Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Mas isso já existe, senhora de puta da...

Mariana Mortágua pede uma alternativa global ao capitalismo. Ela já existe. Chama-se comunismo e já chacinou, tranquilamente, cem milhões de pessoas


Depois do nascimento da “gerigonça”, muito se escreveu que António Costa estava a abrir as portas a um regresso do PREC ao tornar o seu governo minoritário dependente de partidos como o Bloco de Esquerda e o PCP. “O PS colocou o país refém da extrema-esquerda”, etc.

Embora Portugal não esteja, evidentemente, num período revolucionário em curso, a febre ideológica tomou conta do burgo.

Na discussão sobre os contratos de associação, a esquerda conseguiu fazer regressar a “luta de classes”. De um lado tínhamos “meninos de colégios a jogar golfe”, do outro tínhamos “crianças que não tinham manuais escolares gratuitos” por causa dos contratos de associação. Não há demagogia mais falsa, mas é nesta dialética entre pobres e ricos que a discussão tem sido feita.

A ideia de que o Estado deve ter acesso às contas bancárias superiores a 50 mil euros também se baseia no mesmo argumentário. Na mesma falácia.

Antes, a cidadania não podia ser violentada pela constante suspeita de corrupção, na medida em que um governo que quisesse inspecionar o bolso de todos nós sem qualquer mandato judicial seria um governo a considerar-nos corruptos por natureza. Eu não acredito nesse rótulo.

A democracia não se faz da luta entre blocos opostos porque a democracia é feita da maioria que reside entre eles.

O maior inimigo da “justiça social” - sempre invocada para justificar esta agenda - é a luta de classes; vai contra tudo o que uma sociedade aberta, livre e democrática aspira. É só abrir um livrinho de história.

Na rentrée do Partido Socialista, numa mesa que contava com o seu porta-voz, Mariana Mortágua afirmou: “Cabe ao PS, se quer pensar as desigualdades, dizer o que acha deste sistema capitalista financeirizado e até onde está disposto a ir para encontrar uma alternativa a este sistema”.

Uma alternativa ao capitalismo é o que pede Mortágua ao partido de governo. E esse partido, de tradição democrática, aplaude no fim. Endoideceram?

Gostava que Mariana Mortágua me mostrasse um país no mundo que seja democrático sem ser capitalista. Um único. No dia em que a senhora deputada arranjar esse exemplo, assinarei uma folha de militante do Bloco de Esquerda. Fica prometido.

Aquilo que, por outro lado, já existe é a tal “alternativa global” ao capitalismo que a deputada pediu ao Partido Socialista para procurar.

Chama-se “comunismo” e para o ano a sua primeira grande revolução cumpre um centenário. Desde aí já chacinou, à vontadinha, cem milhões de seres humanos.

As tendências leninistas do Bloco de Esquerda não são novidade. O que é novo e preocupa é a abertura do PS a este tipo de pensamento quando o PS se caracterizava por ser um partido de centro-esquerda, moderado, europeísta, defensor do Estado Social e do Estado de Direito. Não da Coreia do Norte. Não do ataque às poupanças pessoais dos portugueses que é aquilo que esta frase de Mariana Mortágua representa: “A primeira coisa que acho que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro”.

Catarina Martins, sua camarada, não lhe ficou atrás, considerando que “Comprar casa não é investimento. Investimento é quando se cria valor”.

Penso que os portugueses que trabalham para merecer o seu tecto não concordam com tal coisa. Em relação ao Partido Socialista, já não tenho tantas certezas.

Para finalizar, o Conselho de Finanças Públicas veio defender que a estratégia deste governo falhou e Teixeira dos Santos, ex-ministro socialista, pede uma “flexilização dos mercados”.

Por vezes, parece que António Costa, que também fez parte do executivo de Sócrates, deixou o Bloco de Esquerda a governar e foi de férias para o Panamá, tamanha é a distância que mantém de uma realidade que costumava ser a sua.

Estamos, portanto, entregues a um comentador televisivo. É o salve-se quem puder.


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