Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Por causa destas coisas: regionalizar é preciso!

«Moura é a minha terra. Na realidade nasci aqui ao lado, no concelho de Serpa, mas vivo aqui desde os 4 anos. Vivo na rua ao lado desse jardim, em frente à Biblioteca Municipal onde trabalho.

Saí, como todos os adolescentes que o puderam fazer, para estudar. Não consegui deixar o Alentejo, escolhi Évora para os meus estudos superiores e é por lá que continuo a tentar melhorar um bocadinho mais. Regressei a Moura logo que pude. Na verdade, a minha condição de trabalhadora estudante fez com que nunca a deixasse. Trabalho aqui, para esta terra que agora é minha e dos meus filhos. Cada dia é uma nova oportunidade de fazer algo por esta terra, por estas pessoas que insistem, persistem, não desistem.

Ficámos sem comboios, sem hospital, estamos a ficar sem postos de GNR, sem postos de saúde, sem postos de CTT. Estamos a ficar sem centro de saúde. Estamos a ficar sem gente.

Na freguesia de Santo Amador, por exemplo, todos os anos se ameaça com o encerramento das escolas. As autarquias locais têm procurado incentivar a fixação da população e a personalidade própria da localidade tem atraído casais jovens que se fixaram ali. Os filhos começaram a chegar. Se conseguirmos resistir nos próximos 2 ou 3 anos, todas essas crianças que estão a nascer chegarão para manter a escola aberta. Mas a régua e esquadro das medidas delineadas em São Bento pode matar toda essa esperança. A aldeia está prestes a perder o seu estatuto de sede de freguesia. Faltam 2 ou 3 dezenas de pessoas para o limite mínimo. Se a freguesia deixar de existir, é mais provável que a escola feche. Se isso acontecer, 70% dos jovens casais que escolheram fixar a sua vida em Santo Amador mudarão de residência. Abandonarão a aldeia que um dia, inevitavelmente, morrerá.»




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