Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Aldeia da Pena, a magia da serra esconde-se num vale

A estrada para a aldeia da Pena é paisagem ideal para entendermos a Beira. Entre montes e serras, venha com a Goodyear descer ao fundo do vale da Pena.

aldeia da Pena, no coração do maciço da Gralheira, perto de São Pedro do Sul, é um tesouro escondido no fundo de um vale. Conta-se que nestas terras vivia uma serpente dragão e é pelo seu lombo que vai a estrada que nos leva de Macieira até ao lugar da Pena. É pelas escamas de xisto do monstro rochoso que vamos fazer os sete agrestes quilómetros de uma estrada municipal onde, muitas vezes, só pode passar um carro de cada vez. É percurso para ser feito devagar, com mais atenção à paisagem do que deleite na condução, mas são quilómetros que aqui na Goodyear recomendamos e colocamos entre os mais bonitos que podemos fazer de carro em Portugal.

Já andámos várias vezes nas serras deste maciço e até deixámos o relato da nossa subida ao alto de São Macário, pela estrada que passa pelo infame mas imperdível, Portal do Inferno. Terá sido o referido santo que um dia matou o dragão e ficou a ocupar a cova onde este vivia, como um eremita. Mais tarde subiu a encosta e ocupou o local onde se construiu a capela que lhe é dedicada, mas nós hoje vamos conhecer a outra parte da história e descer até ao fundo do vale.


Saída de Macieira

A zona da Macieira foi infeliz protagonista dos incêndios que andaram pela região durante o verão de 2016 e a vida deste povo, que têm parte importante do seu sustento a nascer nas explorações florestais, foi seriamente ameaçada. A produção da castanha e mel pode ter sido afectada este ano, mas se andar por aqui no segundo fim de semana de Novembro vai poder provar alguns dos melhores exemplares que a Beira produz na feira anual da aldeia.

Cruzamento para São Pedro do Sul 

Apesar de curiosa e plena de actividade agrícola, não há muito que ver em Macieira e prosseguimos imediatamente pela estrada municipal no sentido de São Macário. Vire à direita no cruzamento, na direcção da fiada de geradores de energia eólica e levante o pé do acelerador. A estrada que vamos seguir durante os próximos quilómetros é apertada, não tem o melhor piso e o condutor tem muito com que se distrair.

Subida ao lombo da Pena 

À nossa direita vemos o alto da serra de São Macário, para lá do vale e da extensão de rosmaninho rasteiro que nos separa, e percebemos o quão súbitos são os humores desta paisagem: estas encostas podem decidir ser inacessíveis só porque sim e os longos campos suavemente ondulados podem ver nascer blocos de rocha bruta que nos recorda que, apesar de tudo, o Homem aqui ainda é só um convidado.

No dorso do monstro, a combater moinhos de vento 

Com o passo da serra ao nosso lado esquerdo e a companhia dos pinheiros silvestres e da urze a debruçarem-se sobre o vazio do lado direito, prosseguimos a nossa lenta progressão. Em algumas curvas do caminho conseguimos ver, lá em baixo, o casario de Macieira. Pare uns minutos à beira da estrada (não se preocupe, pois não passa aqui muita gente) e aprecie o horizonte. Estamos a apenas 600 metros de altitude, mas a vista é completamente desimpedida e vemos os picos em volta, outras tantas serpentes-dragão que dormem à espera da nossa visita.



O inferno à direita 

Para continuarmos na direcção do Portal do Inferno e subir até aos 1000 metros, viraríamos aqui à direita para encontrar uma vista assombrosa. Contra o senso comum, para nos afastarmos do “Inferno” vamos afinal para as profundezas. Aqui, pouco mais à frente, vai começar a descida na direcção do vale onde se esconde a Pena, por isso vire na segunda à direita.

Mergulho nas profundezas 

Acabámos de entrar na freguesia de Covas do Rio e a toponímia popular é sempre eficaz. Lá muito em baixo temos o vislumbre da aldeia e parece maior do que nos prometeram. Ao lado da estrada um amontoado rochoso com miradouro para a aldeia permite-nos perceber melhor: deve haver aqui cerca de duas dezenas de casas e sabemos que metade delas nem estão habitadas, mas parece um momento em que o tempo parou e nem a velhice dá cabo desta herança.

Mergulho no vale 
Quando a estrada se decide a descer de forma definitiva e a serpentear pela encosta, começamos a perceber o enquadramento que nos aguarda lá em baixo na Pena: a aldeia confunde-se com a natureza em volta e parece ser o centro de um anfiteatro especialmente desenhado para que todos os caminhos conduzam à aldeia. Os súbitos e brutos montes que a rodeiam não permitem mais do que algumas horas de luz por dia e quem escolheu aqui morar tem que ser gente de cepa muito especial.

Aldeia da Pena 

Está na altura de arrumarmos o carro porque as quatro rodas não podem entrar na aldeia. Com pouco mais de uma dezena de casas para um igual número de moradores (dependendo da altura do ano), aqui em baixo, a aldeia vive das vantagens de ter nascido num vale. A Ribeira de Pena corre cristalina e, apoiada pelo silêncio que é tão fácil de encontrar aqui, é o burburinho que parece ser a voz do xisto. À entrada da aldeia, a Adega Típica da Pena é o tapete de boas vindas para o visitante e serve presunto, queijo da serra, feijoada e o cozido à portuguesa à moda da Pena. Aqui ou nas outras lojas de artesanato local, não se esqueça de se abastecer de mel, porque este aqui vale mesmo a pena.
Antes que o Inverno se instale definitivamente e toda a vida desta zona se torne demasiado agreste para “urbanistas” como nós, revisite estes vales, perca-se entre caminhos estreitos e inspire os aromas silvestres. Ande nestas encostas com horizontes que se estendem ao longo de tantos quilómetros, tire um retrato mental e leve sempre consigo a recordação deste belíssimo céu azul durante os meses cinzentos que estão para chegar.

0 comentários: