revoluções democráticas no mundo árabe, com origem exclusiva na revolta contra a corrupção e a injustiça social e em que o fundamentalismo religioso não assume qualquer papel activo, pelo menos aparentemente, pois creio que o fundamentalismo religioso é assim uma coisa como o comunismo e as bruxas...

Até porque me parece que o fanatismo religioso é, em boa parte, uma resposta sociológica a sociedades corruptas e opressivas e não pode constituir uma desculpa para que os povos sejam abandonados à sua sorte sempre que os interesses geopolíticos aconselham um fechar de olhos egoísta.

Será que esta revolução em curso na Tunísia poderá ser um virar de página na situação política do Magrebe, servindo de exemplo à luta cívica de povos vizinhos? As consequências são imprevisíveis.

Seja como fôr, este será o momento de todos os perigos. Os tunisinos ainda nada conseguiram e surgirão por certo, tal como aconteceu em Portugal, movimentos e tensões sociais que procurarão pôr em causa o caminho para a democracia. O tal fundamentalismo religioso. E isso era o que faltava à paz na Europa e na região...

Como disse no início, guardo da Tunísia boas memórias, para além de um forte aroma a especiarias e a jasmim. Espero que os tunisinos possam agora experimentar também as fragrâncias da liberdade e do desenvolvimento sem caírem na tentação do fanatismo religioso.

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