Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

O Norte faz-nos muito bem

Com o alto patrocínio do nosso JN e o apoio de vários patrocinadores interessados, mas também amigos das gentes do Norte, tive o prazer de participar ontem numa conferência realizada numa das novas joias hoteleiras da Baixa do Porto, o Intercontinental do Passeio das Cardosas.
Esta conferência, que fechou com chave de ouro o primeiro ciclo da iniciativa do JN, "O Norte Faz Bem", teve tudo o que eu gosto que uma conferência tenha. Pontualidade, intervenções concisas, sucintas e com o tempo predefinido respeitado. Comunicações substanciais em vez de gongóricas ou autocontemplativas, um moderador mais cioso da sua função, que vaidoso das suas funções, um (neste caso foram dois) anfitrião ou promotor que explique no princípio ao que vamos e no fim ao que chegamos, sem se pretender substituir aos oradores. Finalmente, uma plateia interessada e interessante que faça perguntas certas e onde ninguém queira mostrar que era ele que devia ter sido convidado para palestrante.
Na manhã de ontem tivemos isto tudo e muito mais. Estórias contadas na primeira pessoa por empresas do Norte com sucesso mundial, como a JP Sá Couto ou a Las Kasas. O registo de uma parceria público-privada que não tem milhões, mas gasta muito bem os tostões que tem, como é o caso da Modatex, a instituição que reuniu com sede no Porto as três escolas de estilismo (Citex do Porto, Cilan da Covilhã e Civec de Lisboa ) numa só, com bons resultados .
Uma intervenção de fundo magnífica do vice-presidente da AEP, Paulo Nunes de Almeida, que em três penadas recordou o passado do Norte, radiografou-lhe o presente e abriu-lhe as pistas do futuro, dando-nos conta do que está em jogo através de perguntas criteriosas.
Tenho a certeza de que do conteúdo de todas as excelentes intervenções encontrarão noutras páginas do JN relato seguramente mais fiel e mais competente do que o que eu seria capaz de fazer aqui. Gostaria contudo de fixar a minha (e a vossa, leitor amigo) atenção num pormenor, aparentemente um pormenor, que esteve presente em várias apresentações, mas lembro-me com particular nitidez do enfoque que lhe deram o dr. Jorge Fiel, na abertura dos trabalhos e o dr. Nunes de Almeida, naquela que foi a oração mais sapiente do dia: a questão do individualismo, como marca indelével do DNA do homem do Norte. Reparem que digo a questão sem a qualificar e isso é propositado. Se fosse para mim claro que essa marca era indubitavelmente negativa, poderia ter escrito o "defeito" do homem do Norte. On the other hand, se a coisa fosse unanimemente positiva, certamente que a teria assinalado como uma das qualidades desse mesmo homem do Norte.
Nem Jorge Fiel, nem Nunes de Almeida se atreveram a decidir esta magna questão, ainda que o primeiro deixasse no ar alguma antipatia pela característica e o segundo alguma simpatia, mas sem esconder os males que ela já causou.
Percebo bem que o individualismo seja omnipresente nestas conferências ou reflexões e entendo igualmente as dúvidas que suscita. É a velha história sempre presente nas questões alimentares (e até noutras) em que todos sabemos que o que nos sabe melhor é o que nos faz pior. É assim com o famoso individualismo. Também ele a mim me sabe pela vida, sem que eu deixe de concordar com o Nunes de Almeida, que tem sido a causa de alguns dos nossos piores momentos no Norte. Como há coisas na vida e nos homens que não vale a pena mudar (ou já não é mesmo possível mudar a partir de uma certa idade e o homem do Norte já tem séculos) a minha sugestão é que tentemos fazer uma boa gestão deste individualismo. É nas situações de desafogo que o individualismo mais nos prejudica. Nessas alturas em que juntos podíamos ter feito muito mais do que fizemos, cada um se julga autossuficiente e se contenta com o que tem em vez de se deixar tentar pelo que poderia ganhar em conjunto.
Nas situações como a que atravessamos, têm sido alguns individualismos com capacidade de risco que têm ajudado a levantar o país.
Assim sendo, o que proponho para já é uma saudação ao individualismo nortenho porque faz bem ao Norte e há de fazer bem ao resto do país.
No dia em que as vacas gordas voltarem, tentaremos não voltar a cair em tentação. Ou não.

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