Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a corrupçao, o centralismo e colonialismo lisboeta!

Batalha de La Lys: foi há 93 anos!

Um tributo ao meu avô

Sendo uma das mais antigas nações do mundo, foram inúmeras as batalhas travadas pelos bravos soldados portugueses. Honra, glória, mas também desonra, vergonha e humilhações. Mortes, muitas. Muitas vitórias, derrotas também. Algumas mais importantes que outras, mas em todas houve esforço e sacrifício individual por um ideal colectivo. Podemos referir que a participação do nosso país na Primeira Guerra Mundial foi mal organizada, gerida por hierarquias obsoletas e não adequadas para uma nova forma de guerra. Na sua essência serviu para credibilizar a República recém instaurada perante os aliados, nomeadamente a Inglaterra, e para defender os territórios africanos dos interesses coloniais alemães.
Em Portugal é todo o mundo rural que está em guerra. Na maioria dos casos, o soldado sai, pela primeira vez, da sua terra natal. Aprende a comer de garfo e faca na tropa. As tropas levam três meses de barco e mais três dias de comboio de Brest até à frente na Flandres. 
As tropas lusas do Corpo Expedicionário Português foram enviadas para a Flandres e aí passaram um inverno especialmente chuvoso e frio. Por lhe ter sido distribuído o sector de menor altitude da toda a região passaram todo o inverno dentro da lama provocada pela água da chuva bombeada pelos alemães colocados nos locais mais elevados, assim como pelos seus esgotos.
Devido a diversos problemas políticos em Portugal, os nossos soldados acabaram por nunca terem sido rendidos ao ritmo trimestral previsto e praticado pelos demais exércitos. No final do Inverno, nove meses após a sua chegada, o moral era baixíssimo. Os oficiais com influência política conseguiam licenças e nunca mais voltavam. Verificaram-se deserções e suicídios.
No início da primavera, a 9 de Abril, quando o tempo começava a melhorar, deu-se a Batalha de La Lys. Todos já ouvimos falar da estrondosa derrota que sofremos. O ataque alemão foi preparado durante todo o inverno, e foi a última grande ofensiva das forças do Eixo antes da sua rendição em Novembro desse ano.
Eis uma breve cronologia dos terríveis acontecimentos:


6 de Abril de 1918. A primeira divisão retira da frente. Fica a quinta divisão (conhecida por segunda divisão reforçada). No comando da quinta divisão, o Brigadeiro Gomes da Costa (um duro que instaurará o Estado Novo com o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926) substitui o General Simas Machado. Há nove meses que as tropas estão na frente de combate. Era caso único entre os aliados.
O soldado da trincheira vê pouco: gases químicos lançados pelos alemães e nevoeiro. O soldado da trincheira ouve muito: o som da metralha, dos morteiros, da artilharia alemã. O revestimento da trincheira é de madeira ou de ferro. A lama da frente agarra-se ao corpo e torna o avanço muito difícil. O soldado abriga-se em buracos reduzidos, revestidos de chapa com escoras de madeira e sacos cheios de terra. Há numerosos ratos. Dentro do abrigo, o mobiliário é de pinho, um ou dois leitos, instrumentos mínimos de higiene.


8 de Abril de 1918. A situação é de alerta máximo. Aguarda-se a todo o momento um ataque do inimigo alemão. Tinha havido uma carga alemã até perto de Amiens (Operação Michael). Os aliados situam-se perto das ribeiras de La Lol e La Lys na Flandres.
Portugal dispõe de duas divisões com tropas de artilharia, infantaria e cavalaria. A segunda divisão do Corpo Expedicionário Português espera ser rendida no dia 9 de Abril. No comando da primeira divisão, está o General Tamagnini, conhecido pelo seu carácter disciplinador e astuto. A primeira divisão (30 mil soldados) ocupa o sector da frente com 11 km. (Em comparação, 80 mil americanos ocupam 14 km de frente). 

9 de Abril de 1918. 4h15. Começa o bombardeamento alemão: artilharia contra artilharia. Salvas de artilharia de dez em dez minutos. Depois salvas permanentes a partir das 5h15. Das 5 às 8 horas o fogo é contínuo. Segue-se o assalto das tropas alemãs a partir das 8h15. O marechal Douglas Henke, comandante chefe dos exércitos britânicos considera os soldados portugueses "bravos e úteis". Mas as tropas portuguesas sofrem pesadas baixas. 
Os alemães não tinham a certeza do sucesso militar. Escolhem o sector português, porque, com a derrota dos portugueses, os ingleses retiravam para os flancos. Logo, os alemães avançariam na frente. O objectivo dos alemães é empurrar os ingleses até ao Canal da Mancha. Do lado alemão, comandam o General Ludendorf e o Marechal Hindenburg.
Já no dia 8 de Abril, os alemães alteram o seu dispositivo militar. Colocam quatro divisões com quase 50 mil homens, reforçadas no dia 9 de Abril com mais 30 mil soldados. Os portugueses são só 20 mil.


9 de Abril de 1918
. Final da noite. Os alemães capturam seis mil portugueses da segunda divisão e quase 100 peças de artilharia. As tropas alemãs avançam. Mas não cumprem totalmente o objectivo: avançar para além das ribeiras de La Lol e La Lys. Dizimada é a Brigada do Minho. Mas conseguiu resistir juntamente com as restantes tropas portuguesas durante 24 horas.
A trincheira transforma a guerra num impasse de posições. Os Alemães vencem em La Lys. A segunda ofensiva alemã dura de 9 a 27 de Abril, mas com perdas crescentes para o lado alemão. Ainda tentam o assalto a Paris (operacão Valquíria). Detidos pelo General Pétain, são mais tarde vencidos pelo contra-ataque aliado. 

Os poucos sobreviventes regressaram gaseados e incapacitados para uma vida que para muitos foi curta e difícil. O meu avô materno foi um deles. Um sobrevivente, um Herói!




Obs: Os participantes na Guerra de 1914-1918 foram: o Império Alemão, o Império Áustro-Hungaro, a Turquia e a Bulgária que lutaram contra o Império Britânico, a Rússia, a França, a Itália, os Estados Unidos, Portugal, Bélgica, Holanda, Grécia e Roménia.

3 comentários:

Caro Kosta

Chamo a sua atenção para a gralha do "à" sem agá.

Com os melhores cumprimentos,

Barba azul

 

Tem toda a razão; muito obrigado pela correcção.
Um abraço.

 

O post até está bom, ainda bem que o seu avô sobreviveu.

Mas não lhe fica bem vir falar de patriotismo quando ao mesmo tempo defende ideiais pseudo-separatistas.

Porto Canal e partido do Norte, no seu blog roll são exemplos disso mesmo.

O nosso é um pais é um todo e não serão meia duzia de caciques da bola do porto que o vão destruir.

Já que fala de la Lys, lembre-se do soldado Milhais, pois Transmontano e de Murça.

Aqui é tudo benfas, e se for preciso tal como aconteceu na decada de 20 do sex XIX, nós Transmontanos, a temida infantaria do Marão estrá pronta para ir ao Porto por ordem nos portistas e nos seus esbirros separatistas.

Porque meu caro, ou mantemos isto unido ou então passamos a ser comandados pelos castilhas.

Pior, o Porto canal já é controlado pelos espanhóis, e não é por acso.

Convem que perceba que os espanhóis estão a tantar por todos os meios tomar conta de portugal e destruir a unidade nacional, o controle dos media é um passo indispensável para atingir esse desidrato.

Por fim lembre-se que esse norte do pintop da coista acaba em Gondomar ou Valongo.

Para cá do Marão mandam, os que cá estão.