Kosta de Alhabaite

Nortenho, do Condado Portucalense

Se em 1628 os Portuenses foram os primeiros a revoltar-se contra o domínio dos Filipes, está na hora de nos levantarmos de novo, agora contra a colonização lisboeta!

Porto: As Escolas do Centro do Porto


A semana que passou deixou-nos uma boa notícia (ao menos uma!): a DREN não tenciona encerrar nenhuma escola na cidade do Porto. Isto significa que o Carolina Michaelis e o Rodrigues de Freitas podem, para já, respirar de alívio. Esta decisão, contudo, não parece se limitar à manutenção da abertura dos estabelecimentos, já que a DREN e as próprias escolas manifestam hoje uma atitude muito mais proactiva e positiva. Em vez de ficarem a olhar para a maré demográfica que de tão vazia ameaça secar as escolas do centro, propõem-se a captar alunos das escolas sobrelotadas da periferia tirando partido das facilidades de transporte geradas pela presença da linha de Metro Trindade-Sª da Hora, numa lógica de racionalização dos meios (físicos e humanos: para quê ter turmas com 30 alunos se a 15 minutos de distância existem duas escolas históricas, uma delas centenária, com turmas de 20 ou menos?).
Seguindo a mesma lógica, a DREN prevê ainda a possibilidade de os espaços entretanto “devolutos” serem ocupados por serviços públicos. Parece-me uma boa ideia e até nem é nova: na Homem Cristo de Aveiro funcionou dentro das suas instalações a tesouraria municipal. O que não falta por essa cidade são serviços e colectividades carenciadas de espaços para exercerem as suas actividades: se os edifícios das escolas têm espaço livre, não vejo porque não hão-de albergar esses serviços e colectividades. Aliás, talvez tivéssemos aí uma oportunidade rara de desenvolver projectos educativos intimamente entrusados com a sociedade civil (ex: se uma universidade da 3ª idade utilizar as instalações de uma escola, porque motivo não hão-de os alunos dessa mesma escola colaborar de perto nesse tipo de projecto? Se um serviço público instalar um centro numa escola porque motivo não hão-de colaborar no processo de formação dos alunos e restante comunidade escolar através de estágios integrados na própria escola ou de acções de formação?).
A Rodrigues de Freitas, a par do Carolina Michaelis e da Alexandre Herculano (magnífico projecto de Marques da Silva!), são, por si só elementos de valorização urbana e cultural. O seu património é impressionante. Passo a citar o Público de 16 de Novembro: «A Escola Secundária Rodrigues de Freitas está satisfeita com as boas notícias, não só da sobrevivência do estabelecimento de ensino, mas também das obras anunciadas. O edfiício é grande, mas há muito tempo já que não sofre qualquer intervenção. Há, por exemplo, uma piscina no espaço, mas está fechada. Apesar destes problemas, a escola tem aumentado a visibilidade das sucessivas iniciativas que organiza. Esta semana realiza-se na Biblioteca Jaime Cortesão, no último andar do edificio, uma série de conferências no âmbito de Novembro, o mês da Ciência e Semana da Ciência e Tecnologia. Com objectos e livros distribuídos por várias salas, encontram-se pequenas relíquias naquele imóvel. A última máquina de cinema mudo do Carlos Alberto, só para exemplifiear. Ou um herbário de 1870.» A Alexandre Herculano também é dotada de instalações muitos interessantes que poderiam e deveriam procuram uma maior exposição pública. A SRU PortoVivo no seu «Masterplan» («Contrato de Cidade», insisto eu!) dá alguma relevância (mas não a suficiente) ao parque escolar. Ora, não há reabilitação possível sem equipamentos-âncora de prestígio, como são estas (e outras) escolas. A SRU pode ajudar a criar aqui centros de ensino de excelência. Começando por colaborar na sua reabilitação física e da sua valorização histórica, museológica e cultural. Só quem nunca entrou no Alexandre Herculano, por exemplo, é que não percebe a verdadeira pérola que ali se encontra! Mas pode e deve ser ambiciosa: a reabilitação do centro histórico é uma lição prática de história, geografia, economia, sociologia, etc... Será que as escolas e a SRU vão deixar escapar esta oportunidade única de educar gerações novas para uma nova cidade?

PS1: Dizia Rui Rio, antes das eleições, que se «eles» (o ministério da educação) fossem inteligentes deveriam encerrar as escolas que não têm alunos. Na altura chamei a atenção para este peculiar facto de termos um presidente da Câmara que exige o encerramento de escolas no seu próprio concelho. Afinal existem outras soluções. Ainda bem que não foram «inteligentes».

PS2: O não encerramento do Carolina Michaelis pode ser uma pedra no sapato de Rui Rio: como resolver agora o problema da localização do Conservatório? Creio que, infelizmente, a solução não consta nos próximos episódios desta telenovela...


(copy+paste d'A Baixa do Porto)

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