Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Ser Portuense é um avanço civilizacional


Obrigado a permanecer em sombrio degredo na capital deste País dois terços da semana e coagido à jorna por entre políticos e seus satélites, consegui ao fim de meses e meses de árdua investigação e profundo estudo, alcançar que nestas gentes e nestes meios há uma subtil dicotomia: os que são lisboetas e os que estão lisboetas.
Os que são lisboetas, uma óbvia minoria, distinguem-se pela sua procedência, ou seja, não procedem por que já cá estavam. E já cá estavam os seus Pais. E já cá estavam os seus Avós. São poucos, porque a maior parte dos lisboetas que por castigo divino aqui nasceram, não se coíbe de falar, com os olhos lacrimejantes de saudade, da sua querida terrinha (que, evidentemente, não é Lisboa).
Já os que estão lisboetas reconhecem-se pela sua enorme argúcia pois descobriram que podem ludibriar a naturalidade e, como quem não quer a coisa, passarem por nativos desde que lhes copiem os trejeitos. Assim, incham o ego até este fazer fronteira com o Uzbequistão, ostentam os talentos que irrelevantemente podem ou não ter, efeminam o registo vocal e obliteram antigas pronúncias, encaram o próximo com a grandeza dos predestinados, etc., etc., etc.
E diga-se em abono da verdade que não deixam de ter sucesso (e razão) porque por estes lados, grassa a soberba e a presunção. É como se o Barroco se limitasse ao Rococó.
Para agravar, os que estão lisboetas, normalmente, não reconhecem as ténues linhas da impostura e ficam mais lisboetas que aqueles que são lisboetas. E isso é supinamente patético.
Deus ou outra qualquer entidade todo-poderosa me ajude a resistir e a continuar “Tripeirinho da Silva”. Porque, sinceramente, e como está tão na moda, ser Portuense é, claramente, um avanço civilizacional.

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